Marcos Braz reafirmou que seu ciclo no Flamengo está encerrado e fez um balanço aberto sobre a trajetória que o tornou um dos dirigentes mais vitoriosos do clube. Hoje dirigente do Remo, ele relembrou a coleção de títulos conquistados pelo Rubro-Negro, apontou o que ficou faltando na sua carreira e falou sobre a convivência com duas referências de ataque: Gabriel Barbosa e Adriano.
Ciclo encerrado e o título que faltou
Em declaração clara, Marcos Braz disse não ter intenção de alimentar especulações sobre um retorno ao Flamengo. Para o dirigente, o período de grande vitrine e conquistas está concluído, apesar de reconhecer um arrependimento pessoal: a ausência do título mundial em sua lista de conquistas.
— Uma vez, eu falei que ficou faltando um título meu no Flamengo, que é o de campeão do mundo. É capítulo encerrado, ciclo encerrado, sou bem comigo em relação a isso… Falar que eu voltaria ou não (ao Flamengo) é muito raso. Eu fiquei com um título que poderia ter ganhado e não ganhei. O resto eu ganhei sem exceção. Estadual, Brasileiro, Supercopa, Recopa, Libertadores -, disse, antes de finalizar:
— Todos os títulos mais de uma vez para não falarem que é sorte. Eu ganhei em 2009 com sorte, aí ganhei em 2019 também com sorte. Ganhei com estrutura e dinheiro, mas ganhei sem estrutura e com salário atrasado. Aí, para resolver a vida, fui para o Remo e subi com o Remo para dar tudo certo -, disse, em entrevista ao GE.
O tom de Braz mostra combinação de orgulho pelos resultados com pragmatismo ao aceitar que capítulos se encerram. Para a torcida do Flamengo, essas palavras reforçam a dimensão do legado que ele ajudou a construir: uma era com múltiplos troféus nacionais e internacionais.
Gabigol e Adriano: personalidades distintas, atenção contínua
Ao comentar a relação com atacantes de grande personalidade, Marcos Braz desenhou contrastes entre Gabriel Barbosa, mais recente fenômeno da torcida, e Adriano, ídolo de outra geração. Segundo ele, ambos precisaram de tratamento diferenciado, cada um por motivações próprias.
— O Gabigol nunca chegou atrasado a um treino, não me recordo. Treinava muito e era o último a sair. Talvez para não ser injusto nessa comparação, talvez o Gabriel seja o mais difícil pelo mundo atual, pela exposição que vivemos hoje. É o mundo da tecnologia, das filmagens, das redes sociais -, destacou Marcos Braz, que acrescenta:
— Eu fiquei mais tempo com o atacante. É mais do que natural o jogador me dar mais trabalho porque fiquei mais tempo com o centroavante. Mas eu sempre tive facilidade na tratativa com esses profissionais -, afirmou ao ‘GE’
Ao optar por observar as diferenças geracionais e o peso das redes sociais, Braz reconhece que o ambiente atual traz desafios novos para a gestão de estrelas — um ponto que influencia tanto a rotina do clube quanto a imagem pública dos atletas.
Remo, promoção e os reflexos no Flamengo
Desde que deixou a vice-presidência de futebol do Flamengo, Marcos Braz aceitou o desafio de atuar no Remo e teve êxito ao conduzir o time para a Série A em 2025. A mudança de cenário consolidou sua afirmação de ciclo encerrado no Rubro-Negro e mostrou que a experiência do dirigente se estende além dos grandes centros.
No Flamengo, a saída de Braz abriu espaço para a entrada de José Boto no departamento de futebol. Enquanto isso, a Nação acompanha a temporada do clube, que segue em busca de resultados no Campeonato Carioca e em outras competições, com a marca do período de conquistas de Braz ainda presente na memória dos torcedores.
Estudante e colaborador em produção de conteúdo esportivo. Torcedor do Flamengo, participa da criação de textos sobre partidas, elenco e atualizações do clube.