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Filho de atacante e de "boa técnica", PV bateu o pé para se tornar goleiro

Gesué Vidotti, pai de Paulo Victor e jogador do Corinthians nos anos 80, diz que professor do flamenguista não queria tirar jovem da linha nos tempos de escolinha

 

"A defesa de um pênalti é o gol do goleiro". A frase propagada principalmente antes dos tempos de Chilavert e Rogério Ceni, se saísse da teoria para a prática, faria de Paulo Victor um artilheiro nos últimos dias. O apogeu do arqueiro rubro-negro se deu na quarta-feira, quando pegou duas cobranças do Coritiba em disputa que redundou em classificação heroica do Flamengo às quartas de final da Copa do Brasil (veja os lances do jogo contra o Coritiba e as defesas de Paulo Victor no vídeo acima). No domingo, já havia parado Juan, do Vitória. PV, todavia, poderia estar marcando gols de fato caso seguisse o desejo de Seu Vidotti, pai dele e atacante do Corinthians nos anos 80.

- No início, jogava na linha. Por ser canhoto, tinha habilidade. Jogou de atacante e volante. Tinha uma condição técnica muito boa, mas, com uns 9, 10 ou 11 anos, virou para mim e disse que queria ser goleiro. O professor dele na escolinha aqui de Assis, Roberto Carlos, falava: "Não vamos botar o Paulo no gol, não. Ele é muito bom". Eu também via essa qualidade nele, mas com uns 11, 12 anos, ele falou que queria ser goleiro e foi ser goleiro. Hoje está aí no maior clube do Brasil e do futebol mundial, que é o Flamengo. Na época em que eu jogava, quando ele era menorzinho, ficava muito próximo dos goleiros, tinha muita amizade com eles. Por isso acho que ele virou goleiro - revelou Gesué Vidotti.

montagem - Paulo Victor Flamengo criança (Foto: Editoria de Arte)Paulo Victor é o lourinho que disputa bolas nas fotos superiores (Crédito: Arquivo pessoal)

Inesquecível é o adjetivo escolhido para definir a partida do filho contra o Coritiba, vencida por 3 a 2 nos pênaltis após triunfo por 3 a 0 no tempo regulamentar. Vidotti, contudo, diz que o bom momento é fruto de um trajetória pautada pela regularidade.

 

- Já vi muitas partidas do Paulo, acompanho todas, a estreia dele com o próprio Luxemburgo, num 0 a 0 com o Santos, na Vila (na última rodada do Brasileiro de 2010, PV fez seu primeiro jogo oficial pelo clube - veja os lances no vídeo ao lado. Antes já havia disputado dois amistosos, um no mesmo ano e outro em 2006). É um goleiro sempre regular, com grandes partidas e sempre mantendo uma média muito boa. Vem crescendo a cada dia, mas ontem foi o momento mais agradável, muito inesquecível por ser uma decisão de pênaltis. Dificultou o pessoal do Coritiba, e eles ainda botaram duas na trave.

Para o pai de PV, o momento de afirmação do filho chegou. É agarrar de vez a titularidade do Flamengo e mirar coisas grandes, até mesmo a Seleção.

A gente sempre quer o máximo possível. Somos do interior (Assis-SP), onde tudo é devagar, sem apressar as situações. Primeiro é se firmar no Flamengo, como está se firmando. Após isso, um goleiro jovem, de 27 anos, tem que pensar em Seleção. O momento é muito bom e ele tem que pensar nisso"
Gesué Vidotti, pai de Paulo Victor

- Depois da Copa do Mundo, o Flamengo jogou duas partidas com o Felipe. Aí o Vanderlei chegou e efetivou o Paulo. Pararam de falar em contratação, tenho certeza que a diretoria nem pensa em contratar goleiros. Tem três grandes goleiros, como Paulo, Felipe e o César. A gente sempre quer o máximo possível. Somos do interior (Assis-SP), onde tudo é devagar, sem apressar as situações. Primeiro é se firmar no Flamengo, como está se firmando. Após isso, um goleiro jovem, de 27 anos, tem que pensar em Seleção. O momento é muito bom e ele tem que pensar nisso - projeta.

Autor do décimo gol corintiano na maior goleada da história do Campeonato Brasileiro - Corinthians 10 a 1 Tiradentes-PI, em 9 de fevereiro de 1983 -, Vidotti fala do filho com muito orgulho e não se sente frustrado por vê-lo debaixo das traves. Mas, admite, prova do próprio veneno.

- Sempre comentei tanto com o Paulo quanto com o Marcello (ex-goleiro da base do Flamengo), que hoje é estudante de odontologia: eu gostava de judiar dos goleiros, e agora o pessoal quer judiar dos meus filhos (risos). É a vida do futebol - encerrou. 

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