O início, o meio e o fim: Juan comenta bastidores da despedida e fala do amor de Julio Cesar pelo Fla

O início, o meio e o fim: Juan comenta bastidores da despedida e fala do amor de Julio Cesar pelo Fla

A vitória do Flamengo em cima do América Mineiro marcou muito além dos três pontos no Brasileirão. Foi o fim de uma era vitoriosa. Julio Cesar, cria da base rubro-negra, pendurou suas luvas no futebol profissional. Diante de mais de 52 mil pessoas no Maracanã, o camisa 12 foi reverenciado e correspondeu fazendo belíssimas defesas. Após a partida, na zona mista, Juan contou um pouco de sua história com o goleiro que acabara de se aposentar:

— Por incrível que pareça, hoje foi um dia atípico. Ele não chorou em nenhum momento. Eu chorei feito louco. Ele, desde cedo, pediu a palavra da preleção e deixou bem claro que o importante eram os três pontos, que era um jogo normal, independente de ser a despedida dele ou não, e isso deu um alívio pro time. Encarar com a seriedade que ele encarou todos os jogos da carreira dele, demonstra a humildade que ele tem. Dono de uma festa deste nível, mas que soube compartilhar com os companheiros.

Juan e Julio Cesar começaram juntos no futebol, mas cada um seguiu seu rumo, porém, a amizade criada na base não foi deixada de lado. No sábado (21), após a partida de despedida, o camisa 4 contou a emoção de ver seu amigo jogando pela últimas vez com o Maracanã lotado e gritando seu nome.

— Foi emocionante, né? Já sabia que seria assim e graças a Deus terminou bem, com a vitória e boa atuação do Julio. Eu acho que na despedida teve tudo que ele mereceu, no nível da carreira dele, com o Maracanã lotado e a camisa do Flamengo. Foi uma grande partida e com uma vitória. O resultado pro time foi importante.

Imagem: Carla Araújo/Coluna do Flamengo

Antes de Juan, o volante Gustavo Cuéllar concedeu entrevista na zona mista. Um dos assuntos foi o amor de Julio Cesar pelo Flamengo. Para o colombiano, o elenco rubro-negro precisa copiar isso. Pouco tempo depois, Juan confirmou a tese do companheiro de equipe e afirmou que esse foi o maior legado deixado pelo camisa 12 nesses três meses de “novo Flamengo”.

— Com certeza (o Julio deixa esse maior legado). Eu acho que os mais jovens devem ter tirado muito mais desse convívio, da humildade dele, o sacrifício que ele faz pra treinar todo dia e estar pronto para jogar, da contribuição que ele dá com as palavras, principalmente do amor que ele tem pelo futebol e como ele enxerga a profissão dele com muita seriedade. Esses três meses a gente sabia que seria assim, mas tinha que ter vivido isso perto do Flamengo. Eu acho que ele mereceu viver perto desse Flamengo novo, conhecer um pouquinho de toda estrutura que a gente está tendo e toda evolução. A contribuição para a evolução de todos os jogadores foi o legado que ele deixou para todo o ano.

Nada mais justo que uma brilhante carreira terminar de forma majestosa, com uma reverência para a Nação Rubro-Negra, que fez seu papel e apoiou o time durante os 90 minutos. Aos 39 anos de idade, Juan entendeu como uma forma de retribuição:

— Foi um momento dele. Um momento de retribuição por tudo que o Flamengo e a torcida fizeram por ele. Ele merece, o Julio é um ídolo do Flamengo, do futebol brasileiro e mundial. Mas aqui ele nasceu, é o clube que ele ama. O exemplo fica porque é um cara que ganhou tudo no futebol, que rodou o mundo. Ele se oferecer para terminar a carreira no clube de coração, num momento de hoje, que a gente debata a falta de identificação dos jogadores com o clube… É pra ficar guardado na memória, espero que outros exemplos vão vir […]. O presidente Bandeira fez bem de ter trazido ele de volta, espero que outros meninos que daqui a pouco vão sair do Flamengo, possam fazer a carreira que ele fez e um dia retornem para encerrar a carreira no Flamengo.

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CONVENCER JULIO A FICAR ATÉ FIM DO ANO
O Julio estava muito certo com o que ele queria, até porque ele chegou com essa proposta de três meses. Fazer isso diariamente é muito sacrifício. A gente treina todos os dias, ele tem dores nas costas e toma muito remédio. Nós que somos mais velhos, começa a doer muita coisa em comparação a de um menino e por isso ele tomou essa decisão. Infelizmente, porque hoje ele mostrou que, independente do ídolo, tem ali um goleiro essencial.

FICAR FORA DA PARTIDA
Foi difícil. Apesar de ter sido a despedida dele, foi um jogo importante de campeonato brasileiro. O Maracanã lotado, né… Viemos de jogos sem torcida… É difícil, mas nesse hora temos que ser racionais. Quarta-feira tem um jogo importante, com uma viagem longa. Eu já vinha de dois jogos em sequência, todo mundo sabe que eu não sou mais um menino e esse acúmulo de partida pode ser prejudicial. Se não fosse a despedida do Julio eu ficaria treinando, não viria nem pro banco, mas fiz questão de vir pra viver um pouquinho desse tempo.