“Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnico, nem de nada. Bastará a camisa, aberta em arco. E, diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra, pendurada na área ou no centro do gramado, se bastará.”
— Nelson Rodrigues
Queridos amigos, essa colocação de um dos maiores pensadores brasileiros da história, que sequer era torcedor do Flamengo, nos faz refletir sobre o quanto é pesada a camisa rubro-negra.
Tudo no Flamengo vira notícia. Quando há paz, do nada surge uma crise. O Flamengo espirra e o futebol brasileiro fica resfriado.
Grandes jogadores, muitas vezes, não conseguem render aqui porque não têm a dimensão da pressão que é vestir essa camisa. Tudo é ampliado para o bem ou para o mal: é sempre 8 ou 80, céu ou inferno, rumo a Dubai ou “troca tudo, porque ninguém presta”.
Não somos apenas uma torcida, mas uma Nação apaixonada e vibrante por essa camisa rubro-negra, independentemente de quem a vista. A paixão pelo Flamengo une pessoas de diversas classes sociais: pobres e ricos, brancos e negros, pessoas de direita e de esquerda, evangélicos, católicos, espíritas e tantos outros. Essa pesada camisa do Flamengo nos une acima de qualquer diferença.
Recentemente, foi divulgado que o valor arrecadado anualmente com patrocínios do nosso Manto Sagrado é de aproximadamente R$ 467,6 milhões. A camisa do Flamengo gera mais receita do que a de 14 clubes da Premier League e vale mais do que a do Atlético de Madrid.
Esse valor se aproxima da receita bruta somada de Chapecoense, Coritiba e Remo, que juntos alcançam cerca de R$ 514 milhões. Já o nosso principal adversário da atualidade arrecada aproximadamente R$ 215 milhões — menos da metade do que arrecadamos.
Então você acha que toda essa quantia, pela qual empresas disputam espaço em nosso uniforme, é por acaso?
Claro que não.
HISTÓRIA DE RAÇA, AMOR E PAIXÃO
Há alguns meses, estive na casa de meu pai, que foi quem me apresentou ao Flamengo e que sempre me levava ao Maracanã quando podia. Em uma conversa, ele relembrou um jogo que ficou marcado em sua memória.
No dia 20 de janeiro de 1982, no Maracanã, o Flamengo estreava no Campeonato Brasileiro daquele ano do bicampeonato. Era também a primeira partida no estádio após a conquista do Mundial Interclubes de 1981, no Japão.
Naquela ocasião, o São Paulo abriu 2 a 0, com dois gols de Serginho Chulapa. Mas o nosso Mengão, mesmo desfalcado e com um jogador a menos — Tita foi expulso ainda no primeiro tempo —, reagiu e virou a partida com um gol de Andrade e dois de Zico.
Aquele jogo entrou para a história como uma das maiores viradas do clube e simbolizou o espírito da equipe de 1982, que mais tarde conquistaria o bicampeonato brasileiro.
Por isso, aquela derrota por 3 a 0 para o RB Bragantino representou uma afronta à nossa história de raça, amor e paixão. Foi uma atuação incompatível com a grandeza da camisa do Flamengo.
Com todo o respeito ao adversário, a forma como perdemos não condiz com a nossa tradição. E a brilhante declaração de Jorginho, afirmando que não merecíamos aquilo, apenas reforça sua liderança e identificação com o clube. Na minha opinião, ele reúne todas as credenciais para usar a braçadeira de capitão.
CONCLUSÃO
É justamente nesse espírito aguerrido do time de 1982 — e também na entrega demonstrada por jogadores como Varela — que desejamos ver os atletas do Flamengo entrarem em campo.
Queremos jogadores que vistam essa camisa com orgulho, conscientes de que representam uma Nação gigantesca, carregada de história, tradição e paixão.
Que os adversários sintam o peso dessa camisa ao entrarem em campo. Que enxerguem um Flamengo forte, alinhado com uma Magnética pulsante nas arquibancadas e empurrando o time durante os noventa minutos.
Essa é a camisa do Flamengo: do asfalto e do morro, de Deus, do povo e do nosso coração.
Atualmente, somos o clube brasileiro com mais títulos da Libertadores, e não tenho a menor dúvida de que, em breve, seremos também o maior campeão isolado da competição.
Mas, para isso, será necessário muito mais transpiração do que inspiração. Talento nós temos de sobra. Basta que nossos jogadores entendam a responsabilidade de vestir esse manto e transformem qualidade em conquistas.
Também desejo que os reforços, sejam eles badalados ou não, compreendam rapidamente o tamanho do desafio que é jogar no Flamengo e que não sintam o peso dessa camisa. Comentem abaixo quais reforços vocês gostariam no Mengão?
Wesley foi um grande exemplo de superação. Evoluiu, conquistou seu espaço e tinha tudo para ser um dos melhores laterais desta Copa do Mundo, não fosse a infelicidade de seu corte. Força ao cria!
Por fim, dentro da couraça dessa pesada camisa que, como dizia Nelson Rodrigues, “enverga varal”, bate mais forte o coração do rubro-negro da Gávea.
SRN! 🔴⚫

Fabio da Silva Gonçalves, casado, pai da Lorena, mora atualmente em Rio das Ostras RJ, Pastor auxiliar da ADVEC, Engenheiro, Professor concursado da FAETEC, estudou na Universidade Estácio de Sá, UCAM e Fasul, Mestrando em Ciências da Educação na UAP, foi figura assídua do Maracanã e tem como um dos maiores orgulhos de sua vida ser colunista do MELHOR site sobre Flamengo da Internet. O Flamengo RJ.