Maracanã – Chega de sermos reféns!

Maracanã – Chega de sermos reféns!

Salve, Salve, Nação Mais Linda do Mundo!

Hoje falaremos sobre o Estádio Mário Filho, o Maracanã! Grandioso, mítico, palco de muitas vítórias rubro-negras e passarela onde desfilaram nossos maiores ídolos. Para muitos, a “casa do Flamengo”! Será? Se anteriormente eu tinha as minhas dúvidas, hoje tenho plena convicção de que ele já não é mais nosso. Vou além: nunca foi! Façamos um reflexão baseada nos fatos e dividindo-os cronologicamente para que nos situemos e possamos tecer uma linha mental do tempo quanto a propriedade “de fato” do Maraca pertencer ao Mais Querido.

Voltemos aos anos 70 e 80! Naquela época, o estádio era palco de grandiosos confrontos e era “dividido” entre os quatro grandes do Rio, incluam-se aí o América, que ainda figurava entre os médios do Brasil e o Bangu, que ocasionalmente utilizava o Maraca para jogos mais portentosos, como a final do brasileiro de 1985 contra o Coritiba. Dito isso, podemos observar que o Flamengo era “co-proprietário” do estádio, coisa que foi gradualmente mudando a partir da hegemonia esportiva do rubro-negro na década de 80, onde conquistamos tantos campeonatos em seguida naquele palco sagrado, tornando-o mais rubro-negro do que nunca.

Então veio a década de 90 iniciando nossa queda esportiva a nível nacional. No âmbito estadual continuamos fortes e começamos a virar o jogo contra o Fluminanse em número de títulos estaduais. Nessa década, consolidamos culturalmente o Maracanã como “nossa casa” ao ganharmos vários estaduais por lá e fazendo nosso adversários regionais tremerem ao entrar para nos confrontar em finais por lá disputadas. Em caráter nacional, também lotávamos o Maraca para jogarmos os jogos do Brasileirão. O Maracanã “ainda era” do Flamengo.

Anos 2000! Aí é que começa a nos ser usurpado o direito a jogar no estádio. Construíram o Engenhão para o Pan, reformaram o Maracanã algumas vezes e nos relegaram à posição de sem-teto de luxo do futebol nacional. Entendo que muitos acham que o Maracanã sempre foi a nossa casa. Após mais de 4 décadas de vida flamenga, tendo frequentado o estádio desde o final da década de 70 e analisando os fatos com racionalidade e sem paixão clubística posso lhes afirmar o seguinte: o Maracanã nunca foi nossa casa! Nunca!

Explico: o estádio é de propriedade do Estado do RJ, estado cujo qual tem sido governado de forma temerária, há pelo menos 30 anos. Ultimamente, o que temos visto pode ser comparado com a Farra do Boi. O New Maracanã tornou-se um verdadeiro lupanar financeiro onde as empreiteiras e os pólíticos locupletam-se do dinheiro do contribuinte através de várias obras superfaturadas (de acordo com o MP) através financiamentos propínicos (permitam-me o neologismo) ilícitos de campanhas políticas onde usurpa-se o erário público em favor de enriquecimento dessa casta nefasta de pródigos.

Ontem foi anunciada a “venda” do estádio pela Odebretch para a Lagardère pelo pífio valor de R$ 30 milhões mais R$ 18 milhões de parcelas em atraso ao Estado do RJ. A empresa que assumirá orçou previamente em mais R$ 15 milhões os custos para deixar o estádio do mesmo jeito que estava antes de ser entregue ao COB. Fazendo uma conta rápida chegamos ao valor de R$ 63 milhões. Será que o estádio só vale isso? E vou além: porque a Odebretch continua recebendo dinheiro de aluguel das partidas que por lá acontecem sem arcar com as despesas operacionais por ela acordadas em contrato? Porque nosso rival / parceiro Fluminense teve alijado seu direito a jogar de graça, comercializando apenas o setor norte do estádio? Onde está o poder público e as liminares para que sejam garantidos esses direitos?

É público e notório e todos nós sabemos, desde sempre, como funcionam nossos órgão públicos quando se trata da defesa dos interesses públicos de fato. A omissão dos governos do Rio de Janeiro (estadual e municipal) é vergonhosa no trato à empresa vencedora da licitação supostamente forjada. Não se cobra nada, não se tem voz ativa e nem comando para que se enquadre a empresa, multando-a e anulando a licitação para que ela seja feita em outros moldes e de forma mais transparente e proba.

Mas isso não interessa mais ao Flamengo, pelo menos enquanto essa “venda” for vergonhosamente outorgada pelo governo do estado e a nova empresa detiver a posse do Maracanã. É tempo de partirmos para outras soluções. O primeiro passo já foi dado: a parceria com a Portuguesa da Ilha. Isso é uma estratégia fundamental para que consigamos romper as barreiras e correntes que nos atam culturalmente ao repaginado Maraca. Devemos quebrar esse paradigma rompendo definitivamente com nossa dependência em atuar por lá. A saída: um estádio próprio! Deodoro, Barra da Tijuca, Campo Grande, Niterói? Não importa! Devemos construí-lo! Simples assim! Só desse jeito começarão a respeitar-nos como clube e instituição que arrebata 40 milhões de corações pelo Brasil adentro.

Temos muita força! Somos como um aríete descomunal! Devemos dar aos políticos de pouca memória e com falha de caráter a real noção de nossa grandeza fazendo a diferença nas urnas, votando em quem realmente tem interesse em não nos prejudicar, como temos sido desde que a balbúrdia administrativo-financeira instaurou-se e tomou de assalto o Estado e a cidade do Rio de Janeiro. Como são difíceis de se conseguir licenças! Porque nosso ginásio que será construído na Gávea, para apenas 3.500 pessoas, ainda não pôde ser erguido já que será feito exclusivamente pela iniciativa privada? Porque tanta dificuldade? Será que há outros interesses por trás do motivos alegados pelas autoridades? É o que tentamos entender.

Aguardemos o desenrolar dos fatos e torçamos para que possamos dar esse passo definitivo e fundamental para alavancarmos o crescimento do Clube de Regatas do Flamengo. A diretoria caminha a passos largos para sanear o clube. Diria que falta pouco. Quem sabe não consigamos construir nosso estádio com nossas próprias forças? Eu acredito que isso será possível em curto espaço de tempo. Mas devemos ser austeros para sempre. Falta nossa torcida começar a se manifestar e mostrar a força que tem nas urnas para que os políticos com interesses particulares (próprios e de seus financiadores) não se atravessem no caminho do maior clube do Brasil e trem pagador do futebol carioca. Devemos ter a real noção de nossa grandiosidade. Para isso precisamos ter unidade. Ao bradarnos em uníssono, nossa voz será ouvida nos quatro cantos do mundo. Avante Nação Rubro-Negra! O tempo urge e nossa casa nos espera!

O Flamengo simplesmente é!
Saudações Rubro-Negras a todos!!!

Fabio Monken

Gostou? Comente, participe!
Não gostou? Critique, deixe sua opinião!
Mas faça-o com respeito e educação.
Lembre-se: a intolerância e a má-educação são os combustíveis dos fracassados.