Tropeço em casa tumultua ambiente do Fla e afasta Bandeira da torcida

Tropeço em casa tumultua ambiente do Fla e afasta Bandeira da torcida
Presidente deixou o jogo sem falar com os jornalistas (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

O empate por 1 a 1 com o Independiente Santa Fe da Colômbia pela Copa Libertadores, um dia depois de a torcida ter dado uma demonstração de força colocando quase 50 mil pessoas no treino aberto no Maracanã, azedou de vez o clima no Flamengo. Ainda tentando digerir a eliminação para o Botafogo no Campeonato Carioca, a torcida dá sinais de irritação com a apatia do time. Neste cenário, pior para o presidente Eduardo Bandeira de Mello, que está entrando em rota de colisão com a Nação Rubro-Negra.

O presidente deixou o Maracanã sem conversar com os jornalistas. Quando perguntado sobre o motivo, na zona mista, ironizou os críticos.

“Não vou falar porque não entendo nada de futebol”, disse Bandeira, que na véspera já causou revolta em redes sociais ao aparecer em um vídeo abraçando torcedores e ironizando a cobrança por ingressos mais baratos em dia de jogos: “Hoje foi barato”, disse ele ao se referir ao treino aberto, que teve como ingresso um quilo de alimento não perecível.

Na manhã desta quinta-feira, Bandeira sofreu mais um golpe em um ano eleitoral. O dirigente, que não pode tentar um novo mandato, viu os muros da Gávea amanhecerem pichados com pedidos de sua renúncia e da saída do volante Willian Arão e do meia Diego. Nos muros era possível ver frases de efeito como “Não somos empresa”, “Time sem sangue” ou “Queremos Raça”, além de “Fora Arão”, “Fora Diego” e “Fora Bandeira”.

Aliado a esta pressão, Bandeira ainda precisa avaliar a contratação de um novo técnico, pois está cada vez mais convencido que o interino Maurício Barbieri não conseguiria segurar a pressão em caso de futuros tropeços. O rendimento dele em jogos oficiais também não agradou, pois foram dois empates. Antes do duelo com os colombianos o time empatou por 2 a 2 com o Vitória, na Bahia, pela estreia no Campeonato Brasileiro.

Se acumula insatisfação com a torcida, Bandeira também não é bem visto por alguns dirigentes. O ex-presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, pregava contra uma suposta falta de ética do presidente flamenguista devido à ida de Willian Arão para a Gávea. Andrés Sánchez, presidente do Corinthians, também acusou Bandeira esta semana de aliciar o técnico Fábio Carille e o meia Rodriguinho.

Com o clima pesado, o elenco vai se preparar para o duelo contra o América-MG, no sábado, às 19h (de Brasília), no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), pela segunda rodada do Brasileirão. O jogo vai marcar a despedida do goleiro Júlio César. Para este compromisso, o meia Everton Ribeiro, suspenso por ter sido expulso contra o Vitória, fica de fora. Nesta sexta-feira o plantel treina e depois começa o período de concentração.