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Rodrigo Caetano explica contratações, mudanças no elenco e como Diego poderá ganhar mais

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Em 2015 entrevistamos o Diretor Executivo do Palmeiras, Alexandre Mattos, sobre formação de elenco, negociações e atribuições de quem desempenha tal função. Agora é a vez de Rodrigo Caetano, do Flamengo, responder às perguntas do blog. Ele fala sobre as responsabilidades de quem ocupa tal função, reformulação de elenco, contratações, responsabilidade financeira e Diego.

Matéria do ESPN.com.br mostra que Diego, Leandro Damião e Guerrero consomem, juntos, cerca de 25% do orçamento do Flamengo para o futebol. É muito?

Primeiro que isso não traduz a realidade. Temos uma folha dentro da realidade dos grandes clubes brasileiros e certamente, não estamos entre as três maiores. Respeitamos rigorosamente o orçamento estabelecido pelo clube. Muito se fala nos números, mas não costumamos divulgar justamente para preservar os atletas e o clube, mas tivemos um aumento em torno de 30% nas despesas com folha de 2015 para 2016.

Tendo como base o balanço de 2015, o consultor Amir Somoggi calculou em 41% da receita total os gastos do Flamengo com o futebol. Há clubes que comprometem mais de 100%. Com as contratações deste ano, esse percentual estaria em quanto?

Em 2016 o percentual gira em torno de 35%, ou seja, quase 1/3 das receitas desse ano. Lembrando que boa parte das receitas ainda está sendo destinada ao pagamento do passivo acumulado e que com isso, está recuperando a credibilidade do Flamengo no mercado, viabilizando a chegada dos atletas que estão sendo contratados em 2016.

O que faz um profissional como você, e há outros como Alexandre Mattos (Palmeiras), Thiago Scuro (Cruzeiro), Gustavo Oliveira (São Paulo); além de contratar jogadores, que é a tarefa com maior repercussão na mídia e na torcida?

Muitas são as atribuições e funções de um Executivo de Futebol de um grande clube. Gerenciamos o maior Departamento dos clubes, em número de profissionais envolvidos e de visibilidade também, o que acaba direcionando apenas para a montagem de elenco com a tarefa principal. E isso não é verdade, pois na contratação de qualquer atleta, participam muitos departamentos e pessoas, dentre os quais o Financeiro e Jurídico, além do Centro de Inteligência e também dos dirigentes estatutários. O Executivo é responsável por todo o planejamento do Departamento (Profissional e Base), pela logística, tem participação na construção do orçamento para o Departamento de Futebol, na estratégia das competições, além de participar de projetos estruturantes como melhorias na infraestrutura física do Centro de Treinamento. Lembrando sempre que são envolvidas as demais áreas do clube em todos esses processos. Muitas pessoas e torcedores não conseguem entender a complexidade da função de um Executivo de Futebol e acabam definindo como "apenas" o responsável pelas contratações, onde na verdade somos uma parte nesse processo específico e somos responsáveis por uma gama muito maior de funções.

 

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Especialista afirma que contratações estão 'dentro das possiblidades' do Flamengo

Desde sua chegada ao clube várias reformulações no elenco aconteceram. Quais os jogadores que saíram do Flamengo depois que você chegou e quais os contratados?

Em termos de estratégia, o importante foi negociarmos/realocarmos os jogadores que na época não faziam parte do elenco sem prejuízo financeiro nas operações, viabilizando com isso a chegada dos atletas contratados. No início de 2015 foram 26 atletas no total, caindo para 16 no início de 2106 e com previsão de no máximo termos 8 atletas nessa situação, ao final desse ano. Esse trabalho gerou uma economia em torno de R$ 8,5 milhões por ano. Isso sem falar nas vendas de Samir, Cáceres, Kayke e Wallace, que não estão nessa conta, pois entram na rubrica contábil de venda de atletas. Paralelamente a isso, a tentativa sempre foi de qualificar o elenco através da desoneração desses muitos atletas e também de vendas. Dentre os muitos atletas que chegaram estão Marcelo Cirino, Emerson, Ederson, Alan Patrick, Paolo Guerrero, Alex Muralha, Mancuello, Cuellar, William Arão, Rodinei, Juan, Fernandinho, Réver, Rafael Vaz, Donatti, Leandro Damião e por último, Diego. Isso para citar alguns. Lembrando que, mesmo após minha chegada em dezembro de 2014, algumas contratações já haviam sido sacramentadas e apenas foram concluídas. Algo fundamental a ser registrado também é a manutenção das jovens promessas da Base, com as renovações/prorrogações dos contratos, garantindo assim o patrimônio do Clube. Nesses dois anos podemos citar Jorge, Jajá, Thiago, Léo Duarte, Ronaldo, Matheus Sávio, Lucas Paquetá e Felipe Vizeu, entre outros. Além do monitoramento constante dos contratos de todos aqueles que nem chegaram ao profissional ainda.

