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Patrocínio segue retido, e Fla acumula dívida com elenco e empresários

Clube não tem previsão para quitar salários de junho e não paga direito de imagem há dois meses. Débito de comissão por negociação supera casa dos R$ 5 milhões

Não é só dentro de campo que o Flamengo tem encontrado dificuldades para se encontrar no Campeonato Brasileiro. Fora das quatro linhas, em um segmento que andou controlado desde o início da gestão Eduardo Bandeira de Mello, o clube tem passado sufoco recentemente: o financeiro. Com o pagamento das cotas de patrocínio da Caixa Econômica Federal bloqueado, os salários dos jogadores estão atrasados desde o último dia 7 - quinto útil do mês-, e o elenco não recebeu nenhum tipo de previsão para que sejam quitados. O débito com quem recebe direito de imagens é ainda maior, dois meses, além de dívida na ordem de R$ 5 milhões com empresários. 

Recentemente, o Banco Central incluiu o Fla no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin) por irregularidades no registro dos valores de negociações internacionais, no período entre 1990 e 1998, totalizando um débito de R$ 38 milhões. Porém, com juros, o valor chega a R$ 80 milhões. Desta forma, a Caixa, por ser uma instituição pública, não pode repassar dinheiro ao Rubro-Negro – deveria pagar por mês R$ 2 milhões. De acordo com a diretoria, até que uma solução seja encontrada para o caso, o clube fica de mãos atadas para cumprir com seus compromissos no futebol.  

No total, a folha do departamento gira em torno de R$ 9 milhões - valor que envolve dívidas antigas, categorias de base, staff, entre outros compromissos. A remuneração dos funcionários está em dia. O mesmo, no entanto, não vale para os jogadores. Levando em conta somente o elenco atual, o gasto mensal é de cerca de R$ 5 milhões, montante que o Rubro-Negro garante não ter condição de pagar. Já o grupo com dívida mais alta é bem menor, e o GloboEsporte.com confirmou somente os nomes de Felipe, Chicão e André Santos entre os que ainda têm o salário dividido entre carteira de trabalho e direito de imagem.  

Este atraso é o mais longo desde o início da gestão Bandeira de Mello. O próprio presidente admitiu que ainda busca entendimentos para solução da nova dívida apresentada, mas revelou preocupação em não deixar que o débito se estenda a outros ramos, como pagamento de impostos, mantendo o Flamengo em dia com as obrigações para manter as Certidões Negativas de Débito:  

- Estamos buscando alternativas. Alguns clubes tiveram este mesmo tipo de cobrança e conseguiram provar na Justiça que era indevido. Podemos partir para o mesmo caminho, mas todas as alternativas estão sendo consideradas. O importante é que nenhuma dívida deixa de ser paga (...) Estamos com esse problema, mas não deixamos de pagar um centavo de imposto. Até para mostrar para torcida que damos o exemplo, mas também para o Governo que não alteramos a filosofia.  

Até o momento, o elenco tem encarado de maneira compreensiva o problema financeiro do Flamengo e não aconteceu nenhum tipo de questionamento mais forte internamente.

Dívida de R$ 5 milhões com empresários

Se o atraso no pagamento de jogadores é algo recente no clube, o mesmo não se pode falar da dívida com empresários que participaram das negociações de boa parte dos 24 jogadores contratados na gestão atual. Como é hábito nas transações, muitos participantes cobram comissões por conta dos acertos e o montante ainda não quitado com estes intermediários já superam a casa dos R$ 5 milhões em um ano e meio de mandato.

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