São Paulo, 15 de maio. Garboso e lustrado, o troféu do Campeonato Paulista anda de carro-forte, passa por mãos devidamente protegidas por luvas e chega aos santistas. Rio de Janeiro, 7 de maio. Numa mesa de alumínio semi-enferrujada da rua Belford Roxo, em Copacabana, repousa a Taça Rio, símbolo da conquista invicta do Flamengo no Carioca de 2011. À sua volta, churrasco, com picanha à vontade e cerveja. Empolgados, rubro-negros repetem o gesto de Ronaldinho após a final contra o Vasco e a levantam.
Aquela não foi a primeira parada do troféu naquele sábado. O agito começou mais cedo, com uma aparição na quadra da escola Portela, em Madureira. A vida noturna movimentada teve como guardião o presidente do Conselho Fiscal, Leonardo Ribeiro.
Tal qual uma mãe zelosa que dorme pensando que o filho está no quarto repousando, a presidente Patrícia Amorim surpreendeu-se com a escapadinha e prometeu castigo.
- A informação que eu tenho é que o presidente do Conselho Fiscal pegou a taça sem solicitar à diretoria. Se for provado, ele terá que prestar esclarecimentos ao Conselho Diretor. Não houve autorização, foi à revelia. Para mim, o troféu não tinha saído do nosso acervo – declarou.
Patricia destacou ainda que dois funcionários do clube são especializados no manuseio das taças. Para transportá-la, eles usam luvas e têm procedimentos para que as peças não sofram nenhum dano.
- A Taça Guanabara eu levei para minha casa, e no dia seguinte foi para o acervo. A Taça Rio foi levada pelo Thiago Neves a um programa de TV depois do título, acompanhada pelo Pinheiro (chefe da segurança). Desconhecia o que aconteceu depois.
O chefe de segurança rubro-negro, José Pinheiro, diz que houve autorização. Mas apenas para a visita à escola de samba.
- Sei que a taça foi à Portela. A esse outro evento eu desconheço – declarou.
Ele considerou normal a solicitação do presidente do Conselho Fiscal.
- É costume a taça visitar alguns lugares depois dos títulos. Ele (Leonardo) é presidente de poder e tem direito de solicitar. E alguém autorizou – afirmou.
O GLOBOESPORTE.COM tentou contato com Leonardo Ribeiro, mas o telefone estava desligado.