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José Neto aposta em uma vitória do Fla na NBA: "Será um feito enorme"

Treinador diz que vive momento especial na carreira e destaca o poder de superação de seus atletas para sonhar com pelo menos um triunfo em solo americano

Flamengo basquete treino estados unidos josé neto (Foto: Divulgação / Flamengo)José Neto acredita que é possível beliscar pelo menos uma vitória nos três jogos da pré-temporada da NBA(Foto: Divulgação / Flamengo)

O técnico José Neto não é de ter medo de desafios. Assim como não titubeou na hora de deixar para trás uma vida confortável em Joinville, Santa Catarina, para assumir seu primeiro grande clube e encarar a pressão de treinar o Flamengo, no Rio de Janeiro, o comandante rubro-negro não teme os três jogos pela pré-temporada da NBA, contra Phoenix Suns, Orlando Magic e Memphis Grizzlies. Muito pelo contrário. Mesmo na casa dos americanos e com a regra deles (entenda as diferenças), o campeão das duas últimas edições do NBB, da Liga das Américas e da Copa Intercontinental de Clubes reconhece que vive um momento especial na carreira e destaca o gosto pela vitória e o poder de superação de seus jogadores para sonhar com pelo menos um resultado positivo nos Estados Unidos.

- Será um desafio muito grande vencer uma partida nos Estados Unidos, contra um time da NBA e com a regra deles, que é muito diferente da nossa. Se conseguirmos isso será um feito enorme, e pelo que eu conheço dessa equipe eles estão pensando nisso. Eles acreditam nessa possibilidade, até porque não costumam se preocupar com a equipe adversária, e sim do que eles são capazes de fazer como grupo. Além do fato deles já terem vivenciado isso e superado outras adversidades. Vamos dar o nosso máximo para conseguir surpreender - afirmou Neto. 

Se isso acontecer não será por falta de conhecimento e preparação. Afinal, a comissão técnica e os jogadores rubro-negros conhecem muito mais o Phoenix Suns do que o técnico Jeff Hornacek e seus comandados sabem sobre o Flamengo. Se o armador Isaiah Thomas mostrou sinceridade ao afirmar após o treino de terça-feira que ainda não teve nenhuma informação de como joga seu adversário desta quarta, na US Airways Arena, o treinador dos donos da casa foi mais cauteloso e disse que já assistiu a alguns jogos do time carioca.

- Não assisti muitos vídeos, mas vi alguns jogos. É uma equipe que movimenta bem a bola como os times europeus, que joga muito duro e que tem bons arremessadores de longa distância. Muitas vezes quando você não conhece tão bem o adversário que tem pela frente é preciso entrar mais focado ainda e realmente jogar basquete - disse o ex-ala do Utah Jazz.

Basquete Flamengo (Foto: Marcello Pires)Jogadores do Flamengo treinam na casa do Phoenix Suns (Foto: Marcello Pires)


O Flamengo enfrenta o Phoenix Suns às 23h desta quarta. Depois, encara o Orlando Magic, no dia 15, às 20h. Por fim, o terceiro e último adversário será o Memphis Grizzlies, dia 17, às 21h (todos os jogos pelo horário de Brasília). OSporTV transmite as partidas ao vivo, e o GloboEsporte.com acompanha tudo em Tempo Real. Os assinantes do Canal Campeão também podem assistir a tudo pelo SporTV Play.

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Independentemente de como o Phoenix se preparou para encarar o Flamengo, o técnico rubro-negro espera aproveitar e absorver toda essa vivência adquirida durante as duas semanas que o o atual bicampeão brasileiro passará no melhor basquete do mundo.

Durante a rápida conversa antes do treino de terça-feira na quadra anexa à US Airways Arena, Neto falou ainda sobre a estrutura do Flamengo, a chegada do campeão olímpico Walter Herrmann, o crescimento da Liga Nacional de Basquete, mais especificamente o NBB, e do desafio que sua equipe terá pela frente de se manter focada e motivada nas competições futuras.

