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Funcionária presente em tragédia do Ninho abre o jogo e detona postura da diretoria do Fla: “Estavam me explorando”

A maior tragédia já ocorrida na história do Flamengo ainda deixa sequelas nos funcionários do clube que estiveram presentes no incêndio que resultou na morte de dez jovens da base do Mais Querido. Com Daniele da Silva não foi diferente. A auxiliar de serviços gerais foi a primeira pessoa a presenciar o desastre e foi demitida pelo Fla no último dia 24 após cinco anos trabalhando no local. Em entrevista ao Jornal O Dia, a servidora divulgou detalhes do que aconteceu no trágico dia 08 de fevereiro de 2019.

– Não usei extintores. Porém, vi que apenas um funcionou, do total de cinco. Neste dia, cheguei por volta de 05h50 ao Ninho, passei pela portaria central, bati meu ponto, dei bom dia ao segurança de plantão e desci. Chegando lá, estava tudo normal. Depois de um tempo, avistei uns atletas na porta do contêiner e uma fumaça preta com clarão saindo pelo teto. Saí correndo para a portaria, onde havia passado alguns instantes antes, e chamei o segurança. Ele veio correndo para ajudar.

– Quando chegamos em frente ao contêiner, o fogo já estava intenso. Foi muito rápido. Fiquei parada vendo aquilo tudo na esperança de não ter mais ninguém lá dentro. Mas logo saiu um menino e disse: ‘tia, tá cheio de gente lá dentro’. Eu pirei na hora. O fogo já tinha tomado conta da única porta de entrada do contêiner.

Além dos problemas enfrentados no dia da tragédia, como o funcionamento de apenas um extintor de incêndio, Daniele também revelou que precisou voltar a trabalhar no CT Ninho do Urubu uma semana após o acontecimento. Ademais, a ex-funcionária disse que faltou ‘bom senso’ dos responsáveis por a colocarem para trabalhar novamente no local. Ela também alegou que não pediu demissão de seu cargo, como foi divulgado pelo clube.

– Estavam me explorando no Ninho. Era auxiliar de serviços gerais, mas o Luiz Humberto me colocava na função de camareira, arrumando camas e quartos. Acho que eles não tinham como me manter como funcionária para sempre, mas o Gerente do CT e chefe de RH sabiam do trauma que vivi enquanto eles estavam em suas casas dormindo.
– Eu tinha dito que se fosse para trabalhar no Ninho, passar esse sofrimento, essa depressão, era melhor que me mandassem embora. Eu não pedi a demissão. Eu falei no ar e eles levaram a sério. Levaram para o coração. Com um salário de R$ 1 mil dentro de uma pandemia, ia preferir ficar sem emprego?

Publicado em colunadofla.com.