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Gritos, discussão e faltas técnicas: os ecos de um Vasco x Fla sem torcida

Com os portões fechados por falta de policiamento da PM, silêncio cria atmosfera diferente no clássico e sons da quadra predominam na Arena da Barra neste sábado

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Sem torcidas nas arquibancadas, já que a Polícia Militar alegou não ter efetivo, e o Cruz-Maltino, mandante no duelo, e Liga Nacional de Basquete (LNB) optaram por manter o confronto na Arena da Barra, o que se via eram as cadeiras vermelhas vazias, e o que se ouvia eram os sons que ecoavam da quadra. Não fosse a música que saía dos alto-falantes durante o aquecimento e o intervalo, a "trilha sonora" do clássico teria sido apenas as batidas da bola no chão, as muitas orientações dos treinadores Dedé Barbosa, do Vasco, e José Neto, do Flamengo, nos pedidos de tempo técnico, as indicações feitas entre os atletas das jogadas que deveriam ser feitas e o arrastar dos tênis no piso de madeira nas passadas na correria do confronto (confira acima um compilado de momentos do confronto que mostram a atmosfera atípica).

Em alguns momentos, ficou evidente inclusive como o silêncio atrapalhou os árbitros do jogo, Cristiano Jesus Maranho, Guilherme Locatelli e Jacob Cassimiro Barreto. Diferentemente dos jogos com torcida, quando algumas reclamações dos atletas sequer são notadas, dessa vez nada passou batido pelos juízes. Assim, as discussões entre eles e os jogadores de ambas as equipes foram recorrentes. Ao todo, foram quatro faltas técnicas - sendo uma em cada banco e duas para o jogador Marquinhos, do Flamengo, que acabou excluído.

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O camisa 11 do Rubro-Negro já estava em rota de colisão com os árbitros. Primeiro, levou uma falta técnica porque gritou na hora em que o rival Nezinho se preparava para arremessar de fora do garrafão. O jogador do Vasco da Gama acabou acertando, mas ganhou mais um lance livre (confira no vídeo abaixo)

Mais tarde, foi a vez de Marquinhos ir para a linha de lance livre. O jogador do Flamengo ficou gesticulando, reclamando e alegou ter ouvido um grito vindo do banco de reservas do Vasco da Gama. Ao reclamar com o árbitro, falou: "Não tem torcida aqui!", querendo mostrar que foi uma forma dos vascaínos de atrapalharem sua cobrança. Mas o juiz deu sua segunda falta técnica no confronto. Por isso, ele acabou tendo de sair direto para o vestiário. Bem irritado, o camisa 11 do time da Gávea seguiu criticando a arbitragem e disse que o Rubro-Negro sempre é prejudicado.



Se já reclamavam antes do confronto pelo fato de não conseguirem jogar um clássico com ambas as torcidas, visto que, desde o retorno do Vasco da Gama ao basquete profissional, as equipes se enfrentaram seis vezes, todas elas sem as duas torcidas (Vasco venceu quatro, Flamengo venceu duas, além de uma em que o Rubro-Negro ganhou por W.O. na final do Estadual e se tornou campeão), esses lamentos aumentaram depois do jogo deste sábado. Apesar do triunfo, os vascaínos não esconderam que a atmosfera ficou muito aquém do que esperavam para um duelo tão importante. Para eles, o silêncio atrapalhou muito também.

- O jogo fica mais difícil, né? Você chama uma jogada e todo mundo já sabe. O jogo fica mais truncado, é complicado. O jogo foi nível de Flamengo x Vasco sim, mas eu fico triste. Queria que estivessem aqui as duas torcidas. Não queria perder essa oportunidade. Não sei se no futuro terei outras chances - avaliou Nezinho, do Vasco.

O técnico Dedé Barbosa, do Vasco da Gama, disse que, apesar do resultado positivo, não gostou de vivenciar um confronto em total silêncio e lamentou pela arbitragem, mas não culpou os árbitros pelos problemas, já que os atribuiu à atmosfera atípica.