Confira a entrevista na íntegra:

GLOBOESPORTE.COM:Qual o real objetivo do Flamengo nesses três jogos na NBA? O que você acha que esse grupo pode conseguir diante de Phoenix, Orlando e Memphis?
JOSÉ NETO
: Pelo que eu vi no calendário, o Flamengo é a equipe fora da NBA que vai fazer mais jogos na pré-temporada deles. Nenhuma outra equipe vai fazer três jogos. Isso não é pouca coisa. Estamos muito contentes por estarmos passando por esse momento. É incrível a vontade que essa equipe tem de vencer e superar limites. Será um desafio muito grande vencer uma partida nos Estados Unidos, contra um time da NBA e com a regra deles, que é muito diferente da nossa. Se conseguirmos isso será um feito enorme, e pelo que eu conheço dessa equipe eles estão pensando nisso. Eles acreditam nessa possibilidade, até porque não costumam se preocupar com a equipe adversária e sim do que eles são capazes de fazer como grupo. Além do fato deles já terem vivenciado isso e superado outras adversidades. Vamos dar o nosso máximo para conseguir surpreender.

O técnico Jeff Hornacek disse que viu apenas algumas partidas do Flamengo. Você acredita que o fato de vocês terem mais informações sobre eles do que eles sobre vocês é um trunfo para esses jogos?
- Eles têm uma estrutura para estudar os adversários, mas claro que conhecendo um pouco menos individualmente os nossos jogadores isso torna a tarefa deles um pouco mais difícil. Mas eles têm como saber como nosso time joga e quais são as características individuais de cada jogador, por isso eu acho que eles vão estar preparados. Não acho que eles vão entrar em quadra apenas para jogar. É um desafio para nós e até para eles, que vão enfrentar uma equipe Fiba, que tem um basquete diferente. Uma grande capacidade que teremos de ter é suportar durante todo o jogo a intensidade com que eles jogam, com um volume muito grande. Temos que jogar com muita transição, com corte, pick and roll, mais no cinco contra cinco do que na correria. Temos que tentar ser um pouco mais táticos para equilibrar o jogo e buscar uma vitória.

Qual o maior legado que essa experiência vai deixar para todos vocês?
- Nada é mais importante do que a vivência de tudo isso. Coisas que a gente só assistia da TV ou do lado de fora e que hoje estamos vendo de dentro. É uma coisa que não se apaga e que fortalece qualquer pessoa que trabalha com basquete. Estamos tendo uma oportunidade única que pouca gente tem. Temos que tentar levar tudo isso para nossa rotina, para nosso trabalho e usar como motivação para novas conquistas. Isso é um fato histórico. O Flamengo é o primeiro clube brasileiro convidado para jogar na NBA e isso nunca será apagado. 

Nada é mais importante do que a vivência de tudo isso. Coisas que a gente só assistia da TV ou do lado de fora e que hoje estamos vendo de dentro. É uma coisa que não se apaga e que fortalece qualquer pessoa que trabalha com basquete. Estamos tendo uma oportunidade única que pouca gente tem"
José Neto

É um momento especial na sua carreira depois de tantas conquistas pelo Flamengo  e do convite da NBA de participar desses três jogos da pré-temporada?
- Sem dúvida. Acho que não só na minha carreira, mas também na história do Flamengo, que é um clube de massa. Nós conseguimos levar muita gente para assistir basquete e isso é uma coisa que me deixa bastante feliz. Tudo isso nos motiva ainda mais para continuarmos trabalhando e fortalecendo ainda mais as coisas boas que estamos fazendo. Dentro da própria equipe, como dentro daquilo que acreditamos que seja o basquete. Como ser gestor de uma equipe, de pessoas e de um grupo. Vir jogar aqui na NBA dá uma motivação extra para seguir em frente, principalmente depois de vencer a Copa Intercontinental. É um somatório de fatores que nos deixa muito felizes e orgulhosos do trabalho que estamos realizando.

O Flamengo mudou o patamar da sua carreira?
- Mudou, isso é inegável. Foi minha primeira oportunidade de dirigir um time grande com reais chances de conquistar títulos em todas competições que fosse disputar. Isso não é fácil de administrar. Eu estava muito confortável em Joinville, uma cidade que me acolheu muito bem e para onde eu fui com o propósito de ficar muito tempo. O momento pessoal foi importante, porque fazia muito tempo que eu não conseguia ficar próximo da minha família. Quando apareceu a chance de vir para o Flamengo eu tive que pensar numa outra coisa e saber realmente o que seria da minha carreira. Ou eu ficava em Joinville por muito tempo ou ia buscar uma coisa a mais e dirigir um time grande como o Flamengo.

