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Século de confusões: Fla aumenta histórico com agressão a André Santos

Protestos com soco em Julio Cesar e bomba na Gávea marcam atrito entre torcedores e jogadores, sobrando até mesmo para o pai de Zinho, em 2004

O atrito entre torcedores e jogadores do Flamengo não é novidade em momentos de crise. Desta vez, com o time na lanterna do Campeonato Brasileiro, a maior vítima foi o lateral-esquerdo André Santos, agredido logo depois da derrota por 4 a 0 para o Internacional, domingo, no Beira-Rio. Mas no Século XXI, o fato tem sido rotina na história do clube, com jogadores de prestígio e status de ídolo.

No desembarque da delegação nesta segunda-feira, os jogadores receberam nova pressão de cerca de 20 torcedores e precisaram de um reforço da segurança para deixar o Aeroporto Internacional do Galeão sem maiores problemas. André Santos não chegou com o grupo, pois viajou a Florianópolis diretamente de Porto Alegre, já que os atletas só voltam a treinar na manhã desta terça-feira.

Protesto torcida desembarque flamengo Galeão (Foto: André Durão)Torcedores do Flamengo protestam diante do ônibus da delegação no Galeão (Foto: André Durão)



Mas em pelo menos cinco oportunidades neste século a torcida do Flamengo já causou tensão entre os jogadores. Em 2002, o time fazia uma campanha muito ruim no Torneio Rio-São Paulo. Em 15 de março, dois dias antes do confronto com o América, integrantes de uma torcida organizada invadiram a Gávea durante um treino munidos de bombas e rojões. Os jogadores ficaram acuados, e o goleiro Julio César chegou a ser atingido com um soco.

Dois anos depois, o goleiro participou de mais um momento de cobrança dos torcedores. No dia 15 de novembro de 2004, a delegação voltou ao Rio de Janeiro depois de uma derrota por 6 a 1 para o Atlético-MG, em Ipatinga. Muitos torcedores foram ao Santos Dumont, e uma agressão ao pai de Zinho iniciou uma grande confusão (veja no vídeo). 

Julio César e o próprio Zinho trocaram socos e pontapés com torcedores. Júnior Baiano e Douglas Silva foram outros com participação ativa no tumulto. O atacante Dill foi atingido por uma lata de cerveja ainda dentro do saguão do aeroporto. Na época, o Flamengo também lutava contra o rebaixamento.

Na temporada seguinte, o lateral-direito Ricardo Lopes tinha sido contratado junto ao Ituano. A péssima campanha do time fez o lateral ser uma das vítimas das ameaças dos torcedores. O muro da Gávea foi pichado pedindo a saída do defensor. Além disso, o atleta alegou que passou a receber ligações ameaçando sua família e resolveu sair do clube.

Na Taça Libertadores de 2007, mesmo em Montevidéu, a torcida do Flamengo chegou a encurralar o time, na época comandado pelo técnico Ney Franco, no aeroporto. Na ocasião, a delegação voltava para o Rio depois de perder por 3 a 0 para o Defensor, que culminaria na eliminação da competição depois de uma vitória por 2 a 0 no Maracanã.

Outra confusão aconteceu em 2008, em agosto. Na ocasião, torcedores jogaram uma bomba no gramado da Gávea durante um treinamento (veja vídeo ao lado). Um grupo de 30 torcedores foi ao local cobrar a queda de produção do time, que havia aberto cinco pontos na liderança do Brasileiro e estava em sexto lugar.

Dininho e Obina chegaram a ser atingidos por estilhaços da bomba. O capitão Fábio Luciano interrompeu a atividade e, acompanhado de Bruno, foi em direção aos torcedores que estavam na grade que separa a pequena arquibancada do campo. Juan e Ibson estavam entre os mais revoltados. Fábio conversou com os torcedores, e depois os jogadores se encaminharam para o vestiário.

Agora, a situação se mantém grave com ofensas direcionadas principalmente ao goleiro Felipe, o lateral-esquerdo André Santos e o técnico Ney Franco. O Flamengo já emitiu nota oficial repudiando as agressões em Porto Alegre e aumentou a segurança na sede do clube. Os próximos jogos dirão até onde pode ir o confronto.

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