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Fla tem queda de braço interna por volta de ingressos a preços populares

Situação estremece relações na diretoria, e vice de futebol, insatisfeito com aumento para jogo contra Corinthians, pode deixar o cargo. Reunião está prevista para quinta

torcida Flamengo Maracanã (Foto: Getty Images)torcida Flamengo Maracanã (Foto: Getty Images)

O time do Flamengo está em Cuiabá, mas a Gávea tem sido o centro das atenções rubro-negras. Na verdade, o epicentro de crise que abala estruturas depois do aumento do valor dos ingressos para a partida contra o Corinthians, domingo, no Maracanã. A queda de braço no momento é objetiva: uma corrente, encabeçada pelo departamento de futebol, defende o retorno dos preços populares para o restante do Brasileirão – já a partir do clássico com o Fluminense, dia 21, pela 23ª rodada – e argumenta com a alta cúpula, que tem no vice de marketing, Luiz Eduardo Baptista, o BAP, o principal incentivador de ingressos mais caros. Para quinta-feira está prevista uma reunião com diversos poderes do clube capitaneada pelo diretor executivo geral, Fred Luz.

Recém-empossado, o vice-presidente de futebol, Alexandre Wrobel, é um dos maiores defensores da manutenção dos valores que garantiram ao Flamengo, na derrota para o Grêmio, o recorde de público do Brasileirão. O dirigente, inclusive, garantiu em sua primeira entrevista a manutenção dos preços populares e briga internamente pelo cumprimento da promessa. "Atropelado" na questão do aumento, ele não esconde seu descontentamento e teme que outras decisões suas sejam esvaziadas. 

Outro que desde a chegada adotou discurso de união ao torcedor e está insatisfeito com o reajuste é Vanderlei Luxemburgo. Não foram poucas as vezes em que o treinador convocou os rubro-negros em entrevistas coletivas para lotarem o Maracanã.  

Alexandre Wrobel flamengo (Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo) Wrobel ficou contrariado com decisão e pode deixar o cargo (Foto: Cezar Loureiro / Ag. O Globo)

A briga comprada por parte da diretoria é defendida também como uma contrapartida ao torcedor, diante da parceria quando a equipe ocupava a lanterna do Brasileirão, ou no jogo de volta pelas oitavas de final, após ter perdido por 3 a 0. Com a redução do valor dos ingressos, o Flamengo teve bons públicos nas vitórias sobre Sport, Botafogo, Atlético-MG e Coritiba, além dos 51.858 pagantes no revés para o Grêmio. O casamento da arquibancada com o time é apontado como determinante para reação da equipe e a manutenção da parceria vista não somente como importante para o restante da temporada, mas também como uma forma de gratidão.

– A torcida abraça o time, e a diretoria faz questão de afastá-la – chiou um dos integrantes do futebol, que se posiciona a favor dos preços mais baixos. 

Além do Corinthians, o Flamengo fará mais oito partidas como mandante no Maracanã. O argumento do grupo que defende o aumento dos preços está no alto custo para mandar jogos no estádio. De toda a renda do duelo contra o Grêmio, por exemplo, apenas 40,6% foi parar nos cofres rubro-negros. Diante do São Paulo, porém, com valores mais altos, o clube lucrou apenas 31,1% do montante bruto.

Em entrevista ao GloboEsporte.com em maio, BAP abordou o tema e justificou sua posição contrária a bilhetes populares, colocando a culpa no Consórcio.

– Se o Flamengo fosse o Cruzeiro e jogasse no Mineirão, faturando R$ 50 milhões, ficaria com 78%. Ou seja, R$ 39,5 milhões. Se jogasse em Brasília, ficaria com 60%. No Maracanã, fica com 40%. Por que isso? Entre o Governo e o Cruzeiro não há Odebrecht, como no Maracanã. O clube paga as despesas do Mineirão e fica com o restante. No caso do Flamengo, a Federação Carioca cobra 10%. Isso é uma extorsão. Nas outras, a federação que pede mais cobra 5%, outras, 3%, até 2%. Ainda há taxas federativas, como associação de cronistas, escoteiros, que tiram mais 3,5%. Só de aluguel, a Odebrecht cobra em média 23% da renda bruta. Vai combinando estes aspectos e há agravantes. O Rio é o único estado onde há gratuidade. Em São Paulo, há, mas é convite, o que dá mil, dois mil ingressos. No Rio, não. De cada quatro que vão ao estádio, um não paga. Há ainda a lei de meia-entrada, onde vai muito mais gente do que pagando inteira. Algumas situações vão contra a arrecadação no Rio. Quando colocamos isso tudo na conta, pesa.

Bap não respondeu os contatos do GloboEsporte.com para comentar o aumento recente. Não foram poucas as vezes, no entanto, em que disse que este tipo de decisão varia de acordo com a realidade do momento no clube. No entanto, a redução de preços aconteceu justamente no maior momento de instabilidade financeira do Flamengo na gestão Bandeira de Mello, com as cotas de patrocínios da Caixa retidas e atraso de até dois meses nos salários do elenco. Agora, a situação já foi regularizada.

Indefinição é a palavra que melhor resume o tema no momento. A diretoria planeja se manifestar em breve a respeito dos recentes aumentos, mas até o clássico contra o Fluminense muitas discussões acontecerão a respeito do valor que será cobrado daqui para frente. A certeza de momento é que os preços para o jogo contra o Corinthians estão mantidos, até porque as vendas já tiveram início, e que todo imbróglio criou um mal-estar interno que os defensores dos bilhetes populares apontam como desnecessário.

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