GE: “Brilho em acessos e fracasso no Guarani: o que fez Barbieri antes da chance no Fla”

GE: “Brilho em acessos e fracasso no Guarani: o que fez Barbieri antes da chance no Fla”

Acessos para elite dos dois principais estaduais do país, fama de estudioso, convivência com Mourinho em estágio no Porto e decepção na única chance que teve em clube de massa. Essas são as credenciais de Mauricio Barbieri, que vê cair em seu colo a chance de abrir o Brasileirão como treinador do Flamengo. Enquanto o clube não se encontra no mercado, a vez é dele.

Contratado no início de 2018 como auxiliar permanente, o jovem de 36 anos divide opiniões na diretoria a respeito de uma efetivação. As decepções recentes e o peso de um ano eleitoral pendem para um nome mais experiente, mas a carência de opções dá a Barbieri lastro para se tornar um “novo Zé Ricardo”. Panorama diretamente ligado a um início muito bom de Brasileirão.

Entre os entusiastas da ideia está o novo executivo do futebol, Carlos Noval, velho conhecido de Barbieri. Há quatro anos, o então diretor da base sugeriu a contratação do treinador que começava uma carreira de sucesso em clubes de menor investimento levando Audax e RB à Primeira Divisão dos campeonatos Carioca e Paulista, respectivamente.

Era o início de trajetória de um jovem que, ainda recém-formado, teve um professor de luxo: José Mourinho, na época em que foi campeão da Champions League pelo Porto, em 2004. Então estagiário das categorias de base do clube europeu, ele aproveitou para observar de perto o “Special One” e trouxe na bagagem a filosofia de jogo do português.

O sucesso no RB, clube que levou às quartas de final do Paulistão por dois anos, chamou a atenção do Guarani, no ano passado. E foi justamente no maior desafio da carreira, um clube de tradição e com pressão de torcida, que Barbieri decepcionou.

O sonho do acesso se transformou rapidamente em frustração e o discreto treinador se viu em rota de colisão com a torcida após uma entrevista onde disse não dar ouvido aos questionamentos. Pouco depois, foi demitido com apenas seis partidas e tentou se explicar sobre o episódio.


Queria me desculpar pelo mal-entendido. Em nenhum momento eu disse que ignoro a torcida. Só falei que, como comandante, eu preciso saber separar as coisas e analisar a situação com mais lucidez.


O último degrau antes do Flamengo foi o modesto Desportivo Brasil, conhecido por revelar jovens promessas. Em menos de seis meses, montou a equipe eliminada nas quartas de final da Copa Paulista, para Portuguesa, e deixou boa impressão:

Metódico, calado e estudioso, sempre estava na sala com os analistas táticos e de desempenho. Adepto do 4-3-3, não abre mão de um atacante de área e de uma rápida recomposição, priorizando a marcação alta sem a bola. No Desportivo, Barbieri demonstrou não ter problema em “barrar” nomes mais conhecidos. Dinelson, ex-Corinthians, e Rodriguinho, ex-Flu, podem ser considerados medalhões no interior paulista e eram opções no banco – analisou Emílio Botta, que acompanhou o time de Porto Feliz pelo GloboEsporte.com.

No Flamengo, a grande chance da carreira caiu no colo. Muito didático, o jovem conquistou a simpatia do elenco. O caminho até uma efetivação, entretanto, ainda é longo e depende de vitórias. Se Audax, RB e Desportivo Brasil mostraram um treinador estudioso, o Guarani ligou o alerta para um fator que encontrará de sobra no Ninho: pressão.

Reprodução: Globo Esporte