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De carona com o Flamengo, Portuguesa projeta Série B até 2020

Clube da Ilha do Govenador pode chegar à Copa do Brasil se bater o rubro-negro e passar à semifinal

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Uma vitória da Portuguesa sobre o Flamengo no duelo de hoje, às 16h, em Cariacica (ES) não dará apenas a vaga inédita na semifinal da Taça Rio para o clube da Ilha do Governador. Abre o horizonte para o cenário nacional, com chance de disputa da Copa do Brasil e da Série D do Brasileiro do ano que vem caso esteja entre as quatro melhores equipes do Estadual. Mas, da mesma forma que o time, que não perdeu para os grandes esse ano e foi montado com base na ambição, a Lusa quer mais, e conta com o estádio Luso-Brasileiro.

— A intenção é até 2020 estar na Série B do Brasileiro — declarou Marcelo Ramos, 37 anos, vice de futebol desde 2014 e vice-geral do clube. A meta ousada está inserida no tempo de contrato com o Flamengo para uso do estádio: três anos, renováveis por mais três. O planejamento redundou na melhor campanha da história do clube no Estadual, com 66% de aproveitamento. Resultado, também, do aporte financeiro com o pagamento do aluguel de R$ 200 mil por mês pela nova Ilha do Urubu.

Desse valor, a Portuguesa usa 60¨% para o seu futebol, que hoje tem folha mensal justamente de R$ 200 mil, 50 vezes menos que a do Flamengo, de R$ 10 milhões. A reconstrução do clube aconteceu antes desse impulso. A atual administração assumiu em 2011, rebaixada para a terceira divisão por uma dívida de R$ 350 mil com a Federação. O acesso à Série A veio em 2015. A primeira injeção financeira só aconteceu com o Botafogo em 2016. Na volta à elite, a Lusa chegou à décima posição naquele ano, e foi nona em 2017. Agora, ocupa a quinta posição geral.

— O início foi difícil, a gente contava moeda para pagar a prestação na Federação. Veio o Botafogo, agora o Flamengo, nos trouxe suporte financeiro para planejar melhor — explicou Marcelo.

Inspiração em campo vem do Corinthians

O resultado da organização financeira veio em campo. Primeiro clube a iniciar pré-temporada, em outubro do ano passado, a Portuguesa montou um elenco formado por atletas sem muito nome nem salário alto, mas vontade de sobra. Sob o comando do técnico João Carlos Ângelo, 51 anos, a equipe não perdeu para nenhum time grande, e vê seus atletas despertarem interesse do mercado. A ideia é aumentar o investimento na base para lucrar.

— São atletas com ambição de buscar uma coisa na vida. Não adianta trazer atleta com renome para passar o tempo — conta João Carlos, que é formado pelo sindicato dos treinadores do Rio e passou pela comissão de Renato Gaúcho no Fluminense, em 2007. Entre idas e vindas por clubes de Portugal e pela Lusa, viu o ressurgimento do clube. A inspiração tática, curiosamente, vem de São Paulo. Em busca de uma equipe compacta, mas que não abdique do ataque, o treinador viu o Corinthians campeão brasileiro como referência para as pretensões.

— É uma equipe formada com menos investimento se comparado a Flamengo, Palmeiras, mas é coesa. Abre mão da posse de bola, mas é bem aguda, objetiva, com transição forte. Tenho isso como parâmetro — explicou o comandante lusitano, adepto do sistema 4231.

O sonho de ser a quinta força

Os resultados obtidos por João Carlos e seus jogadores vieram mesmo sem a incerteza sobre o uso do próprio estádio. No acordo com o Flamengo, é proibido treinar na Ilha do Urubu. Com a queda de duas torres por causa da chuva, os jogos também foram transferidos. Para um clube acostumado a tormentas, isso não atrapalhou. O sonho é se tornar a quinta força do Rio, e ocupar os corações dos cariocas, que já tiveram o América como segundo time.

— O nosso sonho é ser a quinta força, depois dos grandes todo mundo torcer. É um clube simpático e acolhedor. Todos que precisam de uma casa a gente sempre acolheu — lembra Marcelo Ramos, vice do presidente João do Rego, que foi reeleito duas vezes desde 2011, mas de governança moderna.

Na história acolhedora com os rivais, a Portuguesa também teve presença em águas européias. E derrotou ninguém menos que o Real Madrid, em amistoso de entrega de faixas em 1969, por 2 a 1. No clube, que teve seu parque aquático reformado, o patrimônio histórico guarda também recortes de jornais da época. E também lembra passagens de grandes craques brasileiros pelo Luso-Brasileiro, como Zico e Roberto Dinamite. De alma provinciana e acolhedora, a Lusa quer ser grande.

Terra de grandes sambas, mas devastada pelo temporal de fevereiro, a Ilha ganhou um novo motivo para se orgulhar. Adversário, o Flamengo foi o trampolim. É hoje o dia?

Fonte: https://oglobo.globo.com/esportes/de-carona-com-flamengo-portuguesa-projeta-serie-ate-2020-1-22499949

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