Diante de um público de quase 30 mil pessoas, o maior do Maracanã desde o retorno da torcida, o Flamengo reencontrou a massa rubro-negra e também as vaias, especialmente para o técnico Renato Gaúcho. Com um futebol muito aquém do esperado para a qualidade técnica do time e longe do brilhantismo de tempos recentes, a equipe parou na estratégia defensiva do Athletico, não soube segurar o contra-ataque adversário e deu adeus à primeira das três possibilidades de título nesta temporada, com a derrota por 3 a 0, nesta quarta-feira, na semifinal da Copa do Brasil.

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— Entendemos a revolta da torcida. Temos que saber perder e ganhar. Não fomos felizes, perdemos por 3 a 0 e é decepcionante. Esse time sabe se levantar. É ter calma, temos Brasileiro e final da Libertadores. Esse grupo sabe dar a volta por cima — disse Gabriel, que foi econômico ao falar da permanência ou não de Renato Gaúcho.— Isso é com a diretoria, nós só pensamos em jogar. Esse grupo é dedicado, não é uma derrota que vamos jogar tudo por alto. Renato Gaúcho: o craque, o técnico, o carioca de alma e ofício

Ao rubro-negro ainda restam poucas chances de conquista do Brasileiro — menos de 5% — e a aposta principal de Renato Gaúcho é a final da Libertadores, só daqui a um mês contra o Palmeiras, em Montevidéu.

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Até lá, o treinador terá de recuperar jogadores, como o uruguaio Arrascaeta, e o brilho do time, que não consegue fazer uma sequência de boas atuações e de repetições de times, como sempre salienta Renato Gaúcho. Mas também será necessário um esquema de jogo firme, que não seja apenas colocar mais homens de frente e bola lançada na área.

Será fundamental retomar a posse de bola aliada à pressão ofensiva a qual a torcida se acostumou com Bruno Henrique e Gabigol, que voltaram a jogar juntos depois de um mês. Algo que faltou durante todo o primeiro tempo, principalmente. Assim como a cabeça no lugar nos momentos mais adversos.

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Sem o futebol e a técnica fluindo como esperado, a ansiedade se sobrepôs na maior parte do primeiro tempo. A torcida tentava empurrar, mas o gol tomado logo aos 8 minutos só colocou mais pressão nos donos da casa. Justamente o jogo predileto do Athletico, que precisava de uma ou duas chances no contra-ataque para fazer jogar a responsabilidade nos ombros do Flamengo.

Num lance sem discussão, mas que levou alguns minutos para ser marcado com o auxílio do VAR, Filipe Luis derrubou Kayser na área. Nikão cobrou no canto esquerdo de Diego Alves, que acertou o lado, mas não chegou a tempo.

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Ainda assim, nas estatísticas, lá estava o domínio da bola do Flamengo. Mas pouco se concretizou em chances reais de gol. A defesa bem postada do Athletico conseguiu interromper todas as linhas ofensivas do rubro-negro carioca.

Se a estratégia dos paranaenses comandados por Alberto Valentim dava certo, a do Flamengo se mostrava infrutífera justamente por não respeitar o que o time tem de melhor. Num primeiro tempo concentrado no meio-campo, em mais uma noite ruim de Diego, a equipe parecia e estava perdida sem usar sua velocidade pelas pontas.

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Uma ou outra chance que sequer animava a torcida, que àquela altura já estava apreensiva. Mal teve tempo de comemorar pênalti marcado em Bruno Henrique, logo desmarcado após auxílio do VAR. Os torcedores mal sabiam que o nervosismo aumentaria ainda no fim do primeiro tempo, que teve 10 minutos de acréscimo por tanta paralisação.

O time desarrumado no ataque era o mesmo da defesa. Em uma jogada que começou num erro de Arão no ataque, o Athletico nem precisou de tanta precisão para chegar à frente de Diego Alves, que viu a bola de Nikão passou por baixo do seu corpo.

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Renato Gaúcho lançou mão de sua peça favorita: Michael. No lugar de Diego, de fato, ele alterou a dinâmica do jogo. Mais aberto, o Flamengo fez o que se esperava: sufocou o adversário. Mas o goleiro Santos impediu o gol duas vezes logo no início da etapa final. Ali, pode-se dizer que a derrota estava configurada. Michael ainda teve a chance de um golaço, driblando parte do adversário, mas a bola ficou no travessão.

Mas era só isso que o Flamengo, que terminou o jogo totalmente desfigurado taticamente, tinha a oferecer: jogadas individuais. O Athletico nada tinha a ver com isso, e usou sua arma para encerrar o jogo. Num contra-ataque, Zé Ivaldo fez o terceiro.

Num jogo coletivo, é pouco para ser campeão.