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Flamengo encara mau momento no Brasileiro sem "escudo" fora de campo

Demora para contratação de diretor executivo deixa o clube sem figura de liderança no Ninho. Interino, Fred Luz não é do ramo e tem cotidiano distante do elenco

Luz apagada no comando do departamento de futebol do Flamengo. Em meio à pior crise de resultados desde o início da gestão Bandeira de Mello, o clube designou ao CEO Fred Luz a função de diretor executivo da pasta. Passada a primeira semana do cargo, porém, o elenco ainda carece de uma figura de liderança nos bastidores. Se Paulo Pelaipe muitas vezes era questionado por ser enérgico demais, o interino na condição de homem forte do futebol tem contato praticamente nulo com os jogadores e se resume a funções burocráticas.

O episódio desta sexta-feira, quando Felipe faltou o treinamento da manhã e alegou, somente durante a tarde, ter se confundido com o horário da atividade, por sinal, evidencia isso. Após o goleiro se posicionar, coube ao vice de futebol, Wallim Vasconcellos, e ao treinador Ney Franco debaterem a posição do clube a respeito do caso, que será revelada no sábado. O jogador, inclusive, se comunicou com o supervisor Sergio Helt, que trata basicamente da logística do time.

Jogadores do Flamengo treinam sem caneleira e com meia soquete (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)Jogadores do Flamengo treinam sem caneleira e com meia soquete (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

A mudança de comportamento dos jogadores sem a figura de um líder nos bastidores, por sua vez, pode ser vista já nos dias seguintes das demissões de Jayme e Pelaipe, quando parte do grupo descumpriu uma cartilha para os treinamentos. A proibição de trabalhar com meia curta e a obrigação do uso da caneleira foram ignorados (veja na todo acima), mas o próprio Ney entrou em ação e já a partir de seu segundo dia de trabalho, na quinta-feira, dia 15, tudo voltou ao normal.

Presente nos treinamentos de segunda e terça-feira no Ninho do Urubu, e na partida com o Bahia, Fred Luz sequer organizou uma reunião com o grupo para uma apresentação coletiva formal ou apontar diretrizes no período em que ficará na frente do departamento. O comunicado de que ficará no lugar de Paulo Pelaipe enquanto o clube busca um nome no mercado aconteceu individualmente com algumas lideranças no centro de treinamento.

O elenco trata a situação com naturalidade, mas sente falta de um "escudo". Questionados sobre o dirigente, muitos responderam com "nunca falei com ele" ou "não tenho intimidade". Após o empate com o Bahia, por 1 a 1, com um gol no fim e atuação abaixo da média, Fred Luz apareceu calado e discreto no vestiário. No dia seguinte, mesmo com o turbilhão de críticas que o time tem sofrido, não apareceu no Ninho do Urubu. Nesta sexta-feira, ele também esteve no CT, mas trabalhando da mesma forma.

Estou interinamente, é mais para dar um apoio, mas naturalmente não é uma figura como a do Pelaipe. É absolutamente natural. Estamos sem diretor por um tempo, estamos buscando, e estou suprindo essa ausência mais para dar apoio
Fred Luz

Apesar da presença mais próxima do futebol, Luz tem ficado restrito a ações burocráticas, administrativas, até por não ser especialista no ramo. Neste caso, até mesmo o antecessor, Pelaipe, se reportava ao CEO para informar de suas decisões. Desta vez, porém, mesmo estando no convívio, é o supervisor Sérgio Helt quem faz a ponte e informa sobre as necessidades, seja do departamento em si ou dos jogadores.

Questionado sobre a função que desempenha neste organograma temporário do futebol rubro-negro, Fred Luz admitiu que sua presença no centro de treinamento não tem a mesma imponência de um profissional da função:

- Estou interinamente, é mais para dar um apoio, mas naturalmente não é uma figura como a do Pelaipe. É absolutamente natural. Estamos sem diretor por um tempo, estamos buscando, e estou suprindo essa ausência mais para dar apoio.

Outra peculiaridade na realidade do novo diretor executivo temporário é a ausência em uma das principais atribuições da pasta: as contratações. O vice de futebol, Wallim Vasconcellos, é quem tem agido no mercado, sempre em parceria com o vice de marketing, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e o vice de finanças, Rodrigo Tostes. As ações rubro-negras neste sentido, entretanto, ainda são tímidas, e muitas vezes a iniciativa de empresários oferecendo nomes. Um dos que surgiram recentemente foi o do atacante Kléber, do Grêmio, mas as conversas não avançaram.

No organograma atual, quem poderia suprir essa carência de líder no departamento de futebol é o vice, Wallim Vasconcellos. O dirigente, por sua vez, mantém a rotina de visitas raras ao centro de treinamento, como acontecia na gestão Pelaipe. Ausente também no empate com o Bahia, ele esteve no Ninho pela última vez na quarta-feira, dia 14, quando apresentou oficialmente Ney Franco como novo treinador.

Com esse organograma empresarial, o Flamengo encara a reta final do Brasileirão antes da parada para Copa do Mundo. Até lá, serão três jogos: contra Santos, Figueirense e Cruzeiro. A realidade na tabela é cruel, com a 16ª colocação, com somente cinco pontos em seis jogos, e o torcedor já deu mostras recentemente de que a paciência está chegando ao fim.

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