Embananados

Embananados

Assistir a um jogo do Flamengo é um grande teste oftalmológico. O futebol apresentado é de chorar, de sangrar os olhos e de descolar a retina. Porém, não venho apenas para apontar os visíveis erros do Mengo em campo.

Não que o time não fique quase sempre espaçado, com determinados jogadores atuando fora de posição e outros que simplesmente não deveriam sê-lo, ou que o “técnico” não seja um aparente admirador do futebol dos diferenciados Willian Arão, Renê, Jonas, Geuvânio e outros. Tudo isso me parece condizente com o que vejo, aliás, a desgestão do futebol desde o início da era Bandeira é digna de destaque também.

Desde 2013 passaram pelo Fla 12 treinadores sendo que nenhum deixa saudades, desde então o clube conquistou 1 único título de expressão vencido na camisa há 5 anos. Impressiona também o fato de o custo benefício de quase a totalidade dos atletas contratados ser DEPRIMENTE, o paternalismo segue patente e por aí vai… (levando)

Críticas à parte, na verdade venho sempre aqui para saudar e exaltar o Flamengo como marca e as marcas que o Mengão me faz. Tudo bem que quase nunca consigo evitar os gritos da corneta, mas faz parte.

Farei aniversário no próximo dia 21 e nesse período do ano que antecede a fes sempre aparece alguém que gosta de astrologia pra me informar que estou no inferno astral. Poxa… era bem mais fácil e útil não me lembrar. A cabeça de qualquer cristão latino-americano pende a autossabotagem com caraminholas desse tipo, mas o que faço geralmente é não ligar. Desperto para os novos dias com uma preguiça que só Deus sabe e depois já vou mentalizando coisas boas para vencer a lerdeza e seguir em frente. O problema é que sempre surge pela manhã um instante em que paro e me lembro: “pô, e o Flamengo, cara…” dos mesmos criadores de: “esse Flamengo tá uma…”

Leio as notícias, tomo café, me assusto com os milhões e milhões de premiação que o clube desembolsou aos envolvidos no 2017 fracassado do time e aí não tem jeito… acordo de vez e percebo que quem ainda dorme é o Rubro-Negro.

Não venham querer me mostrar GPSs ou afins, o Flamengo está perdido. Simplesmente fora do mapa do bom futebol, quase ninguém além da torcida o representa. A palavra representatividade, por sinal, é um tabu quando se trata desse Flamengo que temos visto. A falta de “força política” nos bastidores do futebol sul-americano, por exemplo, é um aspecto que influi na falta de respeito das arbitragens para com o clube mais popular da América. E isso não é choro e muito menos clamor por erros que favoreçam o Fla; é uma reles constatação e uma observação (que lamento dizer que é determinante para o sucesso) sobre algo que ocorre no truncado futebol desse subcontinente.

Evidentemente o baile segue, o tempo não pausa e domingo tem novo jogo. Pra ser bem franco nem dá para reclamar do Mais Querido no Brasileirão (2 jogos, 4 pontos), mas contra o Ceará em Fortaleza será preciso mostrar bem mais do que o apresentado contra o América – MG no Maraca.

O Flamengo hoje é mais panela que caldeirão, mais canela que precisão, mais balela que construção e mais elas por elas do que tudo pela Nação.

Embananaram o Flamengo, mas trata-se de um dos clubes mais surpreendentes e bipolares do futebol. Eu não duvido e nem hei de duvidar de qualquer reviravolta. Ao contrário, estou é firme na torcida.

ISSO É FLAMENGO! O RESTO É CLUBE

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