Do San Lorenzo ao River: o que mudou no Flamengo, que estreia nesta quarta na Libertadores

Do San Lorenzo ao River: o que mudou no Flamengo, que estreia nesta quarta na Libertadores

Disputar a Libertadores é o maior entretenimento do torcedor brasileiro no primeiro semestre. E conquistá-la, ao fim da temporada, um ambicioso sonho de consumo. Mas, para o rubro-negro carioca, a principal competição de clubes do continente chega acompanhada de certo receio. E é fácil entender por quê: o Flamengo foi eliminado na fase de grupos em suas últimas três participações. No ano passado, o algoz foi o San Lorenzo, com direito a virada aos 47 minutos do segundo tempo. Nove meses depois, o Urubu tenta novo voo, a partir desta quarta-feira, contra o River Plate, às 21h45.

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O recorte de tempo é curto, mas as transformações pelas quais o rubro-negro passou dentro de campo são significativas. A queda na fase de grupos elevou a pressão sobre o então técnico Zé Ricardo, demitido depois de insucessos também no Campeonato Brasileiro. Após a experiência com o técnico caseiro, o Flamengo foi buscar o prestígio de Reinaldo Rueda, campeão da Libertadores com o Atlético Nacional-COL. O colombiano chegou perto de fazer história na Gávea por duas vezes, mas acabou com o vice na Copa do Brasil e na Sul-Americana. E, em vez de deixar boa recordações, saiu pela porta dos fundos ao conduzir de forma caótica sua ida para o comando da seleção do Chile.

Meio sem querer, coube a Paulo César Carpegiani — comandante da única conquista rubro-negra na Libertadores, em 1981 —, antes cogitado para o cargo de diretor técnico, assumir o time. Os primeiros testes da temporada deixaram boas impressões. Levando-se em conta a fragilidade dos adversários no Campeonato Carioca, o Flamengo já apresenta virtudes que não exibia na era Rueda, como qualidade na saída de bola e criatividade na movimentação no terço final do campo.

As peças também mudaram — e muito. Dos 11 titulares contra o San Lorenzo, apenas três devem começar o jogo contra o River Plate: Rodinei, Réver e Everton. Houve substituições significativas em todos os setores: no gol, o execrado Alex Muralha deu lugar a Diego Alves; na zaga, a experiência de Juan pôs fim à insegurança de Rafael Vaz; no meio-campo, Márcio Araújo está fora — hoje, joga Jonas, mas Cuéllar, suspenso, é o dono da posição; e Diego, lesionado no ano passado, tem agora a ajuda de Everton Ribeiro e Lucas Paquetá na criação.

Entre parte da torcida e da imprensa especializada, os insucessos do Flamengo são comumente relacionados a uma questão de postura. Talvez haja verdade nisso. Mas o jogo continua sendo resolvido dentro de campo. E, se o passado recente não oferece razões para se animar, o rubro-negro pode ao menos se apegar à certeza de que a versão 2018 do time é consideravelmente mais virtuosa do que as anteriores.