Volta, Júlio César!

Volta, Júlio César!

Após boas atuações em 2014 e 2015, inclusive pegando muitos pênaltis, o goleiro Paulo Victor perdeu moral com parte da massa rubro-negra em 2016, em decorrência de algumas falhas e lesões. Foi relegado à reserva de Alex Muralha e, neste ano, emprestado (a seu pedido) ao insosso turco Gaziantepspor.

Nesse sentido, Alex demonstrou regularidade e qualidade debaixo das traves em 2016, passando segurança ao torcedor, o que o fez merecer três convocações para a Seleção Brasileira do técnico Tite, a última delas em janeiro (não foi chamado nas demais).

No entanto, ao invés de a ida para a Seleção deixar o atual titular do Flamengo mais motivado e confiante, o que se viu, a partir daí, foram atuações inconstantes, alternando boas defesas com saídas inseguras do gol e nenhum talento para pegar pênaltis.

Desde então, os torcedores debatem nas redes sociais a necessidade de contratar um goleiro para assumir a titularidade, ou, no mínimo, disputar vaga com Alex Muralha, havendo a sugestão de vários nomes, principalmente do veterano Júlio César, cria da Gávea, que fez história na Seleção Brasileira e na italiana Internazionale, e do goleiro Danilo Fernandes, ora contundido, do Internacional, de Porto Alegre.

Outros nomes também são sugeridos, como os de Gomes (Watford-ING), Fábio (Cruzeiro), Alisson (Roma), Walter (Corinthians) e até de times rivais, como Jefferson e Gatito Fernandes (Botafogo) e Martin Silva (Vasco). Ou seja, opções não faltam no mercado, pois me parece temerário lançar o promissor garoto Thiago, atual reserva imediato, já na fogueira da Taça Libertadores da América.

De todo modo, em uma fase que, além de estar contratando jogadores de melhor nível técnico, o Flamengo tem buscado resgatar suas raízes vencedoras, o nome de Júlio César é o preferido de mais de metade dos rubro-negros, consoante revelam recentes enquetes, dando corpo à campanha #VoltaJúlioCésar.

Para os torcedores mais novos, é importante lembrar que Júlio César teve uma carreira curta, mas brilhante no Flamengo, tendo sido, em verdade, um dos grandes heróis do épico Tricampeonato Carioca de 2001.

Zico disse, na época, que ele merecia “duas faixas de campeão”, pois, se o capetinha Edílson fez dois gols e Petkovic cobrou a falta mais linda da história do futebol, Júlio César foi corajoso e fez milagres à queima roupa, se atitando nos pés dos atacantes cruzmaltinos e assegurando o resultado que deu o título ao Mengão.

Na época, impressionaram não apenas as grandes defesas, mas também a frieza, o aguerrimento e a liderança do jovem goleiro, que ajudou a inflamar a corrente dos jogadores à beira do túnel, antes da entrada em campo.

Depois disso, Júlio César ficou por mais três anos no Mengão, tendo chegado à Seleção Brasileiro, em 2004, quando foi herói, juntamente com o Imperador Adriano, da conquista da Copa América sobre a arquirrival Argentina.

O carioca Júlio sempre demonstrou qualidade e paixão pelo Flamengo de seu coração, gritando, chorando e até virando atacante em um Fla x Flu no qual o time se mostrava impotente. Porém, em 2005, o Arqueiro saiu para construir carreira no futebol europeu, triste por não ter conseguido ajudar um Flamengo cujo elenco, que não recebia salários em dia, tinha se tornado muito ruim, com dramáticas lutas contra o rebaixamento.

Ficou também, na lembrança do arrojado Júlio, a mágoa por lamentáveis eventos, como a invasão da Gávea, por 40 vândalos, munidos de morteiros, em 2002, e a noite na qual alguns torcedores se dirigiram ao Aeroporto Santos Dumont, em novembro de 2004, para agredir fisicamente os jogadores após uma goleada para o Atlético-MG.

Posteriormente, em entrevista à Rede Globo, Júlio César se declarou encantado com o respeito que os torcedores europeus tinham por seus ídolos e afirmou, categoricamente, que não pretendia retornar ao Futebol Brasileiro e tampouco ao seu Flamengo, o que, até hoje, causa prevenção contra seu nome por parte da torcida, apesar de Júlio ter abrido, em entrevistas mais recentes, a possibilidade de retorno, tendo chegado a utilizar as dependências rubro-negras, no ano passado, para se recuperar de uma lesão.

A verdade é que o Flamengo precisa urgentemente de um goleiro experiente e com personalidade, e Júlio César é o nome ideal, por suas raízes rubro-negras, pela liderança nata que sempre demonstrou, por sua índole vencedora e pelas condições de ainda atuar em alto nível, mesmo com 37 anos, face às características diferenciadas da posição.

Duvido que Júlio, apesar de muito bem situado na agradável Lisboa, cidade de seu atual time (Benfica-POR), não queira retornar ao seu Rio de Janeiro, também terra natal de sua amada esposa Suzana Werner, e ao seu Flamengo. Duvido que, no fundo, ele não queira que, agora em um time estruturado, seus dois filhos Cauet e Giulia o vejam ser idolatrado pela Nação em um mítico Maracanã lotado. Duvido que ele não queira acrescentar ao seu currículo a Taça Libertadores da América, o Mundial Interclubes, o Hepta e até o Octacampeonato Brasileiro.

Vamos, Diretoria! Camarão que dorme a onda leva! Todo grande time começa com um grande goleiro! Vamos repatriar o nosso antigo Campeão!

Venha, Júlio! Volta, Júlio César! Sua história aqui não terminou e merece ter um final consagrador! O Mengão continua sendo a sua casa e precisamos de ti para reconquistar os grandes títulos!