Rodrigo Caetano diz que Flamengo não nada em dinheiro e lamenta demissão

Rodrigo Caetano diz que Flamengo não nada em dinheiro e lamenta demissão

Engana-se quem pensa que o Flamengo tem uma condição financeira maravilhosa. Com o moral de quem foi diretor-executivo de futebol rubro-negro nos últimos três anos e três meses, Rodrigo Caetano garante que a imagem de milionário que o clube tem não condiz com a realidade. E essa é só uma das várias revelações do dirigente, demitido na semana passada, depois da eliminação para o Botafogo, na semifinal do Campeonato Carioca. Em entrevista ao Blog, concedida por telefone, em quase uma hora de conversa, Caetano falou sobre a falta de títulos, a saída de Rueda, a escolha de Carpegiani, a crise política, o futuro de Guerrero… Confira:

BLOG: Você deixa o Flamengo com qual sentimento?
RODRIGO CAETANO: Eu me sinto orgulhoso de tudo o que a gente fez nesses mais de três anos. Poderia ter consolidado toda a transformação do Flamengo em títulos? Claro! Mas isso foge do meu controle. É a história da bola entrar ou não. No ano passado, por exemplo, se o Flamengo vence Cruzeiro e Independiente, o que se diria da temporada?

Por que os títulos não vieram?
Foram circunstâncias. Mas, se o trabalho não tivesse sido bem feito, não teríamos feito três finais e ficado em terceiro no Brasileirão de 2016, além do título do Campeonato Carioca. E não posso considerar isso um fracasso.

Os jogadores eram cobrados?
Pergunte a qualquer jogador que trabalhou comigo como eu sou. Cobro muito. Mas isso é feito dentro do vestiário, sem qualquer intenção de repassar para o lado externo.

O que mais te dá orgulho no trabalho?
A transformação do CT é algo muito legal, assim como a geração de receitas que o clube criou, as vendas de atletas a partir do trabalho… O Flamengo se estruturou para ser protagonista em tudo o que disputar. E não era assim alguns anos atrás.

Mas não é pouco levando em consideração o excelente momento financeiro do clube?
Esse é o equívoco que todo mundo faz. O Flamengo não nada em dinheiro. Nunca nadou. Nos últimos três anos, só contratamos três jogadores com um investimento um pouco maior: Berrío, Éverton Ribeiro e Henrique Dourado.

E Guerrero, Diego, Diego Alves?
Trouxemos eles sem custo ou em fim de contrato. Assim como foi com Rhodolfo, Arão, Trauco… O Flamengo não tem problemas com fluxo de caixa, mas isso não quer dizer que exista dinheiro para grandes investimentos. Para contratar o Henrique Dourado, tivemos que vender o Vizeu.

Arrepende-se de ter mantido o Reinaldo Rueda em meio às especulações de que ele iria embora?
Não dava para ter feito nada diferente. Até porque o Rueda amarrou o Flamengo durante todo o tempo garantindo que ficaria. Somente no último dia que ele confirmou a proposta do Chile.

Por que escolheu o Carpegiani?
Ele chegaria para ser coordenador. Com a saída do Rueda, e diante da falta de opções, colocar o Carpegiani parecia a melhor saída. Até porque ele vinha de um bom trabalho no Bahia e não tinha qualquer resistência no Flamengo.

Como avalia o trabalho dele?
Considero bom. No ano passado, quando o Flamengo foi campeão, disseram que o Carioca não valia nada. Agora que o Flamengo não venceu, o Carioca virou prioridade? Era motivo para trocar tudo? Sendo que o Flamengo lidera um grupo extremamente complicado na Libertadores, com quatro pontos em seis disputados. E mais: sem poder jogar com torcida em casa. Que culpa ele tem além do jogo ruim contra o Botafogo?

O quanto a política foi decisiva para sua demissão?
Difícil responder. Posso dizer que tenho carinho pelo presidente (Eduardo Bandeira de Melo) e pelo Fred Luz (CEO do Flamengo). Acho melhor imaginar que minha saída não foi algo pessoal, mas fruto do desgaste pelo tempo. Soube pela imprensa que minha demissão era desejo de alguns vice-presidente, mas sempre respeitei todos.

Não existiu uma trama dos membros da SoFla para derrubá-lo?
Se existia, que tivessem me alertado no fim do ano, porque eu tinha outras propostas e optei por ficar no Flamengo (uma das ofertas foi do Vasco).

Você teve quantas propostas para deixar o Flamengo?
Algumas tantas. Não sei se dá pra encher duas mãos, mas com certeza enche uma. Foram no mínimo cinco bons convites. Mas eu não quis nem levar adiante, em nome do princípio que sempre tive. Em 2014, por exemplo, estava na Série B com o Vasco e recebi convite do Palmeiras e do Flamengo. Nem abri discussão e fiquei até o fim da temporada.

E já teve algum convite desde a saída do Flamengo?
Recebi ligações de pessoas dizendo que estou nos planos. Mas tudo ao seu tempo. Estive hoje (nesta quarta-feira) no Flamengo para acertar a rescisão. Agora, é ir se desvinculando do clube.

Você acha que o Guerrero renovará o contrato, que vence em agosto?
Difícil dizer, porque já não estou mais no clube. Mas estávamos bem encaminhados para a prorrogação do contrato dele até o fim do ano.