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O EXEMPLO ESTÁ EM CASA

O que dá certo é para ser seguido

Amigos rubro-negros, imaginem uma equipe do Flamengo que em 10 anos ganhou todos os campeonatos estaduais, foi 5 vezes campeã nacional, e em outras 3 esteve entre as 4 melhores, que foi 2 vezes campeã continental, e em outras 3 vezes ficou entre as 4 melhores, e 1 vez campeã mundial interclubes.

Antes que muitos digam que isto é um sonho, afirmo que esta equipe existe. Trata-se da nossa equipe de basquete masculino.

Apesar de todas as dificuldades que os esportes olímpicos enfrentam num país com monocultura esportiva, temos conseguido manter uma equipe de alto desempenho num esporte coletivo. Definitivamente, o basquete é o orgulho da nação.

O que no basquete poderia ser transportado para o futebol de modo que nos próximos 10 anos tenhamos em campo um desempenho igual ou melhor do que em quadra?

Uma equipe de alto desempenho, seja no esporte seja no mundo corporativo, não se forma em um ou dois anos. São necessários no mínimo três anos para transformar um grupo composto por profissionais alinhados com a filosofia que se pretende implantar numa equipe de alto desempenho.

Em 7 anos, no basquete  tivemos 3 técnicos (Chupeta, Gonzalo Garcia e José Neto). Em 3 anos, no futebol tivemos 7 técnicos (Dorival Jr, Jorginho, Mano Menezes, Jayme de Almeida, Ney Franco, Wanderley Luxemburgo e Cristóvão Borges). Como então podemos ter continuidade na formação do elenco, na forma da equipe atuar com esta alta rotatividade de técnicos?

No basquete temos uma referência no elenco. Gostem ou não da sua forma de jogar, eu mesmo tenho algumas restrições, Marcelinho Machado é uma referência na equipe. Por ser rubro-negro de carteirinha e possuir uma qualidade técnica indiscutível, Marcelinho é o líder da equipe, o que facilita em muito a ambientação dos novos contratados.

No futebol, tínhamos o Léo Moura, que foi literalmente desprezado tecnicamente pelo clube que por tantos anos defendeu. Só não saiu pela porta dos fundos porque a diretoria teve o mínimo de sensibilidade promovendo um joguinho mequetrefe de despedida e mais sensibilidade teve o torcedor rubro-negro que prestigiou colocando mais de 30 mil pessoas no Maracanã numa quarta-feira perdida às 22horas neste calendário maluco. E quem é o substituto do Léo Moura no elenco? Não falo de lateral-direito, falo de liderança, de referência. Quem? Wallace pode até vir a se tornar esta referência, mas ainda não o considero este líder.

Não concordo com os argumentos de que futebol é paixão e que não pode ser comparado aos esportes olímpicos. Lógico que em gestão, cada empresa, cada clube, cada esporte possui a sua cultura e ela deve ser respeitada. Também é lógico que sem paixão nenhum profissional consegue sucesso. O segredo do sucesso em qualquer setor da vida é saber conciliar a paixão com racionalismo, combinar intuição com ciência, é saber aproveitar a motivação gerada pela paixão com o conhecimento em busca do resultado desejado.

Eu não aguento mais campanhas pífias em campeonatos brasileiros. Já estamos nós com apenas quatro pontos ganhos em seis rodadas, ou seja um desempenho de 22%. Acreditar numa arrancada como a de 2009 é pensar somente com a paixão, pois não temos elementos concretos que nos permitam sonhar assim.

O time pode encaixar com as novas contratações? Pode. A torcida pode resolver, mais uma vez, levar o time no colo? Pode. E deve. Porém, para mim, a exemplo de 2009 qualquer sucesso neste campeonato será mais uma obra do acaso, sem um planejamento eficiente.

Não quero entrar no mérito se Luxemburgo deveria ou não ser demitido. Até poderia, mas após o estadual fruto do péssimo futebol que o time apresentou no estadual mais fácil dos últimos anos, com uma confusão tática sem dar o mínimo padrão de jogo ao elenco considerado o melhor do estado. Agora, demitir o técnico após três rodadas do brasileiro, e sem que o próximo tenha tempo de conhecer o elenco, treinar e contribuir na indicação de reforços é ser movido pela paixão. Exclusivamente.

Esta diretoria que tem nos trazido tantos benefícios precisa de uma vez por todas definir uma linha de ação no futebol e ter continuidade. Não podemos em menos de três anos de gestão ter tantos vice-presidentes de futebol, tantos diretores-executivos e tantos técnicos. Como cobrar resultados dos jogadores?

Saudações rubro-negras

 


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