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Inspiradas nas sereias, atletas do Fla viram artistas e criam grupo de shows

Com americanas do Aqualillies como espelho, nadadoras rubro-negras integram o Sirenas, que faz performances acrobáticas, e deixam sonho das Olimpíadas de lado

Além de deuses e mortais, a mitologia grega é recheada de criaturas fantásticas. Muitas delas, híbridas. Entre as mais famosas estão as sereias, cujos corpos são metade de mulher, metade de peixe. Há muitas referências na literatura, e uma das mais comuns é que seu canto doce atraía os marinheiros. E foi justamente essa história que inspirou seis atletas da equipe sênior do nado sincronizado do Flamengo a criarem o grupo Sirenas (Sereias em espanhol). Afinal, elas passam grande parte do tempo debaixo d'água. As meninas pretendem popularizar no Brasil uma forma de entretenimento já famosa em países como os Estados Unidos, onde o grupo Aqualillies, outra inspiração das atletas do clube da Gávea, faz muito sucesso com apresentações acrobáticas em piscinas de Miami, Las Vegas, Nova York e San Francisco. As estrangeiras também se apresentam no Canadá (Calgary, Toronto e Vancouver) e já fizeram eventos e gravações para clientes como o cantor pop Justin Timberlake, o seriado Glee, a Disney World, as Kardashians, entre outros (assista a uma das performances das americanas)

flamengo nado sincronizado sirenas (Foto: Cherry Rocha e Ju Martins)Atletas do Flamengo possuem grupo de performances chamado Sirenas (Foto: Cherry Rocha e Ju Martins)

 

Maria Eduarda Wolf, a Duda, as gêmeas Daniella e Gabriella Figueiredo, Maria Eduarda Werneck, a Dudinha, todas de 22 anos, Camila Ururahy, de 25, e a caçula Giovanna Bueno, com 20, são as criadoras das Sirenas. As esportistas, que se conhecem e treinam juntas desde bem mais novas, contam que o grupo tem apenas um mês oficialmente, mas a ideia já existe há anos. Tudo começou quando elas foram chamadas para fazer um comercial para uma rede de lanchonetes fast-food americana, veiculado apenas nos EUA.

- Ficamos no Flamengo aquele dia gravando das 23h às 5h. Muito legal. Fizemos coreografia até com fogo. Estávamos no juvenil. Fizemos apresentações performáticas, fora de competição, no Copacabana Palace (hotel famoso no Rio de Janeiro), no programa "Caldeirão do Huck", da TV Globo, na casa da atriz Claudia Raia, gravamos novela, entre outras coisas. Fomos evoluindo e pensamos em fazer um grupo totalmente direcionado para isso - disse Camila Ururahy. 

nado sincronizado sirenas flamengo (Foto: Gabriel Fricke)Atletas do nado sincronizado do Flamengo são amigas dentro e fora da piscina (Foto: Gabriel Fricke)

 

As atletas possuem participações em competições internacionais e muitos títulos pelo Flamengo. Só de campeonatos brasileiros, são dez. Em novembro, disputarão mais uma edição, desta vez, em São Paulo. Mas, apesar de seguirem se dedicando ao Rubro-Negro, elas não se mostram muito esperançosas em relação a competições de grande porte, como as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. Atualmente, nenhuma delas faz parte da seleção brasileira da modalidade.

Além disso, segundo elas, é comum que atletas do nado sincronizado se aposentem de competições aos 27 anos. Por isso, todas resolveram fazer faculdade e investir tempo no Sirenas como uma alternativa de seguir no esporte. A única formada é Camila, que é fisioterapeuta, mas faz pós-graduação em marketing esportivo. Dentre as áreas escolhidas por elas estão direito, gastronomia, medicina e psicologia.

- Treinamos de segunda a sábado para o Brasileiro e, de vez em quando, tiramos uma horinha ou outra só para o Sirenas. Sempre foi um sonho nosso ir às Olimpíadas, mas, na vida, temos que fazer uma opção e foi o que fizemos, porque chega uma hora que você vê que não é só isso. Nossa carreira como atleta acaba muito cedo, né? Por isso também temos o grupo. E nos preparamos muito para defender o Flamengo como sempre - relatou Dudinha.

mosaico sirenasflamengo nado sincronizado sirenas (Foto: Cherry Rocha e Ju Martins)Meninas fazem ensaios para alavancar o grupo Sirenas (Foto: Cherry Rocha e Ju Martins)

- Todas treinam juntas há pelo menos oito anos. Algumas, há 15. Praticamos seis vezes por semana, de segunda a sábado. Viajamos juntas, saímos, fazemos tudo, é uma família. Agora queremos que esse entretenimento dê certo, que divulgue o esporte, que precisemos trazer mais meninas para cá, que possamos estar juntas e viver do esporte que amamos - acrescentou Daniella, estudante de direito e modelo.

O grupo Sirenas conta com a ajuda da técnica Roberta Perillier, a Beta, que é a treinadora das meninas no Flamengo, além do auxílio do preparador rubro-negro e da seleção brasileira, Carlos Alexandre Assis, que, de acordo com elas, dá dicas preciosas em relação a como manter a forma para estar bem para as performances. As meninas afirmam que a principal diferença de um torneio para um show é que, no segundo, elas se soltam muito mais. Além disso, têm a liberdade de utilizar fantasias e acessórios para dar um colorido especial às apresentações.

- Na competição, encaramos o juiz, não o público. E isso é muito legal, ficamos muito mais livres no show. Fizemos uma apresentação na casa do presidente do BNDES, por exemplo, em que uma menina deu um mortal. E uma mulher deu um grito, empolgada, foi muito engraçado (risos) - lembrou Camila. 

nado sincronizado sirenas flamengo (Foto: Gabriel Fricke)Elas treinam para o Brasileiro, que será em novembro, em São Paulo (Foto: Gabriel Fricke)

 

- Em um torneio temos que seguir uma parte técnica muito específica. A Beta, que é nossa técnica no Flamengo, nos orienta. Ela nos organiza, e é muito importante. E com o Sirenas, ela também pode se soltar mais. Testamos coisas artísticas que não podemos usar em uma competição - completou Duda.

Mesmo com tanto treinamento e "pensando 24h por dia no Sirenas", como elas dizem, há imprevistos. E as meninas riem disso. Elas lembraram algumas das situações mais curiosas que já passaram juntas, antes mesmo de batizarem o grupo com o nome inspirado nas sereias.

- Em uma apresentação no hotel Copacabana Palace, por exemplo, quando chegamos para treinar, não tínhamos (áudio) subaquático, ou seja, não conseguíamos ouvir a música dentro da água. Tivemos que ficar contando os movimentos para acertar, nos comunicando com sons com a boca fechada. Toda música tem uma contagem até oito, que treinamos, e representa um movimento. Fazendo a contagem, sabemos que movimento será, mas é complicado. E tem problemas também como água gelada, piscina rasa, entre outros. Na inauguração do condomínio Península (na Barra da Tijuca), era um gelo. E tem que ficar sorrindo, fingindo que está tudo bem, que está com o sol dentro de você (risos) - brincou Camila.

O próximo compromisso do Sirenas deve ser uma "pool party" (do inglês, "festa na piscina"), muito comum nos Estados Unidos, em novembro, no mesmo mês do Brasileiro, em São Paulo.

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