Nessa aposta você temeu estar fazendo a escolha errada?
- Não, porque eu nunca tive medo de mudanças. Quando arrisco alguma coisa é sem medo e sempre pensando naquilo que pode ser bom. Se der errado, pelo menos eu tentei fazer o melhor possível. Eu vim muito tranquilo e focado em fazer as coisas darem certo.

O Flamengo hoje é uma referência em termos de estrutura no basquete brasileiro?
- É difícil falar porque não conheço a estrutura dos outros clubes. Sei que hoje o Flamengo oferece muitas coisas e está caminhando para melhorar ainda mais. Mas ainda falta muito para chegarmos à excelência. Principalmente quando a gente convive com esse mundo aqui, percebemos que ainda falta muita coisa. Mas existe um esforço de todos, da diretoria, dos jogadores e da comissão de trabalho para melhorar as condições. Isso motiva. O Flamengo hoje tem uma boa estrutura, tem bons profissionais e quer ser melhor. Isso é o mais importante, porque nos motivo ainda mais e nos tira da zona de conforto. As coisas estão acontecendo e as expectativas são as melhores.


A chegada de um campeão olímpico (Herrrmann) mostra esse desejo de querer mais da diretoria do Flamengo?
- Isso é fruto de algumas coisas que estão acontecendo no basquete brasileiro. Primeiro o investimento que o Flamengo tem feito no basquete para jogar as principais competições da temporada. O nosso calendário é muito atrativo para os jogadores brasileiros e até para os estrangeiros, que muitas vezes vislumbram vir jogar aqui por terem a chance de jogar tantos torneios importantes e de grande nível. E principalmente pelo desenvolvimento da Liga Nacional, que a cada ano evolui e se torna mais competitiva. Acho que todos esses fatores atraíram a vinda do Herrmann. Eu conversei muito com ele antes dele vir. Quando a gente tem um grupo bom como temos e campeão, é difícil você estimular os jogadores a não se acomodarem. Por isso temos que fazer boas escolhas para seguir melhorando. E eu senti muito na nossa conversa que ele tem esse propósito. Não é o tipo do cara que vai aparecer todos os dias nos jornais, mas que não vai ajudar o time a vencer em quadra. Isso foi fundamental para ele fazer parte do nosso grupo, que tem sido o nosso diferencial. Se olharmos cada competição que vencemos, o MVP nunca foi o mesmo.

Flamengo copa intercontinental de Basquete (Foto: André Durão)Campeão de tudo, o Flamengo tem como desafio agora manter o foco nas próximas competições (Foto: André Durão)

Você acredita que o maior desafio do Flamengo depois de conquistar todos os títulos possíveis é se manter focado?
- Com certeza, mas pelo que eu conheço do perfil de todos que estão envolvidos, desde os jogadores até a comissão técnica, é que quando você sente o gosto da vitória não quer perder isso nunca mais. Quando experimenta essa sensação de estar sempre vencendo, essa já é uma motivação para querer sempre mais. Não podemos nos acomodar porque as equipes no Brasil estão cada vez mais investindo e se fortalecendo.

Quem são os principais adversários do Flamengo nesta temporada?
- A liga se tornou uma competição que não existe adversário fácil. Isso já ficou bem conceituado por nós. Muito pouca gente apostava no Paulistano na temporada passada e foi a equipe mais regular durante todo o campeonato e que chegou com méritos na final. Foi um exemplo claro do fruto do trabalho. Mas tem outras equipes que se reforçaram muito como Bauru, que trouxe ótimos jogadores e montou uma equipe muito capacitada. Franca tem um excelente time, Limeira também formou um excelente grupo, Brasília, que tem peso e ainda tem espaço para trazer bons estrangeiros, e São José, que já tem um time bem entrosado e um ótimo treinador como o Zanon. Sem falar em equipes como Mogi, que são muito fortes jogando em casa diante de suas torcidas. 

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