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Manobra da oposição esvazia reunião de conselho e frustra diretoria do Fla

Vice diz que clube perdeu um bom negócio ao não trocar sede de São Conrado por 13 salas comerciais. Oposição garante ter protegido patrimônio

A diretoria do Flamengo sofreu um revés nesta terça-feira, em reunião do Conselho Deliberativo (Code), quando tentava aprovar a entrega da casa que já serviu como concentração do clube em São Conrado em troca de 13 salas comerciais e uma compensação financeira. A sessão no Code não atingiu o quórum necessário para votar a matéria - 250 conselheiros. Desta forma, Alexandre Wrobel, vice de patrimônio, que estava à frente da negociação, afirmou que o clube perdeu uma chance de fazer um bom negócio. A oposição, por sua vez, garante ter defendido o patrimônio rubro-negro com uma manobra para esvaziar a sessão - diversos opositores foram ao clube mas não entraram na sala do Code com este objetivo. 

A sessão não foi presidida por Delair Dumbrosck, que criticou diretamente a diretoria em entrevista ao GloboEsporte.com publicada nesta segunda-feira. Ele chegou a falar em combater a atual gestão nas urnas em 2015. Dumbrosck está de licença por conta de uma cirurgia e, dessa forma, a sessão foi comandada pelo vice do Code, Rodrigo Dunshee de Abranches. O número de presentes ficou distante entre o necessário para a votação - a oposição falou em 115 e a situação em aproximadamente 130 conselheiros que assinaram a ata.

Casa de São Conrado - flamengo (Foto: Divulgação )Flamengo se concentrava nesta casa durante a Era Zico (Foto: Divulgação )

De acordo com documento divulgado pela diretoria a respeito da proposta, a locação das salas renderia até R$ 49 mil mensais e uma obra para reformar o local chegaria a R$ 800 mil. No mesmo texto a diretoria afirma que as salas teriam valor de R$ 6,8 milhões em estimativa conservadora, enquanto a casa atual, na maior estimativa realizada, valeria somente R$ 3,5 milhões.

A casa está abandonada há alguns anos, vários anos, completamente destruída, só dá prejuízo ao Flamengo em termos de manutenção, encargos, impostos e segurança, e era uma forma de transformação do patrimônio. Mas o conselho é soberano, vamos acatar 
Alexandre Wrobel, vice de patrimônio

Wrobel contou que as tratativas com o fundo imobiliário que ficaria com o terreno para fazer um edifício comercial - e comprou as duas áreas ao lado do terreno do clube - começaram em 2012, ainda na gestão de Patrícia Amorim, da qual também fazia parte. Ele lamentou o fracasso do negócio.

- A princípio, o assunto está encerrado. O Conselho Diretor fez o seu papel que é de buscar alternativas para o patrimônio do clube e trouxe à apreciação do Deliberativo. Existe uma previsão estatutária de quórum de 250 conselheiros, não foi atingido, e o conselho basicamente com essa postura o negócio não vai se concretizar. A casa está abandonada há alguns anos, vários anos, completamente destruída, só dá prejuízo ao Flamengo em termos de manutenção, encargos, impostos e segurança, e era uma forma de transformação do patrimônio. Mas o conselho é soberano, vamos acatar - lamentou Wrobel, destacando que terá de ser estudado um plano sobre o que será feito com o local, pois ainda não existe esse planejamento.

Membro do Conselho Fiscal, Gonçalo Veronese, que é uma das lideranças da oposição, disse que cerca de 80 conselheiros deixaram de assinar a ata da sessão do Code para não deixar a proposta ser votada.

- A oposição se posicionou dessa forma para proteger o patrimônio do Flamengo. Foi uma vitória.

Veronese também respondeu ao presidente do Conselho Fiscal, Mario Esteves, que o acusou em reportagem publicada pelo GloboEsporte.com nesta segunda-feira de tentar impor uma pauta política ao órgão, ao responder sobre as alegações de que não estava fornecendo as informações solicitadas pelos membros da oposição que fazem parte do conselho.

- Fui eleito democraticamente, junto com outros três companheiros pela chapa de oposição. Apresentei, individualmente ou em conjunto, 12 solicitações de acesso a contratos e informações contábeis, contendo mais de 30 itens, sem, contudo, obter qualquer resposta formal (tudo devidamente documentado). O senhor Mario Esteves, com as afirmações feitas na referida matéria, demonstra que não tem compromisso com a verdade e muito menos com a tão propalada transparência. E, ao contrário do que pensa, tem sim a obrigação legal e estatutária de responder não só aos membros eleitos do Conselho Fiscal, como também aos sócios do clube e à nação rubro-negra. Senhor Esteves, não existe pior maneira de fazer política no Conselho Fiscal do que não fiscalizar, não questionar, esconder. Examinar contratos não é voyeurismo, como o senhor diz - respondeu Veronese.

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