Marcos Braz voltou a falar sobre os episódios que marcaram sua gestão no Flamengo e admitiu arrependimentos. Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 23/01/2026, o ex-vice-presidente de futebol — agora no Remo — detalhou a demissão de Rogério Ceni, comentou a saída de Jorge Jesus e afirmou que boatos interferiram diretamente na tentativa de renovar com Gabriel, o Gabigol.
Arrependimento pela demissão de Rogério Ceni
Sobre Rogério Ceni, Marcos Braz foi enfático ao reconhecer que a saída do treinador foi um erro pessoal e administrativo. Para a Nação, suas palavras soam como uma confissão que tenta explicar a tensão entre decisões repentinas e coerência de gestão.
“Depois, mais à frente, eu errei ao tirar o Rogério naquele momento. Eu me arrependo muito de demitir e não fui coerente. No futebol, você pode errar ou acertar, mas não pode ser incoerente”
Braz lembrou que chegou a manter Rogério Ceni mesmo com pressão da torcida, que pedia a demissão dos dois. Segundo ele, o treinador pediu para sair em mais de uma ocasião, foi convencido a permanecer e conquistou títulos relevantes antes de a situação se desgastar internamente.
“Segurei o Rogério antes de ser campeão, com a torcida pedindo para me demitir e demitir ele. Ele me pediu demissão duas vezes, convenci a seguir, fomos campeões no Morumbi. Depois disso, veio o título brasileiro, a Supercopa, o tricampeonato estadual, e mais à frente, por questões internas e pressões, eu demiti”
O impacto da saída de Jorge Jesus
Ao falar da saída de Jorge Jesus, Marcos Braz deixou claro que tinha noção do impacto esportivo que a perda da comissão técnica poderia causar. Mesmo definindo a saída como algo desejado pelo próprio técnico, reconheceu que o Flamengo perdeu um conjunto que vinha entregando títulos importantes.
“A saída do Jorge Jesus, mesmo não tendo uma turbulência muito grande, porque a culpa não era nossa, era um desejo dele, eu tinha a noção exata do que estava acontecendo. Sabia o que era perder uma comissão técnica do jeito que estava jogando, campeã da Libertadores e do Brasileiro. Não foi a maior crise, mas eu tinha dimensão do que aquilo representaria, inclusive para mim como vice-presidente”
Para a torcida rubro-negra, as palavras de Braz reforçam que decisões tomadas naquele período tiveram efeitos de médio prazo no planejamento do elenco e na estabilidade técnica. O dirigente reconhece limitações e admite que a sequência de episódios acabou influenciando escolhas seguintes.
Gabigol: negociações, boatos e o fim de um ciclo
Marcos Braz também abordou a saída de Gabriel Barbosa no fim de 2024. Segundo ele, a renovação chegou a ser conduzida pelos setores responsáveis, mas boatos e notícias falsas atrapalharam o desenrolar do acordo — circunstâncias que, na visão do dirigente, mudaram o rumo da negociação.
“O Gabriel sabe a verdade. A negociação feita, todos os trâmites, e previamente passou pelos setores que deveriam passar no clube. Feita uma covardia de alguns vagabundos que falaram que eu fechei um número sem estar autorizado e o Landim não assinou, e eu não podia me defender porque teria que dar detalhes em algumas situações e fiquei quieto”
Braz afirma que o departamento de futebol seguiu o procedimento habitual para renovação, mas que houve um momento em que entenderam por não seguir adiante. O desfecho foi a transferência de Gabigol para outro clube após conquistas que marcaram seu ciclo no Flamengo.
“O tempo passando, a coisa não se concretizou e deu o desfecho que deu. O que posso falar é que o departamento de futebol do Flamengo fez todos os trâmites de renovação de um contrato como sempre fez em seis anos. Chegou a um momento e a determinada situação que entendiam que não teriam que renovar e andar para frente com o que autorizado e isso que aconteceu”
As declarações de Marcos Braz reacendem o debate entre coerência de gestão e pressão externa — seja da torcida, da mídia ou de boatos — e mostram como decisões internas acabam tendo efeito direto no elenco e nos resultados. Para o torcedor do Flamengo, as falas servem tanto para revisão de episódios passados quanto para reflexão sobre como o clube deve agir em momentos de crise.
Mesmo agora no Remo, Braz carrega no currículo um período de protagonismo no Flamengo. Suas palavras colocam luz sobre escolhas que marcaram uma era recente do clube e abrem espaço para que a Nação entenda parte dos bastidores que culminaram em decisões contundentes.
Jornalista esportivo, cobre o Flamengo há anos e produz conteúdos sobre o cotidiano do clube, jogos, estatísticas e informações do futebol brasileiro e internacional.