SANGUE NOS OLHOS

SANGUE NOS OLHOS

Qualquer um que acompanhe o esporte mais popular de um país com mais de duzentos milhões de habitantes tem que estar preparado para opiniões diferentes. E no nosso caso, levando-se em conta que reunimos integrantes de uma torcida com um contingente de praticamente um quinto dessa população, não é diferente.

Só que o fato de lidar com o inevitável não impede que cada um de nós defenda com galhardia suas preferências. Digo isso porque perdi a conta de quantas vezes mantive acalorados debates com amigos queridos que discordavam de algumas das minhas preferências.

Para citar apenas duas delas, responsáveis por visões das mais conflitantes e pelas quais fui muito sacaneado, vou lembrar as sobre Toró e Hernane. É uma visão pessoal, claro, mas a dedicação de ambos me contagiava e as equipes nas quais atuavam, por mais limitações que tivessem, motivavam-me a ir para o estádio, pois tinham CARA de Flamengo.

O torcedor apaixonado, especialmente o do Flamengo, espera ver o cara lá dentro fazendo tudo que ele faria, se em seu lugar estivese. Hernane e Toró me passavam essa sensação. Fosse através do permanente olhar obstinado de um, como a dedicação extrema pela marcação do outro.

Por que lembrei disso? Não chegaria a sugerir que na nossa equipe atual está faltando empenho. Não está! Mas reconheço ainda sentir falta da tal CARA de Flamengo nela, por mais tecnicamente qualificada que seja. Passamos por mudanças drásticas, sem dúvida (no grupo e no comando), mas esperava estar vendo mais (BEM MAIS!), com esse elenco que possuímos.

Não posso exigir de um treinador estrangeiro, que acabou de chegar e mal se faz compreender ainda, uma fórmula mirabolante que nos transforme em time competitivo de uma hora para outra. É evidente que não. Mas me sinto totalmente à vontade para exigir dos nossos jogadores, um nível de competitividade que não vi até agora, e que considero responsável direto pela minha (e de muita gente) falta de identificação com essa equipe.

Sim, não vou negar, gostaria de estar me sentindo mais confiante do que estou, olhando para o elenco mais forte que formamos nesse século. Elenco esse ao qual são oferecidas condições que JAMAIS outro grupo na nossa história recebeu igual.

Vivemos um momento absolutamente decisivo, que começa hoje e se estende pelas próximas semanas, quando decidiremos nossa sorte em 2017, com influência direta sobre 2018. E vamos precisar de MUITO MAIS do que temos visto ultimamente, para evitar outras decepções.

Como já disse aqui outras vezes, NÃO SUPORTO Barbadas e espero TODA seriedade possível no confronto de hoje. Como também espero não ouvir como desculpa o fato de jogarmos na casa do adversário os últimos 90 minutos da decisão da Copa do Brasil, na semana que vem. No nosso caso, isso não serve como argumento.

Já vi o Flamengo ser Campeão Brasileiro vencendo o Grêmio na casa deles. Vi o Flamengo entrar como azarão na final de 92 e enfiar 3 a 0 logo no primeiro tempo contra o favorito Botafogo. Vi o Flamengo ser Campeão da Mercosul contra o Palmeiras, na casa deles, com um monte de meninos em campo. Vi o Flamengo ser Campeão Mundial em cima do Liverpool, quando a mídia internacional inteira os considerava favoritos destacados. E também vi o Flamengo ser Campeão, dessa mesma Copa do Brasil em 2013, quando nem nós mesmos imaginávamos que isso seria possível.

Na maioria dos casos acima, com salários em atraso e sendo obrigados a treinar em um gramado (que lembrava cimento de tão duro) como era o da Gávea.
Não chego a considerar que título seja obrigação, pois em torneios mata-mata existe jogo final e todos nós sabemos perfeitamente que finais são imprevisíveis.

Mas considero obrigação, SIM, que daqui até o final do ano esse grupo nos mostre características que ainda não vimos, como obstinação pelo resultado, personalidade e sangue nos olhos. Predicados indispensáveis para quem pretende realmente ser campeão e entrar para a nossa história.

PRA CIMA DELES, MENGÃO !!!

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