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Mancuello foi apresentado por Rodrigo Caetano

Mancuello apresentado por Caetano: contratações mediante pagamentos parcelados

Mugni já rejeitou três propostas de outros clubes brasileiros. Ele é o único que pode sair a qualquer momento, assim como Nixon, emprestado ao América Mineiro, ou há mais nomes que poderão ser negociados?

Nesse momento, o único que não faz parte dos planos do Clube é mesmo o Lucas Mugni. Ele retornou de empréstimo do NOB, e nesse caso, como a legislação atual prevê que o atleta saia somente para onde ele quiser, teremos que aguardar a vontade do atleta, mediante as inúmeras propostas que já teve (nota do blog: Vitória, América Mineiro e Atlético Paranaense demonstraram interesse no argentino, que não quis se transferir). Os demais atletas, até mesmo por conta da Copa Sul-americana, só sairão em caso de boas propostas ao clube e consenso entre todos da Comissão Técnica. Ainda há o fato de não termos o Maracanã nesse ano, o que exige um elenco mais numeroso devido aos desgastes das viagens.

Há sempre muitos comentários sobre contratações e relação custo-benefício. Juan, Ederson, Réver, Damião... São investimentos altos? Razoáveis? Por quê?

Nenhum deles teve investimento de aquisição. Todos esses citados chegaram somente pelo salário, o que no nosso entendimento, caracterizaram-se por contratações de baixo risco e de bom custo-benefício. Nesse ano de 2016 somente tivemos custo de aquisição nas contratações de Alex Muralha, Rodinei, Cuellar, Mancuello e agora Donatti. Mesmo assim, com fluxo de pagamento parcelado.

O Flamengo contratou três jogadores estrangeiros para 2016, Cuellar, Mancuello e Donatti. Como o clube lida com o período de adaptação e de que maneira se programou para pagar aos clubes vendedores, já que, ao contrário de outros reforços, os três foram liberados mediante pagamento de multa rescisória?

Todos esses atletas tem um acompanhamento constante por profissionais do clube durante o período em que estão sem seus familiares na cidade. Somente após esse período de adaptação ao Flamengo e à cidade, acabam trazendo seus familiares para o Rio. Mesmo depois disso, seguimos com o acompanhamento por parte de nosso setor de psicologia para que eles consigam apresentar bom desempenho o mais rápido possível. Como respondi anteriormente, esses atletas citados foram adquiridos, mas com pagamento parcelado, viabilizando o fluxo financeiro do Flamengo.

Com a chegada de Leandro Damião ao Flamengo, muito se falou sobre perda de espaço de Felipe Vizeu. Como o clube encara essa situação?

Nossa ideia sempre foi reforçar o elenco durante a janela de transferências do meio do ano, justamente por entendermos que temos a necessidade de um elenco mais qualificado e numeroso, pois durante boa parte do ano de 2016 não teremos o Maracanã, o que certamente aumenta o risco de lesões e desgastes no elenco. Temos sim uma grande expectativa e cuidado com o Felipe Vizeu, assim como os demais atletas oriundos da Base para que se afirmem sem a pressa que possibilite serem queimados, pois todos eles são patrimônio do Clube. O Leandro Damião é um jogador de grande potencial e experiência, além de ter sido uma boa oportunidade de negócio nesse momento. Vai inclusive ajudar muito na formação do Vizeu, assim como o Guerrero vem fazendo.

GILVAN DE SOUZA/FLA IMAGEM

Rodrigo Caetano na apresentação de Alan Patrick e Ayrton

Rodrigo Caetano, Alan Patrick e Ayrton, em 2015: reforços sem custos além de salário

A folha de pagamento do Flamengo era de quanto em 2015 e chega a qual valor mensal agora, em julho de 2016, depois das contratações?

Não costumamos divulgar os valores de nossa folha de pagamento, mas posso afirmar que, com as entradas e saídas realizadas até esse momento, teremos um aumento mensal médio de aproximadamente R$ 2 milhões até o final de 2016, já com os encargos computados.

Quanto aos critérios adotados para contratar, ou não, seguir orçamento, quais as diferenças entre o trabalho atual e o que desenvolveu em outros clubes?

Sem dúvidas que o Flamengo segue com muito mais rigor o orçamento estabelecido. Digo isso com orgulho porque em muitos clubes se contrata acreditando em receitas futuras e no Flamengo a aprovação da contratação só ocorre baseada nas receitas garantidas. Com isso, temos a tranquilidade de que, após a aprovação do Financeiro e Jurídico, todas as obrigações assumidas no contrato serão honradas e com isso traz uma harmonia maior em todo o elenco, possibilitando assim uma maior cobrança também por parte do Departamento de Futebol.

Diego recebeu ou receberá luvas além dos salários?

Diego tem um contrato de três anos com salários definidos de acordo com a filosofia e orçamento do Flamengo. Nesse período ele vai receber alguns reforços anuais, mediante o atingimento de metas pré-estabelecidas no contrato.

Fonte: Blog Mauro Cezar / ESPN

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