| Futebol

Flamengo 1x1 Macaé

Ainda as baixarias da FERJ

É verdade que começamos bem o jogo, até os primeiros minutos da etapa inicial parecia que o gol sairia, depois o Flamengo continuou com mais posse de bola, porém as jogadas incisivas deixaram de acontecer. O Macaé controlou o jogo e ao final deste primeiro tempo achou um gol no escorregão do Samir. Para o segundo tempo, o treinador Luxa substituiu o inoperante Nixon, tivemos um pouco de mais dinamismo e aos 6 minutos empatamos com a cabeçada de Alecsandro. A esta altura já havíamos queimado duas substituições, o Léo Moura sentiu ainda no primeiro tempo e deu lugar ao lateral Pará. Visando dar mais ação ao nosso meio-campo, o Luxa substituiu o Cáceres pelo Márcio Araújo, que dentre as suas limitações, sempre demonstra  a  máxima deficiência em concluir a gol, num lance que poderia ser decisivo pela direita, mais uma vez concluiu bisonhamente. Continuávamos a ter mais posse de bola, mas sem conseguir uma jogada decisiva de gol. Num lance de choque dentro de nossa área, perdemos o goleiro P.Vitor, o Alecsandro foi improvisado no nosso gol, porém a equipe do interior sequer deu um chute a gol, continuamos com o domínio, mas quase não ameaçamos o arco do goleiro Berna. Não tivemos nenhum destaque que se salientasse neste jogo,jogando contra uma equipe postada na defesa, certamente teremos dificuldades. Até o momento o Arthur Maia não demonstra ser o meia que precisamos, o Cirino ainda não disse ao que veio e precisamos de reforços sim.....O modesto 1x1 acabou sendo o resultado mais justo, nas circunstâcias poderia ter sido pior, jogamos cerca de 20 minutos com um goleiro improvisado.

 

Ainda as baixarias da FERJ‏

Uma ação decisiva, sem subterfúgios, evasivas e tentativas de amenizar a situação. Esperamos que os nossos gestores cumpram com as providências que assinaram conjuntamente com o Fluminense. Se rebelando contra as atitudes ditatoriais do presidente Rubens Lopes e de seu padrinho Eurico Miranda. A dupla busca apenas o oportunismo deslavado para benefícios inconfessáveis e na seqüência, tentar obstruir o evidente crescimento do Flamengo, após anos de atraso devido a administrações irresponsáveis.
A participação de nossa torcida, também será de fundamental importância para respaldar os atos de nossa diretoria, sem cair no conto populista do ingresso barato.
A criação de uma liga é a solução encontrada por Flamengo e Fluminense, dentro de uma legalidade, será uma boa alternativa. Poderia se realizar um campeonato mais enxuto, com um regulamento claro e desportivo, com a princípio, a presença de clubes convidados a participarem desta disputa. Em passado remoto houve um período em que tivemos a realização de dois campeonatos distintos, a chamada cisão do Futebol Carioca. Com o imbróglio criado pela FERJ na pessoa de seu mandatário, não vislumbramos outra solução. Desta forma arbitrária é que não pode ficar.
Tivemos de início uma boa impressão do novo presidente do Botafogo Sr: Carlos Eduardo Pereira, que poderia aderir a este movimento de mudanças. Todavia diante da entrevista do representante do alvi-negro nesta sexta-feira na federação Sr: Mantuano percebemos que o time da Série B, está alinhado com as artimanhas de Rubens Lopes e Eurico Miranda, lamentável!!!
Não sabemos como será o posicionamento da FIFA em relação a criação desta liga, a entidade maior do futebol mundial poderá embargar esta possível solução, vamos aguardar o final disso tudo.

Obs 1: Seria uma utopia a criação desta liga, passando pelo julgo da FIFA, COMEBOL, CBF e a própria FERJ, entidades viciadas a uma legalidade calcada na politicagem e nos esquemas de poder? De qualquer forma, esperamos a luta dos nossos dirigentes por um futebol mais democrático.

Obs 2: Mais do que as ofensas proferidas por um biltre do naipe deste tal Rubens Lopes, que atingiram a honra do presidente Eduardo Bandeira de Mello, a instituição Flamengo também foi violentamente agredida, assim como todos nós simples torcedores do Clube. Agora o que era uma discussão, virou guerra, sem tréguas. Esperamos que o Flamengo do alto de sua importância e grandiosidade vá as últimas conseqüências para fazer valer os seus inalienáveis direitos e que exija pleno respeito de quem hoje lamentavelmente dirige os destinos do futebol de nosso estado.