- Em termos de banco, todo mundo escuta todo mundo, então foi um jogo muito atípico. A arbitragem foi horrível. Foi muito difícil de apitar, não dá para culpar. É uma pena não ter as duas torcidas, porque esse ginásio merecia isso. É pior para arbitragem, porque é da essência, é cultural. A gente como brasileiro precisa aprender a se portar melhor com os árbitros, por exemplo, os atletas, temos que melhorar isso aí - explicou Dedé.

Para José Neto, que acabou tendo de lidar com expulsão de seu melhor atleta na partida, já que Marquinhos foi o cestinha com 27 pontos e ainda deu cinco assistências, foi "muito ruim".

- Talvez para quem está fora dá para entender mais o que falamos, apesar de ter muita coisa de código, de estratégia. Mas é muito ruim, né? Por causa disso acabam acontecendo algumas coisas durante o jogo. Muda um pouco. Eu preferia que estivesse lotado e ninguém escutasse nada - garante o técnico José Neto.

Assim que a bola subiu em quadra, já deu para ouvir os comandantes e suas comissões gritando para seus atletas. Dedé Barbosa chamava Drudi incessantemente. Depois, falou: "Cuidado no bloqueio". José Neto, por sua vez, seguia mais quieto que o treinador rival, mas aos poucos se soltou. Muitas palmas do banco rubro-negro quando Lelê abriu o placar. Gritos de comemoração quando Murilo errou uma bandeja na sequência. As vozes se confundiam, e só eram interrompidas pelo apito dos árbitros (confira os melhores momentos abaixo).




Nos pedidos de tempo técnico, ouviam-se as vozes dos treinadores ao fundo, as conversas de jornalistas e funcionários das duas equipes que ocuparam algumas das cadeiras vermelhas, e os passos de algumas dessas pessoas subindo escadas. A voz de Dedé Barbosa predominava: "Roda! Roda! Roda", gritava ele para Nezinho e Jackson na armação. O Vasco começou a se soltar, e José Neto passou a falar mais também: "Olha o passe, olha o passe! Ritmo, ritmo, vamos". No ponto de Olivinha, ele festejou.

Do lado oposto do banco de reservas, dirigentes do Flamengo como Marcelo Vido, diretor executivo de basquete, comentavam as jogadas e torciam. "Sem falta, sem falta, só cerca", orientava Vido no ataque cruz-maltino. Eles festejavam cada bola rubro-negra que caía e reclamavam a cada falha. No mesmo setor da arquibancada, funcionários vascaínos, como o vice de esportes de quadra Fernando Lima, estavam mais contidos. Durante o pequeno intervalo entre a primeira e a segunda parciais, um funcionário da Arena da Barra avisou que alguém havia esquecido as lanternas de um automóvel acessas no estacionamento. O anúncio ecoou pelas arquibancadas. Depois, deu para ouvir perfeitamente quando o árbitro de fundo discutiu com Marquinhos e disse ao jogador do Flamengo: "Você fica falando, falando demais, fica chato". O Rubro-Negro terminou a primeira parcial na frente: 22 a 11.

Na segunda parcial, o Vasco foi chegando perto, e Dedé passou a fazer mais elogios. Palacios entrou em quadra para comemorar um ponto de Nezinho e abraçou seu colega: "Vamos, Nezinho, vamos!". O hermano gritou o nome do companheiro ainda mais quando ele empatou o duelo na sequência em bola de três (29 a 29). Quando o juiz marcou antidesportiva de Nezinho em cima de Marquinhos, Dedé Barbosa se dirigiu ao árbitro e disse, irritado: "Ele faz falta por trás e você não dá antidesportiva". O armador do Vasco foi conversar com a arbitragem e indagou: "O que eu faço então?". Nos pedidos de tempo técnico, vendo que os adversários podiam ouví-los facilmente, os técnicos baixaram o tom de voz. Apesar da reação cruz-maltina, a boa atuação de Mineiro fez o Flamengo seguir em vantagem para o intervalo: 38 a 35.


