Espn: “Júlio César, entre o fardo do 7 x 1 e o topo do futebol”

Espn: “Júlio César, entre o fardo do 7 x 1 e o topo do futebol”

O choro costumeiramente é visto de forma negativa no futebol. Indica fraqueza, fracasso, frustração. E Júlio César acabou passando esta imagem para muitos.

Logo após a derrota por 2 a 1 para a Holanda nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010, em que falhou em ambos os gols, ele esteve diante dos microfones. Lutando contra as lágrimas, de um jogador que ficou conhecido pelo perfil emotivo ao longo da carreira.

O mesmo cenário se repetiria quatro anos mais tarde, quando o Brasil sofreu o revés mais vexatório da história dos Mundiais.

A Copa costuma potencializar acontecimentos no futebol. Bons jogos no torneio elevam um atleta a grande promessa ou a nome mais cobiçado no mercado. O mesmo vale para o contrário. E Júlio César é prova disso.

O quarto goleiro na história a ser titular da seleção brasileira em duas Copas diferentes – Gylmar (1958 e 1962), Leão (1974 e 1978) e Taffarel (1990, 1994 e 1998) – acabou sendo tachado como vilão, a personificação do fracasso, pelas falhas e pelo choro.

É injusto, porém, condicionar as lágrimas derramadas pelo goleiro apenas na derrota, sobretudo em uma carreira que esteve muito mais relacionada com a vitória. Aliás, em 2016, o jornal inglês Daily Mail criou um ranking no qual ele aparecia como o maior vencedor do futebol.

Após um início promissor no Flamengo, veio a idolatria, acompanhada de quatro títulos estaduais. Em 2015, veio a mudança na Europa e também de patamar na carreira.

Após seis meses emprestado ao Chievo, no qual não atuou, Júlio César virou titular já em 2005-06, terminou a temporada, indo à Copa de 2006 como terceiro goleiro. Em pouco tempo alcançou o auge: cinco títulos italianos, três da Copas da Itália, um do Mundial e uma tríplice coroa.

A Inter de Mourinho e Júlio César pararam o fenomenal Barcelona de Guardiola e bateram o Bayern de Munique na decisão da Champions League em 2010. Ano de tríplice coroa para a equipe italiana. Mas, para muitos, foi ‘apenas’ o ano das falhas contra a Holanda.

A partir de então, veio a queda: passagem por Queens Park Rangers, Toronto FC e Copa de 2014. O torneio, aliás, quase marcou o fim da carreira de Júlio César. A carreira do nono melhor goleiro do século, segundo avaliação da revista FourFourTwo. E também do segundo melhor arqueiro em 2010, de acordo com a IFFHS.

Porém, havia algo mais. A carreira de um astro tão emotivo deveria, de fato, acabar com lágrimas. Só que de alegria.

O tricampeonato português pelo Benfica, sendo as duas primeiras conquistas tendo Júlio César como titular, fez o atleta recuperar o prestígio antes do ato final, no Flamengo, o clube onde tudo começou e que transcende a relação profissional.

O jogo deste sábado contra o América-MG certamente trará lágrimas, que serão de felicidade. Assim como ocorreu na maior parte de sua carreira.

Reprodução: ESPN