O principal desentendimento entre a cúpula carioca e a paranaense é em relação às cotas de TV. O Flamengo, maior torcida do Brasil, recebe da Rede Globo valores muito maiores que os adversários - e para a diretoria do Fla, nada poderia ser mais justo. No entender do Furacão, a situação causa desequilíbrio no futebol brasileiro:

​– A TV é fundamental. O PPV, no direito no Brasil, ainda é dos dois clubes, do mandante e do visitante. Na Europa, é só do mandante. Cada jogo do Flamengo lá, conosco, eles ganham R$ 3,2 milhões por jogo, e nós, R$ 150 mil. Quando é na nossa casa, a mesma coisa. Na mesma competição, concorrendo com a gente, é uma injustiça – argumenta Mario Celso Petraglia, dirigente paranaense.

Temos que ganhar mais do que os outros times, simplesmente porque merecemos ganharO Flamengo é um trem pagador do futebol brasileiro, dá dinheiro para todos, porque é grande. Então nosso lugar é um lugar de merecimento – discorda Cláudio Pracownik, vice presidente de finanças do Fla.

Ademais, no começo desta temporada, a relação ficou ainda mais complicada por disputas no mercado da bola. Além de todo o imbróglio envolvendo Marcelo Cirino, o Flamengo se irritou com o modo como o Atlético-PR tratou o caso Marcos Guilherme. O rubro-negro carioca tinha interesse no garoto, por indicação do técnico Zé Ricardo, mas a negociação foi travada - ainda que o Furacão não tivesse planos para aproveitar o jovem. 

O fato é que, quando a bola rolar nesta quarta-feira, às 21h45, na Arena da Baixada, muito mais do que três pontos estarão em disputa. É claro, o mais importante será a busca de uma situação mais positiva dentro da Copa Libertadores, mas é impossível negar que os egos das duas diretorias também estarão sendo colocados frente a frente.