Guerrero chega a Buenos Aires para treinar em centro de alto rendimento

Guerrero chega a Buenos Aires para treinar em centro de alto rendimento

O atacante peruano Paolo Guerrero, que cumpre suspensão por doping até maio, desembarcou nesta sexta-feira em Buenos Aires acompanhado da namorada Thaisa Leal. Ele passará algumas semanas na capital argentina para treinar em um centro de alto rendimento.

“O técnico (Ricardo Gareca, da seleção peruana) quer que eu me prepare bem. Tenho amigos que me ajudaram a tomar uma decisão, tenho muitos conhecidos... muita gente que me ajuda neste aspecto. Decidi vir pra cá, sair um pouco do cotidiano. Fazer um pouco de atividade física aqui em Buenos Aires, tenho mais tranquilidade”, disse Guerrero, em entrevista à Espn.

“Quero voltar o mais rápido possível. É uma coisa (punição) que eu não devia estar pagando. É uma injustiça”, acrescentou o artilheiro.

O jogador disse que ainda não tem uma data certa para voltar ao Brasil.

“Não tenho uma data determinada... Mas depois volto ao Brasil. Tenho contrato com o Flamengo. Resolvendo a situação, quero voltar a jogar logo... É o que mais quero”, finalizou.

Lembrando que o contrato de Guerrero com o Flamengo vai até agosto deste ano. O clube quer renovar o vínculo até dezembro.

GUERRERO ACIONA O CAS PARA ANULAR PENA

O peruano Paolo Guerrero aguarda até o final de fevereiro para o julgamento em última instância de seu processo por doping. A data da audiência, que precisa ser corroborada pela Fifa, ainda não foi estipulada. Guerrero e sua equipe de defesa voltarão a Suíça para esta última etapa, na sede da Corte Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne.

Na segunda-feira, mais de um mês após a redução da pena, a defesa do jogador conseguiu acionar o CAS, terceira e última instância deste processo.

No último dia 20, a Comissão de Apelação da Fifa diminuiu pela metade a suspensão ao jogador, ao decretar seis meses de afastamento dos campos, após Guerrero ser flagrado em exame antidoping para a benzoilecgonina, um metabólito da coca ou da cocaína.

A Fifa, porém, demorou para concluir a fundamentação desta decisão e por isso a defesa não conseguiu enviar documentação ao CAS antes desta data.

Guerrero começou a ser julgado em 30 de novembro, pela Comissão Disciplinar da Fifa, que aplicou punição de um ano de suspensão (conhecida em 8 de dezembro). O jogador acionou a segunda instância e conseguiu redução de pena. Ainda assim, Guerrero optou por chegar ao CAS porque quer anulação da pena.

Por ora, Guerrero estará elegível a partir de 3 de maio, a tempo de jogar a Copa do Mundo em junho, na Rússia.

BUSCA POR 'FICHA LIMPA'

Guerrero já havia ficado satisfeito com a diminuição da pena e com a possibilidade de voltar aos gramados antes do Mundial. Mas, segundo seus advogados, quer "ficha limpa" e por isso apelou ao CAS. O contrato do atleta segue suspenso pelo Flamengo, que o aguarda em maio. O vínculo se encerra em agosto.

A defesa do atleta foi coordenada pelo advogado Bichara Neto, Pedro Frida e Marcos Motta. Chegou a ganhar reforço do espanhol Juan de Dios Crespo, que defendeu Messi de suspensão nas Eliminatórias da Copa de 2018, na reta final. O stafe do jogador teve ainda o bioquímico L.C. Cameron, coordenador do Laboratório de Bioquímica de Proteínas da UNIRIO, e chegou a usar o caso de três múmias, encontradas na Cordilheiras dos Andes em 1999, para reforçar a tese de inocência do jogador.

Os três corpos foram encontrados praticamente preservados e, em uma das meninas, a mesma substância encontrada no camisa 9 também foi achada em seus restos mortais. Um estudo realizado por universidades britânicas, peruanas, dinamarquesas e argentinas revelou que uma quantidade do metabólito seguia resistindo.

Guerrero, que chegou a treinar na praia para manter a forma, teve doping positivo para benzoilecgonina, um metabólito da coca ou da cocaína, após consumir chá de coca ou com mistura com a folha de coca, em hotel no Peru.

Na ocasião, ele estava hospedado em um hotel, com a seleção de seu país, antes da viagem para a Argentina, para confronto pelas Eliminatórias. E conforme O GLOBO antecipou, a defesa do jogador admitiu o consumo do chá de coca, mas sem o conhecimento do atleta. Ele teria sido receitado pela nutricionista da seleção do Peru e servido pronto para o atleta. Não houve contaminação cruzada na fabricação do chá, consumido por ele na ocasião.