De Erick Flores a Vinicius Junior, o que mudou na formação do Flamengo dez anos depois

A final da Taça Guanabara entre Flamengo e Boavista expõe a forma distinta como o Rubro-negro tratou seus jovens talentos em um intervalo de dez anos. Mesmo que não comecem a partida no estádio Kleber Andrade , em Cariacica, às 17h, Vinicius Junior e Erick Flores são exemplos da mudança na forma de gestão da base.

Com 100% dos direitos econômicos pertencentes ao Flamengo, Vinicius foi vendido por R$ 165 milhões aos 17 anos depois de um tratamento diferenciado desde as primeiras categorias. Do outro lado, na mesma época da carreira, Erick Flores teve seus direitos retalhados para empresários em uma cesta de atletas que foi colocada no mercado em 2008 para pagar dívidas do clube com o time.

Enquanto a Traffic foi parceira do Flamengo para aumentar a multa ao Real Madrid e gerar mais lucro para o clube, a MFD, na ocasião, comprou um percentual de 20% de Erick Flores e outros cinco jogadores. Mas apenas Renato Augusto deu lucro.

As duas promessas rubro-negras tiveram expectativas altas, mas condução de carreira pelo clube e destinos totalmente diferentes. O slogan que “craque o Flamengo faz em casa” foi sempre um peso para os jovens, e só agora é retomado, com portas abertas para o mercado e vendas sem cerimônia. Outra mudança signiticativa.

Tratado como “novo Adílio”, Flores não rendeu um real para as partes. Nunca vingou e reencontra o clube que o revelou aos 28 anos, depois de ser emprestado e atuar em oito clubes, todos sem grande expressão. Vinicius, já vendido, ainda não tem status de titular. E é preparado gradualmente. Mas já garantiu lucro elevado. A retomada nas vendas do clube se deu há pouco tempo com Samir, Jorge, Vinicius e Felipe Vizeu. Nenhum com o processo de transição que os jovens são submetidos hoje.

Novo modelo favorece atleta que é melhor preparado

De Erick Flores a Vinicius Junior, mudaram muito os negócios do futebol. Com Vinicius, já estavam proibidos que empresários tivessem posse de direitos econômicos de jogadores, mudança exigida pela Fifa em 2015. Na operação com o Real Madrid, o Flamengo ficou com 32 milhões de euros e o jogador e os agentes com o restante em luvas, mas sem participação.

Antes, os investidores seguravam os atletas no clube para que eles valorizassem mais, e eram protagonistas das operações de revendaque se baseavam em especulação. Agora, o Flamengo perdeu o medo de vender seus talentos, e faz deles uma das principais fontes de recursos, preparando-os física e psicologicamente e dando apoio á família.

Historicamente, a geração de Djalminha e Marcelinho —, vendida também para pagar dívidas na década de 1990 — freou saídas futuras. Algumas oportunidades não foram aproveitadas com a expectativa de "novos Zicos" surgirem. Exemplos como Adryan e Matheus foram forçados no time principal, sem base para tal. O clube deixou de vender os dois jovens para grandes clubes da Europa, apesar de ofertas.

E o aproveitamento se dava de forma emergencial. Erick Flores chegou a participar da campanha do hexa em 2009, quando o time era bom, mas o elenco não tinha consistência. A joia atuou em poucos jogos e não se firmou.