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Cosme Rímoli: “Revolução! O uso da tecnologia para definir um jogo. Justiça, mas a custo de muita hipocrisia e ilegalidade”

flameng - Cosme Rímoli: “Revolução! O uso da tecnologia para definir um jogo. Justiça, mas a custo de muita hipocrisia e ilegalidade”

O Brasil é um país revolucionário. E que deu sua contribuição ao futebol mundial, ontem em Volta Redonda. Mostrou como é importante o uso da tecnologia no futebol. O nobre trio que representou a arbitragem brasileira na Copa do Mundo de 2014, o árbitro e os auxiliares Fifa, proporcionaram uma enorme confusão no clássico Flamengo e Fluminense. Jogo importantíssimo para a disputa do título brasileiro e para classificação da Libertadores da América.

Aos 39 minutos do segundo tempo, cobrança de falta para o Fluminense. A partida estava 2 a 1 para o Flamengo. Rodrigo Scarpa cobrou falta da intermediária. A bola viajou alta, chegou na cabeça de Henrique. Completamente impedido. A cabeçada foi à queima-roupa, indefensável para Muralha.

Emerson Augusto de Carvalho acertou. Convicto, anulou o gol. Alegou impedimento. Henrique correu na sua direção gritando: “Eu,não. Eu, não”, alegava não estar impedido. Impossível saber o motivo, já que o lance era todo do auxiliar, Sandro Meira Ricci resolveu confirmar o gol. Por ele, o lance havia sido legal.

Só que neste meio tempo, o banco do Flamengo foi alertado. A televisão mostrava que o lance estava impedido. Todos os jogadores se levantaram e foram pressionar Sandro e Emerson. Gritavam que já sabiam que o gol fora ilegal. De maneira orquestrada, eles gastaram o máximo de tempo possível. Discutiram com os jogadores do Fluminense. Estava claro que queriam esperar que alguém, com acesso à tevê, avisasse os árbitros.

A estratégia deu certo. Para os espiritualistas, veio uma mensagem do além avisando que Henrique estava impedido. Para os realistas, alguém avisou alguém do trio de juízes da Copa do Mundo. E Sandro Meira Ricci voltou atras, anulou o gol corretamente.

O que aconteceu em Volta Redonda foi vergonhoso. A estupidez da Fifa proíbe o recurso tecnológico nas decisões dos árbitros.Pode ser um recurso esdrúxulo que vai contra a justiça. Ao contrário do boxe, do vôlei, do futebol americano, onde os lances duvidosos são observados com calma, analisando as câmeras de televisão.

A Fifa que foi comandada por corruptos assumidos, como bem provou o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, resiste à tecnologia. É muito possível para manipular resultados que a interesse. Pode ser. Mas as regras são regras.

O que houve em Volta Redonda foi indecente. E terá reflexos no futuro do Brasileiro. Se Sandro Meira Ricci tivesse confirmado o gol, o Flamengo sofreria o empate aos 39 minutos do segundo tempo. Ninguém sabe como seria a reação do time de Zé Ricardo.

Como o gol foi anulado, os jogadores conseguiram segurar a vitória que permite ao Flamengo encostar no Palmeiras. Chegou aos 60 pontos, contra 61 dos rivais, primeiros no Brasileiro. O Fluminense deixa de somar ponto fundamental na sua briga pela Libertadores.

Levir Culpi e os jogadores foram proibidos de darem entrevistas, para não serem punidos. Quem deu entrevista foi apenas o diretor executivo Jorge Macedo.

“O gol é validado. Os jogadores do Flamengo saem. E voltam logo depois pois ouvem uma interferência externa. O quarto árbitro e o delegado também aparecem. Todos dizem que a televisão mostrava o impedimento. Depois de muito tempo, o árbitro anula o lance. Então, uma interferência bruta. Essa regra ainda não está apta no futebol. Todo mundo solicita isso. Mas hoje essa interferência causou prejuízo muito grande ao Fluminense.”

“Na minha visão, a justiça foi feita. Mas é ruim, porque uma situação dessa tumultua o espetáculo. Ninguém vai poder falar que não houve justiça. O gol estava impedido”, diz Zé Ricardo.

“Eu sou o maior defensor do uso do vídeo no futebol brasileiro. Porém, no momento, ele é irregular. A regra é igual para todos e, neste jogo, não foi. Esse jogo, para mim, tem de ser anulado. Vamos tomar todas as medidas. Vamos pedir a anulação da partida”, avisa Peter Siemsen, presidente do Fluminense, que cumpre a sua obrigação. Ameaça que vai tomar uma atitude. Mas ele sabe muito bem que será inútil sua ameaça.

A CBF acaba de mudar o comando da arbitragem no Brasil. Tirou Sérgio Correa e colocou o tenente-coronel Marcos Marinho. Mas enquanto os juízes forem amadores, sujeitos à pressão, tudo seguirá na mesma.

Foi a vitória da hipocrisia em Volta Redonda.

Todos sabem o que aconteceu, mas ninguém confirmará.

Ninguém é idiota.

Lógico que houve interferência da tecnologia.

Algo que está fora das regras.

Mas no Brasil, vale tudo.

Mais um lance vergonhoso que todos aceitam calados.

Principalmente os beneficiados..

Fonte:

Fonte: Cosme Rímoli

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