Zé Ricardo: o preço da teimosia!

Zé Ricardo: o preço da teimosia!

Obviamente, em um regime profissional, a partir do momento que ganha um voto da confiança dos dirigentes, o treinador deve ter autonomia para implantar seus métodos de trabalho e sua filosofia de jogo.

Nesse sentido, o técnico observa, no dia-a-dia dos treinamentos, detalhes que muitas vezes passam despercebidos pela torcida, sobretudo aqueles inerentes à postura de cada jogador dentro do grupo e ao perfil psicológico de seus comandados.

Desta forma, não é salutar que o técnico seja volúvel a opiniões isoladas, eventuais ou minoritárias da torcida ou da imprensa, pois a diversidade e, sobretudo, a passionalidade são características típicas dos aficionados por futebol em nosso País.

É natural a um técnico de personalidade, que queira construir uma carreira de sucesso, ter suas convicções e defendê-las, via de regra, com a devida veemência, até por conhecer mais, como já dito acima, as problemáticas cotidianas.

No entanto, quando muitas vozes se levantam ao mesmo tempo e de forma reiterada contra determinadas escolhas da comissão técnica, convém que o comandante, em um exercício de humildade, reflita sobre suas atitudes.

Mesmo os grandes craques estão sujeitos a fazer um ou outro jogo abaixo do melhor limiar deles. Porém, se determinados jogadores demonstram uma constância de erros e mediocridade, sobretudo em um time com o gigantismo do Flamengo, o técnico, independentemente de serem queridos pelo elenco ou aplicados, deve sacá-los, dando chances efetivas a outros que apresentem boas credenciais.

E dar chances não é testar novos jogadores apenas em jogos secundários, uma vez na vida e outra na morte, como costuma ocorrer com Donatti, Cuéllar e Ronaldo. A maioria dos jogadores só consegue desenvolver um futebol mais eficiente a partir de uma sequência de partidas. Se não tiverem o apoio efetivo do treinador, jogarão de maneira acanhada e pouco confiante.

Quando a convicção é exagerada, vira TEIMOSIA e esta postura, de tentar provar o improvável, na famosa linha “vai ter que me engolir”, se não corrigida a tempo pelo técnico, poderá sujeitar o time a mais eliminações inesperadas, apesar do elenco recheado de opções que a Diretoria conseguiu montar após sanear o Clube.

Ainda quero acreditar em Zé Ricardo, porque entendo que, apesar de inexperiente, é sério e tem potencial. Entretanto, a teimosia precisa dar, urgentemente, lugar ao pragmatismo. Se tantos torcedores e comentaristas, que assistem a todos os jogos, entendem que jogadores como Márcio Araújo e Rafael Vaz têm perfil somente para “compor elenco”, como opção no banco de reservas, é hora de o Zé perceber que precisa arejar sua filosofia e mudar de teclas.

Somos todos rubro-negros, falamos (ou “cornetamos”) pelo bem do time e não queremos pagar um preço alto demais por escolhas errôneas.

Vamos, Flamengo!