Bap detalha gestão e pilares do Flamengo: bônus, inspiração e crítica a gramados

Luiz Eduardo Baptista (Bap), presidente do Conselho de Administração do Flamengo, concedeu uma série de entrevistas ao jornal espanhol Diário AS nas quais detalhou pilares da gestão que, segundo ele, transformaram o clube em uma potência econômica e esportiva na América do Sul. Em suas declarações, Bap abordou desde a política de bonificações a funcionários até a crítica ao uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro, passando pela inspiração em modelos europeus de gestão.

Reconhecimento e bonificação aos funcionários

Em janeiro, o Flamengo concedeu uma bonificação a todos os seus colaboradores — uma medida inédita e sem obrigação legal ou contratual. Segundo Bap, cada funcionário recebeu, no mínimo, o equivalente a um salário mensal como reconhecimento pelo esforço coletivo que contribuiu para os resultados expressivos da temporada de 2025, que incluiu os títulos do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores e do Campeonato Carioca. Essas conquistas geraram receitas de premiações que permitiram ao clube compartilhar ganhos com toda a equipe.

A revolução financeira rubro-negra e a inspiração catalã

Bap atribui a si um papel inicial na chamada revolução financeira do Flamengo, situando o ponto de partida em 2010, quando atuava como presidente da Sky no Brasil e patrocinava o basquete rubro-negro. Ele afirma ter sido motivado pela leitura do livro de Ferran Soriano, A Bola Não Entra Por Acaso, e pela reestruturação do Barcelona liderada por Soriano e Joan Laporta. “O modelo, a inspiração, foi 100% o Barcelona”, disse, e aponta paralelos entre a crise enfrentada pelo Barcelona no início do século e o caos financeiro do Flamengo antes de 2013.

Segundo Bap, essa inspiração ajudou a construir um modelo de gestão profissionalizado e sustentável, que privilegiou planejamento financeiro e institucionalização, criando as condições para o crescimento de receitas e a consolidação do clube em nível continental.

Crítica aos gramados sintéticos e defesa do espetáculo

Um dos pontos mais enfáticos da entrevista foi a posição contrária ao uso de gramados sintéticos. Bap criticou clubes que mantêm campos artificiais por conta de shows e receita paralela, afirmando que essas instituições “estão no negócio errado” e deveriam se dedicar ao show business, se for esse o foco. Para ele, está em risco a integridade física dos atletas e a qualidade do espetáculo quando se abre espaço para pisos artificiais nas competições oficiais.

O dirigente disse ainda que, enquanto presidente do Flamengo, o Maracanã será preservado para o futebol, e que a prioridade deve ser a segurança e o espetáculo esportivo. Bap citou o investimento do Flamengo e do Fluminense na manutenção de gramados naturais de alto padrão, estimado em cerca de R$ 45 milhões por ano para mais de 80 partidas, e defendeu que a diferença de tipo de campo não pode servir de vantagem competitiva injusta — clubes incapazes de manter gramados naturais deveriam ter sua participação na Série A reavaliada.

Causas da crise em outros clubes

Bap também comentou as razões pelas quais muitos clubes brasileiros enfrentam dificuldades financeiras. Segundo ele, o problema está na aposta excessiva em resultados esportivos imediatos, com gastos elevados sem garantias de retorno. Essa estratégia torna as instituições vulneráveis a quebras financeiras quando os títulos ou receitas esperadas não se concretizam. Para o dirigente, gestão rigorosa e planejamento de longo prazo são essenciais para evitar ciclos de endividamento e insolvência.

Visão de futuro e foco no campo

Ao descrever o Flamengo como a “Disney do Futebol” pela sua estrutura e receitas, Bap destacou que a estabilidade financeira permite ao clube manter o foco nas conquistas esportivas sem que a pressão por resultados comprometa o planejamento. O dirigente enfatizou o compromisso com fair play financeiro e esportivo e com regras claras para o desenvolvimento do futebol nacional.

O Flamengo segue com os compromissos da temporada, entre eles o duelo contra o Botafogo no domingo, dia 15, pelas quartas de final do Campeonato Carioca, no Estádio Nilton Santos. A liderança administrativa, segundo Bap, busca conciliar sustentabilidade e competitividade para manter o clube entre os principais da América do Sul.