Presidentes de Flamengo e Fluminense fazem 'final antecipada' pelo Maracanã

Presidentes de Flamengo e Fluminense fazem 'final antecipada' pelo Maracanã

A decisão do governo de licitar o Maracanã, como deseja o Flamengo, criou um rusga na boa relação que o clube tinha com o Fluminense. O presidente do tricolor, Pedro Abad, saiu em defesa da Lagardère, empresa francesa que tenta comprar a Maracanã S.A. (Odebrecht e AEG), hoje controladora do estádio, dizendo que o Flamengo faz pressão no governo para que este abra o processo licitatório para, assim, poder controlar o estádio.

O rubro-negro, por sua vez, reagiu às acusações, garantindo que continua conversando com o Fluminense e que o tricolor não será afastado do estádio caso aconteça a nova licitação e o Flamengo e seus parceiros vençam. Eles poderão estar juntos ou como parceiros na concessão ou em um novo contrato.

— O governador certamente tem ouvido as partes. Mas nem sempre a decisão vai ser tomada com base na pressão. A gente tem visto membros da diretoria do Flamengo, como o vice-administrativo, nas redes sociais, falando que ele deveria ter sozinho a gestão. Inclusive tendo cogitado a mudança do nome, por mais que a gente saiba que ele é tombado. É extremamente preocupante — disse Pedro Abad, defendendo a venda de 95% do controle acionário da Maracanã S.A., com quem tem um contrato vantajoso:

— A gente espera que o Maracanã continue sendo de todos, sem depender do capricho de uma diretoria em ceder o estádio. Por isso, defendemos que uma empresa tome conta, para não haver paixão clubística.

Ontem, depois do jogo entre Flamengo e Botafogo, o presidente Eduardo Bandeira de Mello, defendeu-se:

— O que houve foi uma interpretação errada do que um diretor disse esses dias. O Flamengo não quer controlar o Maracanã sozinho. Queremos que um nova licitação aconteça, por causa de transparência. Esta é viciada e cheia de denúncias de corrupção, desvio de verba e até favorecimento nos termos do edital. Continuamos dizendo que o Fluminense é parceiro. As conversas seguem abertas. No caso de uma nova concorrência, se for interessante para eles entrarem como nosso sócios, arcando os riscos e lucros, será ótimo. Se eles preferirem só fazer um contrato, também faremos.

LICITAÇÃO NÃO É GARANTIA

A decisão por uma nova licitação vem sendo discutida pelo governo desde fevereiro de 2016, após a Odebrecht dizer não querer mais administrar o Maracanã. Deveria ter sido feita durante os Jogos Olímpicos para que, ao fim da competição, o novo dono já fosse conhecido. Mas o governo recuou e liberou a venda das ações para duas empresas que estariam habilitadas, as francesas Lagardère e GL Events. A segunda desistiu por problemas nas garantias jurídicas.

São essas garantias jurídicas que fazem o governo ter optado por fazer um nova concorrência. Técnicos da Procuradoria Geral do Estado alertam que as denúncias que estão por vir da operação Calicute, braço da Lava Jato no Rio, poderão comprometer o negócio.

Porém, o motivo principal é a fragilidade jurídica do contrato em vigor, que faz com eles recomendem a nova licitação, com novas regras. Segundo eles, o problema é que o objeto licitado, em 2013, mudou de característica quando o ex-governador Sérgio Cabral decidiu não demolir o Estádio de Atletismo Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio de Lamare para darem lugar a dois estacionamentos com lojas. Isso faria com que qualquer ação civil pública derrube o contrato, devolvendo o estádio ao governo.

Mesmo que uma nova licitação seja feita, ela não é garantia de que os clubes possam participar como sócios. A promessa é essa, mas o edital ainda não foi lançado. Também não é certo que o Flamengo terá condições de vencer, ou que vencerá, já que terá de achar parceiros com garantias jurídicas e financeiras fortes.

Caso uma nova concorrência se concretize, o atual contrato do Fluminense com a Maracanã S.A. será cancelado e ele terá de negociar com o novo vencedor. Durante o processo de licitação, a Odebrecht terá, por causa de uma liminar, que administrar o Maracanã.