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Nacional Querido: rivais se unem para apoiar o Tricolor paraguaio na decisão

Bandeiras e camisas da seleção paraguaia são maioria na partida de ida da final da Libertadores. Torcedores de outras equipes incentivam, mas Cerristas ficam divididos<br><br>

torcida Nacional-PAR no defensores del chaco final libertadores (Foto: Daniel Mundim)Torcedores paraguaios de vários times lotaram o Defensores del Chaco para apoiar o Nacional-PAR contra o San Lorenzo, na final da Libertadores (Foto: Daniel Mundim)

Para um time que raramente lotava seu estádio, o pequeno Arsenio Erico, que tem capacidade para 5 mil torcedores, encher o Defensores del Chaco com 30 mil pessoas parecia uma missão difícil. Mas não para o Nacional. Não para o Querido do Paraguai. O primeiro jogo da final da Libertadores, contra o San Lorenzo, em Assunção, revelou um fenômeno raro no futebol. Os rivais do Trico abraçaram o clube na decisão histórica. O jogo contra o Ciclón, que terminou com empate por 1 a 1, foi encarado como uma partida da seleção paraguaia.  

- Hoje o Nacional é o Paraguai – disse o torcedor do Olimpia, Gustavo Franco, de 48 anos, que não escondeu seu apoio ao time de Gustavo Morinigo.  

Torcedores vestidos com camisas da seleção paraguaia eram mais vistos do que tricolores com o uniforme do Nacional nas arquibancadas do Defensores del Chaco. Bandeiras do país se espalhavam e, em alguns momentos, até gritos com o nome do país foram ouvidos. Devido aos anos de ostracismo, que terminaram em 2009, com o título do Clausura, o time se tornou coadjuvante no país.   

A rivalidade entre Cerro Porteño e Olimpia, por exemplo, fica longe da equipe finalista da Libertadores. Segundo o vice-presidente do clube, Juan Carlos Galeano, as cores do time e a presença do ídolo paraguaio Arsenio Erico – considerado maior jogador do país, atuou nos anos 1940 e 1950 – na história do time ajudam a criar o ambiente de união visto na decisão.  

- Todas as equipes paraguaias, no fundo, estão com seus corações no Nacional neste momento. O Nacional é a segunda equipe de todos. Nas quartas, nas semifinais e agora estiveram presentes. Estamos muito agradecidos. Nós somos pequenos, um grupo querido, levamos as cores da pátria. Aqui se iniciou o maior nome do futebol paraguaio, Arsenio Erico, que é um orgulho para o país. Creio que isso ajuda também – avalia.  

torcida Nacional-PAR no defensores del chaco final libertadores (Foto: Daniel Mundim)Muitos torcedores foram ao estádio Defensores del Chaco com bandeiras do Paraguai para apoiar o Nacional-PAR, na final da Libertadores, contra o San Lorenzo. Cores do clube são as mesmas do pavilhão do país (Foto: Daniel Mundim)


Cerristas se dividem

Apenas um lado dos amantes do futebol paraguaio se divide no apoio ao Nacional. Não por acaso, é o clube vizinho do Tricolor, que leva as mesmas cores e apelido do San Lorenzo: o Cerro Porteño. O Ciclón do Paraguai é, ao lado do Olimpia, um dos maiores do país. O tricampeonato da Libertadores do rival incomoda os cerristas, que veem a taça como maior ambição. Ver o pequeno Nacional chegar à final antes do seu clube os deixou um pouco enciumados. No entanto, alguns deles ainda admitem que apoiam o vizinho.

- Não vejo problemas em ver o Nacional chegar à final antes que a gente. É o Paraguai na final. Me incomodaria se fosse o Olimpia novamente – revela Francisco Ojeda, funcionário do Cerro Porteño.

- Para mim tanto faz. Se o Nacional ganhar ou não, não fará diferença. Me preocupo com o Cerro. E que o Olimpia não ganhe nada. Mas muitos de nós estão torcendo para o San Lorenzo – declara o jovem Jorge Augusto, também torcedor do Cerro.

Dona Rosalba, de 64 anos, vendedora da loja oficial do Cerro, não fica indiferente. Apoia o Nacional como se fosse seu clube na decisão.

- Não há ciúme nenhum. Eu estou torcendo pelo Nacional sem peso na consciência. A pátria vem antes de qualquer coisa – assegura.

Nacional-PAR e San Lorenzo fazem o jogo decisivo da Libertadores na próxima quarta, às 21h15 (de Brasília), em Buenos Aires, no estádio Nuevo Gasómetro. Após o empate por 1 a 1 na ida, uma vitória simples dá o título para qualquer uma das equipes. Uma nova igualdade, qualquer que seja o placar, leva a decisão para a prorrogação.

Dona Rosalba, funcionária da loja do Cerro. (Foto: Daniel Mundim)Dona Rosalba, funcionária da loja do Cerro, torce para o Nacional-PAR conquistar a Libertadores (Foto: Daniel Mundim)


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