 

Histórias Rubro-Negras

ERA O FLAMENGO 
Todas as cordas de meu coração se afrouxaram como se num cabo-de-guerra um dos lados cedesse, de repente. Senti-me capaz do grito da vitória e podia abrir o peito no desabafo total. Era o Flamengo na última cartada para o título que só podia ser mesmo dele. Lembrei-me de outras datas, dos anos de 1939, de 1944, na tarde gloriosa do tricampeonato. Mais uma vez dobrávamos as forças do adversário que fora um leão no estádio. Agora repetia-se o feito de 1953. Lá em baixo recolhia-se o Vasco para voltar no próximo campeonato como rival de muitas bocas de fogo. Tudo fora feito conforme o valor da nossa gente. Éramos bicampeões legítimos, embora houvesse um chorinho de quem não tem fôlego para agüentar as horas amargas. 
Então pude ver a cidade na alegria maior. As estrelas faiscarem no céu da praça de esportes, uma lua que jamais esquecerei porque viera de propósito, para beijar os heróis da contenda. E com as estrelas e a lua, a doce música carioca baixou nos morros, das praias, das ruas, para louvar aos que lhes eram os amigos do coração. Era o Flamengo no mastro da vitória, no convívio do povo que é ele próprio. Vi a alegria de uma cidade que se dava inteiramente aos seus eleitos, aos que lhe ofertaram, naquela noite de conto oriental, uma vitória soberba. Por toda parte o povo na efusão de uma alegria maciça, de uma alegria capaz de fazer esquecer as desgraças do mundo e as incertezas do Brasil. Há no Flamengo esta predestinação para ser, em certos momentos, uma válvula de escape  às nossas tristezas. Quando nos apertam as dificuldades, lá vem o Flamengo e agita as massas sofridas um pedaço de ânimo que tem a força de um remédio heróico. Ele não nos enche a barriga, mas nos inunda a alma de um vigor de prodígio. 
Vindo descendo para o centro da cidade o povo na cantoria feliz, gente de todas as cores, cadilacs arvorando bandeiras, e a "moçada" do debique de inveja, no ruído consagrador do triunfo. Não era uma classe, nem uma raça, que se rejubilava. Era aquilo que se chama povo que é mais alguma coisa que as massas. Era o meu Flamengo, na sua universalidade brasileira, clube que não tem donos ricos nem pobres que reclamam. Todos só querem o Flamengo na ponta. E, quando nos infligem derrotas, não nos entregamos ao pessimismo molengo. Ao contrário, crescemos na adversidade. E não nos degradam as lutas internas que nos possam conduzir a sucessões suicidas. Brigamos em família para nos unirmos nos momentos precisos, nas horas de borrasca. Quando contra nós se acirram os ódios, os flamengos se fazem um bloco que a tudo resiste. 
Passava-me tudo isto pela cabeça na interrupção do tráfego. A conquista do título me saturava a alma, dando-me sangue-frio para olhar o Flamengo em corpo inteiro. Lá ia ele, na negrada dos morros, nos automóveis caros, no entusiasmo de uma classe média que o tinha na conta de um bem de família. O Flamengo campeão, era mais alguma coisa que um feito esportivo, era uma alegria nacional. Não há exageros naquela hora. Por todo o Brasil, do norte e nordeste, centro este aos confins do Rio Grande, havia gente assim como aqueles que batiam tambores com o coração lavado de jubilo pela glória daquela noite. Flamengo! A cidade inteira gritava. Lá havia flamengos pelas ruas, pelas janelas, pelos cafés. O Rio de Janeiro, na noite quente de fevereiro, cantava, bebia, dançava, para festejar seu clube, como se fosse um santo padroeiro. Era o Flamengo...
 
Texto do grande escritor e acadêmico rubro-negro José Lins do Rêgo por ocasião da conquistar do bicampeonato carioca de 53 e 54 e publicado no Jornal O Globo em 5 de fevereiro de 1955.

SRN


Comentar pelo Site

Nenhum Comentário
Seja o primeiro a comentar essa notícia.