João Luis Jr.: “Vários fatores podem explicar uma raríssima vitória convincente do Flamengo”

João Luis Jr.: “Vários fatores podem explicar uma raríssima vitória convincente do Flamengo”

Nesse domingo, aconteceu uma série de fenômenos incomuns para o Flamengo de 2018: vencemos, vencemos fora de casa, vencemos fora de casa de maneira convincente, vencemos fora de casa de maneira convincente sem o time em nenhum momento atuar de maneira deliberada para tentar fazer o torcedor abandonar o futebol e decidir que agora só torce pro Flamengo no basquete. E claro, podem ser vários os motivos para essa mudança não apenas do resultado final mas também na atuação e na postura do time.

Primeiro temos a implicação óbvia de que foi a situação de quase conflito direto com a torcida que acordou o time, despertou os brios da equipe, o que vai ser provavelmente a conclusão mais comum, por mais que os jogadores que mais se destacaram na partida sejam exatamente aqueles que a torcida apoiou e não os que ela quase agrediu, já que apesar do belo gol de cabeça, Diego, o mais xingado pelos torcedores no embarque dias atrás, teve mais atuação que consistiu em grande disposição mas pouca contribuição efetiva na criação de jogadas.

Depois temos o fato de que atuamos contra o Ceará, uma equipe que, com todo respeito ao torcedor cearense que lotou o estádio e realizou uma festa gigantesca, não se encontra exatamente entre os favoritos ao título e marcou até agora um ponto em três jogos, o que pode demonstrar que a melhora do Flamengo pode sim ter alguma relação com a fragilidade do adversário – não que o Santá Fé, por exemplo, não seja ele também um adversário que está longe de ser muito forte.

E por fim, temos a mudança tática que resultou na saída de Arão para a entrada do ainda enigmático Éverton Ribeiro, que obrigou Paquetá a atuar mais recuado e comprovar que não existe posição em que esse garoto não possa contribuir com o time e na verdade não foi Paquetá que foi batizado com o nome da ilha mas sim um torcedor rubro-negro do futuro que, após Paquetá garantir para o Flamengo dois títulos mundiais, decidiu voltar no tempo e batizar a ilha com o nome do nosso meia, gerando um paradoxo temporal em que o Paquetá jogador tem esse nome por causa da Ilha de Paquetá mas a Ilha de Paquetá tem esse nome por causa do Paquetá jogador.

Mas tão importante quanto entender se o mérito dessa vitória é da variação tática, da fragilidade adversária ou se o caminho para o hepta essencialmente passa por sessões semanais de pipocoterapia nos atletas e ao menos uma ameaça quinzenal de agressão física contra nossos principais jogadores, é que essa vitória contra o Ceará não seja apenas um ponto fora da curva mas sim um primeiro passo numa trajetória de evolução que com certeza ainda exige muitas melhorias para que o Flamengo alcance o que precisa alcançar.

A equipe segue tendo várias fragilidades, segue dependendo demais dos seus jogadores mais jovens, medalhões seguem sumindo em campo, Renê segue negando a máxima de que “quem tem limite é município”, ao se mostrar um dos jogadores mais limitados que já tivemos a oportunidade de ver. E todas essas são questões que precisam ser resolvidas e cuja solução é muito mais complexa do que apenas cercar o Henrique Dourado na saída de um ônibus ou provocar o Diego Alves até que ele atire um café da manhã completo pra cada torcedor rubro-negro. Mas não podemos negar, é claro, que um Flamengo com mais disposição, mais consciência e menos William Arão já é sim um ótimo começo.

Reprodução: João Luis Jr. | ESPN