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Donos do dinheiro, Flamengo e Palmeiras se enfrentam na Ilha

Partida nesta quarta reúne os dois maiores concentradores de receitas do país

Mundo afora, a relação entre poderio financeiro e conquistas esportivas é cada vez mais estreita. Nesta quarta-feira, às 21h45m, na Ilha do Urubu, Flamengo e Palmeiras levam a campo dois elencos que são produtos da maior concentração de receitas do futebol brasileiro atual. Segundo estudo do Itaú BBA, que analisou os balanços de 27 clubes brasileiros, os rivais de hoje tiveram, em 2016, 20% do total das receitas do grupo avaliado. E são donos de 36% da geração de caixa — o Ebitda, lucros obtidos antes de juros, impostos, depreciação e amortizações — total dos clubes envolvidos no mesmo estudo.

No entanto, o Flamengo entra em campo como quarto colocado no Campeonato Brasileiro, 12 pontos atrás do líder Corinthians. Já os paulistas estão em quinto, a 14 pontos da primeira posição. Vivem um 2017 de pressões, instabilidade e chegam a esta etapa da temporada com alterações sensíveis de elenco. Justiça seja feita, o Palmeiras num ritmo bem mais alucinante do que o rubro-negro. Realidades que retratam como, no Brasil, o dinheiro pode trazer felicidade, mas, antes dela, obriga a moderar as expectativas que os tempos de bonança geram. Como se a riqueza não admitisse tropeços, resistir à tentação de fazer mudanças a cada revés, de ficar imune à pressão por resultados, é o desafio dos “novos ricos” do país. Sem capacidade de investimento, o líder Corinthians tem uma base titular que se mantém quase inteira desde janeiro.

O Flamengo entrou em 2017 com a intenção anunciada de fazer ajustes finos no elenco terceiro colocado no Brasileiro do ano passado. Na pré-temporada, trouxe o lateral Trauco, o volante Rômulo, o atacante Berrío e o meia Conca. Após perder o lateral Jorge, vendido para o Monaco, contratou Renê em fevereiro. Em junho, chegaram Éverton Ribeiro, Rhodolfo e Geuvânio, quando a queda na Libertadores já fazia crescer a pressão sobre o clube. Agora, é o goleiro Diego Alves quem aguarda a estreia. Os reforços ampliam nitidamente a qualidade do elenco. Mas, hoje, são jogadores em adaptação tática e física após chegarem de realidades diferentes.

— Entrar no Brasileiro e ser campeão é uma coisa. Entrar com a pressão de ser campeão é diferente — disse o técnico Zé Ricardo após o empate com o Cruzeiro, em Belo Horizonte.

Receitas em 2016

Receitas em 2016

Hoje, Zé Ricardo lida com os questionamentos. A eliminação na fase de grupos da Libertadores soa incompatível com o tamanho do investimento rubro-negro e o poderio econômico atual do clube. Ao mesmo tempo, reforços à parte, uma base foi mantida. Mas, agora, o clube busca encaixar os nomes recém-chegados. O Flamengo, segundo o estudo do Itaú BBA, arrecadou R$ 408 milhões em 2016, o equivalente a 9% do total de dinheiro gerado pelos 27 maiores arrecadadores do Brasil. Sua geração de caixa equivaleu a 16,5% do total destes clubes analisados pelo estudo.

Claro está que o futebol brasileiro é como uma balança cujo equilíbrio é difícil de encontrar. De um lado, está a tentação de ir ao mercado e contratar, somada à existência de saldo na conta bancária e ao imediatismo na busca por resultados. De outro, a necessidade de dar estabilidade e crescimento coletivo a um time de futebol. A arrecadação dos clubes do país cresceu, mas resolver a equação não parece simples.

O Palmeiras arrecadou R$ 469 milhões em 2016, o equivalente a 11% do total de dinheiro gerado pelos 27 clubes estudados. Sua geração de caixa, o Ebitda, foi de R$ 159 milhões, ou 19,5% do total. No entanto, a temporada atual já mostrou de tudo no clube paulista, menos um time montado. Ainda na fase de pré-temporada, o clube contratou Felipe Melo, Keno, Hyoran, Raphael Veiga, Guerra, Michel Bastos, Willian e Antônio Carlos. Em abril, anunciou o zagueiro Luan, ex-Vasco. Em maio, o zagueiro Juninho e o lateral Mayke. Em Junho, trouxe o volante Bruno Henrique. Em julho, foi a vez de Deyverson, que aguarda a estreia.

Começou o ano com Eduardo Baptista, de estilo de jogo diferente do adotado por Cuca. Mas demitiu o treinador na reta final da acidentada fase de grupos da Libertadores e recontratou o comandante do título brasileiro de 2016. Entre um tropeço e outro na competição Sul-Americana e no Paulista, foi anunciando seus reforços.

— Eu sou realista: não consegui definir um Palmeiras. Não defini a lateral, o centroavante, não dei uma sequência para eles. Não é porque não quero. É porque não consegui — disse Cuca após a derrota para o Corinthians, há uma semana. Ele pretende escalar reservas no Brasileiro nas próximas rodadas e levar o time para treinar em Atibaia.

Nesta quarta-feira, os paulistas vêm com força máxima. O Flamengo, que ainda não conta com Diego Alves, deverá repetir o time do empate com o Cruzeiro, exceção feita à entrada de Trauco na lateral.

Fonte: https://oglobo.globo.com/esportes/donos-do-dinheiro-flamengo-palmeiras-se-enfrentam-na-ilha-21605084

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