Para a alegria de Dona Dina, Sarah Menezes se reencontra com Rosicleia Campos no Flamengo

Para a alegria de Dona Dina, Sarah Menezes se reencontra com Rosicleia Campos no Flamengo

O bandeirão do Flamengo não é dos menores. Ele cobre uma parede de cima a baixo de uma casa em Teresina. Quem mora ali é Olindina Pereira Cabral Menezes — “mas todo mundo me conhece como Dona Dina”, explica. A casa abrigou também uma atleta de ponta do judô brasileiro. Mas só até semana passada, já que, a partir desta sexta-feira, Sarah Menezes tem residência no Rio, onde assinou contrato para defender o rubro-negro. A mudança fez a felicidade da mãe da medalhista de ouro nos Jogos de Londres, em 2012.

— Sou Flamengo de gritar muito. Tem gente que nem gosta de assistir (aos jogos de futebol) comigo. Eu grito com o juiz — conta Dona Dina, também mãe de João Vítor, de 18 anos, esse ainda mais fanático. — A cada jogo a gente faz uma festa. A torcida agora vai ser bem maior.

Do irmão, Sarah já recebeu um pedido. Ele quer a camisa 10 com o autógrafo de Diego. Entre todos os atletas do clube, o meia era, até a semana passada, o único em atividade com uma medalha olímpica no currículo. Em 2008, conquistou o bronze em Pequim. A partir de agora, é a judoca quem está no topo na Gávea.

Mas Sarah não está no alto do ranking mundial dos ligeiros (até 48kg). Ela subiu de peso (para o meio-leve, até 52kg) após os Jogos do Rio, quando foi derrotada por ippon na repescagem, e retornou aos ligeiros em setembro passado. Agora, tem que recuperar o espaço perdido na categoria. Atualmente, é a 39ª do mundo, a terceira brasileira na lista, atrás de Stefannie Koyama (9ª) — que é nascida no Japão — e Gabriela Chibana (24ª).

— Foi um teste (a ida para a categoria meio-leve). Se eu conseguisse o pódio no Mundial, eu ficaria. Mas se não tivesse medalha... esquece. Me superei, mas senti as meninas mais fortes, me senti pequena — disse a judoca de 1,54m. — O ligeiro melhorou muito no Brasil com a vinda da japonesa (Koyama). A Chibana também evoluiu na categoria. Internamente, isso é muito positivo.

Em seu retorno às competições internacionais pela seleção brasileira, em fevereiro, no Grand Slam de Paris de 2018, Sarah caiu nas oitavas de final diante da ucraniana Daria Bilodid, campeã europeia. Em março, disputará dois Grand Prix, na Geórgia e na Turquia. Em maio, será a vez do Grand Prix na China. E sua meta é ambiciosa.

— Todas as competições em que eu for convocada, tenho a obrigação de estar no pódio. Como eu fiquei um ano sem lutar, caí muito no ranking. Mas a tendência é subir — afirmou. — Meu objetivo é ficar entre as 10 melhores do mundo, me classificar para o Mundial em setembro (no Azerbaijão) e receber outras escalações.

Reencontro com “Tia Rose”

Apesar de ter um longo ano pela frente, Sarah sabe que 2019 é a temporada chave para sua classificação aos Jogos de 2020, competição que será disputada no Japão, berço do judô. No Flamengo, será treinada por Rosicleia Campos, também técnica da seleção. Além disso, encontrará na Gávea um leque de adversários no tatame que não tinha em Teresina.

— A Sarinha no ano passado perguntou: “Tia Rose, posso treinar uns dias no Flamengo?” Ela adorou ficar aqui porque temos muitos garotos sub-18 levinhos, do tamanho dela — explicou Rosicleia. — Estou muito feliz. Acompanho a Sarinha desde que tinha 15 anos e estivemos juntas no momento mais importante das nossas vidas e do judô feminino, quando ela conseguiu a primeira medalha de ouro de uma judoca brasileira.

Neste sábado, Sarah será apresentada no jogo de basquete masculino contra o Minas, na Arena Carioca 1, às 20h. Ao lado de Anderson Varejão, a judoca é a principal contratação do projeto “Inspiração 20/24, ídolo gera craque feito em casa”.