No intervalo, dos alto-falantes passaram a sair músicas de rap e hip-hop. O locutor começou a anunciar também nomes de patrocinadores. As habituais ações de marketing dos clubes que ocorrem nos jogos em São Januário, na Gávea e no Tijuca Tênis Clube ficaram de fora dessa vez, visto que não havia torcedores presentes. Portanto, as canções seguiram tocando durante o período em que a bola ficou parada. 

A virada do Vasco veio na terceira parcial, impulsionada pelos gritos de Dedé Barbosa e pela boa atuação de Nezinho. O banco cruz-maltino batia palmas e celebrava, principalmente quando o quinteto em quadra abriu sete pontos (58 a 51). José Neto estava mais quieto e pensativo e, na hora do tempo técnico, deu para ouvir o comandante do Vasco, mas nada da voz do treinador do time da Gávea. Só foi possível escutá-lo quando ele discutiu com o árbitro e falou: "Você não pode me punir por falar".

O juiz retrucou: "Já falou uma, duas, três vezes. Chega!". Depois, foi a vez de Dedé Barbosa se desentender com a arbitragem por conta de uma falta técnica não marcada: "Não tem cabimento isso". E quem tomou a técnica foi ele. Ao soltar um palavrão. Dedé, porém, retrucou com o árbitro: "Eu estava conversando com a minha defesa". O confronto ficou equilibrado, e o técnico do Vasco colocou Márcio Dornelles: "Márcio, você no 11 (Marquinhos)". Pouco depois, o cronômetro anunciou o fim da parcial: 64 a 59 para o time da Colina.

Na última parcial, o jogo voltou mais equilibrado ainda. Os atletas disputavam ponto a ponto, e o banco rubro-negro estava agitado. Deu para ouvir um celular tocando quando o barulho dos jogadores parou um pouco. As indicações de Dedé Barbosa eram ouvidas por toda a Arena. Após virada vascaína, Marquinhos ficou discutindo com a arbitragem. Dessa vez não deu para ouvir porque o banco do Vasco fazia uma comemoração ensurdecedora. Depois, quando Marquinhos tentou de três e sofreu falta, foi a ver de os rubro-negros comemorarem o direito a lances livres. A cada um dos convertidos, gritos de "Boa, Marquinhos! Isso!". Mas o jogador do Flamengo estava irritado, dizendo que o banco do Vasco estava gritando durante os chutes: 

"Não tem torcida, não pode isso", dizia ele. De tanto reclamar, o camisa 11 acabou excluído e, no caminho para o vestiário, saiu dizendo: "Não tem torcida. A gente não pode ser prejudicado assim". O jogo estava empatado, mas o Vasco tomou a frente de novo, e Olivinha desperdiçou um lance livre, soltando um palavrão de lamento. O Fla virou atacando forte, e o banco vibrou. Dedé Barbosa pediu tempo. Depois de confusão na defesa do Fla, Fiorotto foi esperto, fez a finta e, no contra-ataque, sofreu a falta, indo para a linha de lance livre, mas não sem antes gritar muito festejando. Ele acertou um e botou o outro em jogo para gastar tempo. No ataque rubro-negro, a bola bateu no pé de Murilo, e o jogo foi parado para orientações. Mas não deu para fazer mais nada, e o Vasco venceu por 78 a 77. Após o término, só o hino do Vasco e os gritos de "casaca" ecoavam pela Arena, com os jogadores em uma roda no centro de quadra.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/basquete/nbb/noticia/2017/01/gritos-discussao-e-faltas-tecnicas-os-ecos-de-um-vasco-x-fla-sem-torcida.html

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