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Ney elogia rendimento de Mattheus e promete lapidá-lo: "É o desafio"

Responsável por promover Renato Augusto, treinador dá atenção especial ao meia, pede paciência por perfil físico diferenciado e promete fazer um garimpo na base

Mattheus entrevista coletiva flamengo (Foto: Cahê Mota)Mattheus será lapidado por Ney Franco
(Foto: Cahê Mota)

Todo início de trabalho de treinador é a mesma coisa: há jogadores que perdem espaço, outros se tornam determinantes para equipe, e há ainda aqueles que estavam praticamente fora dos planos e ganham sobrevida. Este último é o caso de Mattheus. Um dos remanescentes do título da Copinha em 2011, o meia era pouco aproveitado por Jayme de Almeida e não tinha futuro muito animador pela frente. A chegada de Ney Franco, no entanto, parece ter mudado a realidade. O que acontecerá segue sendo uma incógnita, mas o treinador já avisou que tem gostado do que o filho de Bebeto tem apresentado nos treinamentos e dará atenção especial para que cumpra o que se espera dele entre os profissionais. 

Ainda aos 19 anos, Mattheus disputou seis partidas com a camisa do Flamengo na temporada - no total tem 18 entre os profissionais -, mas ainda não fez gol. Contra o Figueirense, pode ter uma nova oportunidade. Caso Alecsandro, que se recupera de uma torção no tornozelo, seja vetado, o meia foi a opção para treinar entre os titulares na quarta-feira, no Ninho do Urubu. E Ney Franco já começa a agir para que o jovem tenha mais destaque em suas aparições. A primeira ação foi colocá-lo mais avançado do que de costume, quase que como um homem de área perto dos zagueiros adversários, para fazer valer seu bom passe e finalização. 

Velho conhecido do filho de Bebeto, com quem trabalhou nas categorias de base da Seleção, Ney Franco deixou claro que, antes de tudo, é preciso paciência para que o talento do jogador seja lapidado. Com a experiência de quem trabalhou boa parte da carreira na base, o treinador analisou especificamente o caso de Mattheus e o colocou nas mesmas condições do argentino Lucas Mugni. 

- Mattheus tem me chamado a atenção pela qualidade técnica e até para ser um atacante de jogar no meio dos dois zagueiros, com liberdade para atuar. É um jogador que conheço há muito tempo. No período que trabalhei na base da Seleção, vi de perto e tem muito potencial. É um garoto que tem a característica de com 17, 18 anos ter um estirão físico, cresce muito, e é preciso ter paciência, principalmente no lado coordenativo. Geralmente, a maturação desses jogadores chega com 22, 23 anos. Ele e o Lucas (Mugni) são dois talentos. De repente, ainda não estão maduros para o estouro no Flamengo, mas, bem preparados, terão futuro no futebol. Entra também a parte do técnico ter cuidado na formação. Tenho que criar a situação para que esses jogadores desempenhem todo potencial. É o desafio, e eles estão interessados. 

Vamos fazer uma varredura na (categoria) sub-20 para ver se encontramos alguém para nos auxiliar de imediato. Ainda não olhei especificamente porque cheguei em um momento difícil, com jogos em sequência e competição também na categoria. Não criamos essa situação, mas é um trabalho que será feito no segundo semestre
Ney Franco

Foi Ney Franco quem levou para os profissionais aquela que talvez tenha sido a última aposta da base bem sucedida no Flamengo: Renato Augusto, nas semanas que antecederam a decisão da Copa do Brasil de 2006. De lá para cá, muitas foram as promessas: Rafinha, Adryan, Thomás, Bruno Mezenga, entre outros. Ninguém, no entanto, se firmou. Para o comandante rubro-negro, o imediatismo que o mercado do futebol exige atualmente tem sido determinante para decepção precoce com este tipo de atleta. 

- Qualquer treinador que trabalhar com equipes com boa base tem a função de perceber se tem algum jogador com possibilidade de atender o profissional, e até mesmo auxiliar na formação do atleta. Antigamente, o jogador era lançado com 22, 23 anos. Hoje, por conta do mercado, é preciso lançar com 17, 18. Então, o treinador do profissional passa a fazer parte da formação do atleta. Não é nessa idade que vai chegar e resolver. É preciso ter paciência, avaliar em quanto tempo ele dará resultado. Essa é uma característica minha. Me orgulho de ter lançado o Renato Augusto no Flamengo, que depois foi vendido caro. Me orgulho de ter auxiliar o Lucas no São Paulo. Se voltarmos no passado, o Maxwell é um jogador que tirei em uma peneira, era atacante, virou lateral e agora vai jogar Copa do Mundo. Nunca perdi essa ligação com a base. 

Além de Mattheus e Lucas Mugni, Ney elogiou o desempenho de Igor Sartori nos treinamentos e avisou que buscará novos jovens nas categorias de base. Se os jogos quarta e domingo não permitiram ainda um trabalho mais apurado de observação, esta é uma das missões para o período de paralisação para Copa do Mundo. 

- Vamos fazer uma varredura na (categoria) sub-20 para ver se encontramos alguém para nos auxiliar de imediato. Ainda não olhei especificamente porque cheguei em um momento difícil, com jogos em sequência e competição também na categoria. Não criamos essa situação, mas é um trabalho que será feito no segundo semestre. 

Além de Mattheus, o Flamengo tem outras 12 peças reveladas pelo clube à disposição de Ney Franco: César, Luan, Fernando, Frauches, Samir, Digão, Luiz Antonio, Recife, Muralha, Igor Sartori, Nixon e Negueba. Recentemente, o jovem Caio Rangel, de apenas 17 anos, participou de uma atividade entre os profissionais para ser observado.

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