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O Maestro de Pele Rubro-Negra!

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O Maestro de Pele Rubro-Negra

O nome do homenageado deste meu artigo de estreia na respeitada Coluna do Flamengo é Leovegildo Lins da Gama Júnior, conhecido pela Nação simplesmente como Júnior, Capacete ou, de preferência, Maestro.

Nascido há 62 anos na capital da Paraíba, veio para o Rio de Janeiro com 5 anos de idade, tomando gosto, a partir de sua adolescência, por jogar bola na praia.

Na juventude, teve breves passagens pelo futebol de salão, onde aprimorou sua técnica antes de ser integrado às divisões de base do Mengão, no início da década de 70. Estreou em 1974 nos profissionais, então como lateral direito, já se destacando com dois gols decisivos na fase final do Campeonato Carioca daquele ano.

Em 1976, Júnior, mesmo sendo um destro nato, foi transferido para a lateral esquerda, posição na qual se adaptou rapidamente, mostrando extrema facilidade de defender e apoiar, com bons passes e cruzamentos, o que o levou, no mesmo ano, à sua primeira convocação para a Seleção Brasileira.

O detalhe importante é que, apesar de gostar muito de um samba e de apreciar uma cervejinha, o que sempre fez na hora adequada, Júnior era um profissional extremamente dedicado, tendo treinado, com insistência, a batida na bola com a perna esquerda, o que permitiu a ele utilizá-la em muitas jogadas importantes, em especial cruzamentos com bola correndo e em escanteios.

Diferentemente de alguns, Júnior mostrou-se tão bom na Seleção como era no seu Clube, tendo merecido titularidade e destaque nas Copas do Mundo de 1982 e de 1986, ainda na lateral esquerda.

Frise-se, por oportuno, que Júnior é considerado até hoje, entre tantos jogadores de qualidade que envergaram o Manto Sagrado, o maior lateral esquerdo da história do Mengão, time de seu coração no qual, juntamente com seu genial parceiro Zico, se sagrou Campeão Mundial Interclubes em 1981, quando, aliás, recebeu proposta do poderoso Real Madrid, mas preferiu permanecer na Gávea.

Em 1984, o Flamengo vendeu Júnior, então com 30 anos de idade, para o Torino, agremiação italiana na qual atuou, já avançado para o meio de campo, por duas brilhantes temporadas (e um semestre adicional), tendo sido eleito o melhor jogador do campeonato na primeira delas.

Negociado com o modesto Pescara, também da Itália, em 1987, permaneceu dois anos no clube, com status de grande ídolo e capitão, tendo sido escolhido como o segundo melhor estrangeiro do certame, à frente de badaladas estrelas mundiais como Maradona, Careca, Gullit, Rijkaard e Van Basten.

Apesar de plenamente adaptado à Europa, com ótimo salário e perspectivas de permanência, Júnior, sensível a um pedido de seu então pequeno filho Rodrigo, que gostaria de vê-lo jogar no Maracanã, cedeu ao coração e retornou ao “Mais Querido do Brasil” em 1989, ano em que o Clube viu a aposentadoria do incomparável ídolo Zico e que perdeu, para revolta da torcida, o ascendente artilheiro Bebeto (decisivo no Campeonato Brasileiro de 1987) para o arquirrival carioca.

Em um Flamengo com problemas financeiros e sem os craques que formaram o esquadrão da década de 80, Júnior voltou e assumiu responsabilidade triplicada, pois deveria, além de carregar o peso de estrela prevalente do elenco, mostrar-se decisivo dentro das quatro linhas, como armador do time, e, fora delas, capitanear uma promissora geração de bad boys egressa das divisões de base, que tinha Júnior Baiano, Djalminha, Marcelinho, Nélio e Paulo Nunes.

A despeito das dificuldades, o veterano Júnior, muito além de uma ótima resistência física e de uma liderança tão firme quanto serena, revelou o traço que gravou definitivamente seu nome na história eterna do Mengão: a maestria.

O outrora “Capacete”, alcunha que ganhou na década de 80 por causa de sua cabeleira no estilo black power, revelou-se um inspirado “Maestro”, apelido que marcou a fase final de sua carreira nos gramados, abusando de passes, cruzamentos e gols decisivos, os quais levaram o Flamengo, com o apoio maciço de sua torcida nos estádios, aos títulos da Copa do Brasil de 1990, do Campeonato Carioca de 1991 e do Pentacampeonato Brasileiro de 1992.

Na última conquista citada, o Maestro Júnior, com 38 anos de idade, ganhou a Bola de Ouro da Revista Placar, alusiva à condição de melhor jogador do certame nacional. Ademais, a reboque de suas brilhantes atuações na maturidade, retornou à Seleção Brasileira para mais algumas partidas.

O que poucos sabem é que, ainda em 1992, Júnior, estando com salários atrasados no Flamengo, chegou a ser convidado pelo técnico Telê Santana para integrar a equipe do São Paulo, a qual estava na iminência de sagrar-se campeã mundial de clubes, mas negou de modo enfático, afirmando que não tinha condições de, no Brasil, vestir outra camisa que não fosse a do Flamengo.

Em 1993, Júnior encerrou sua excepcional trajetória na Gávea como o atleta que mais vezes vestiu o Manto Sagrado (865 partidas), sempre o defendendo com fibra e mentalidade vencedora. Entre breves passagens como técnico (1993 e 1997) e dirigente do Clube (2004), o Maestro notabilizou-se como o melhor jogador do mundo de Beach Soccer, estrela máxima da multicampeã Seleção Brasileira.

São do ídolo Júnior, hoje comentarista da Rede Globo de Televisão, duas frases emblemáticas, as quais devem servir de inspiração às novas gerações: “a camisa do Flamengo é minha segunda pele” e “quem não tiver uma profunda identificação com o Clube, profissional e sobretudo pessoal, não durará muito tempo por aqui”.

Obrigado, Maestro! Pelos gols, pela liderança e pelos ensinamentos! Salve Júnior! Uma vez Flamengo, sempre Flamengo!

Fonte: http://colunadoflamengo.com/2017/01/o-maestro-de-pele-rubro-negra/

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