A retomada da Copa
Finalmente estreamos na Copa do Brasil, este torneio que eu, particularmente, acho uma delícia vencê-lo, mas que, sabidamente, não é a preferência da temporada. Nossa estreia teve sabor de Brasileirão: valeram os três pontos. Mesmo em meio a boas partidas, uma coisa que tem me preocupado no Flamengo é a dificuldade de transformar o domínio e as chances criadas em gols. E isso vem desde o ano passado ou retrasado – ou re-retrasado. Imagina se a coisa fosse pior, pois, ainda assim, temos o melhor ataque, ou um dos melhores, da temporada. Contra o Vitória, este time de notório senso cromático que adora perder da gente, seja de um ou de oito, buscamos o terceiro gol, mas não deu. Perder de 2×1 foi uma vitória para o Vitória, que deixa o confronto em aberto para o Barradão. Como abuso de direito também é ato ilícito, nos termos do art. 187 do Código Civil, cometeram abuso do direito de perder gols: Cebolinha, dois; Pedro, dois; Arrasca, um; Samu Lino, um; Emerson Royal, zero, pois só de entrar em campo já é um ato ilícito. Quem mais?
Gostaria de destacar a inquestionável ascensão do nosso jovem Evertton Araújo, que vinha adquirindo confiança em chutar de fora da área, até que, pimba!, fez o dele. Saúl, como sempre, também entrou bem. Já Léo Ortiz, a meu ver, teve uma atuação assustadora, mas ressalvo que estava atuando em posição invertida. Não seria o caso de ter entrado com o Vitão ao lado do Danilo, Seu Léo Jardim?! E o Luiz Araújo… bem, toda vez que o Araújo tenta mostrar que não é um jogador de 2º tempo, mais ele acaba comprovando que é um jogador de 2º tempo. Gosto muito dele, mas ele tem essa mácula, sim, senhor.
Mesmo com o confronto em aberto, dada a nossa superioridade, é difícil crer numa zebra no Barradão; embora possível, improvável. Assim, vamos em frente nas competições mais importantes e depois voltamos as atenções à Copa do Brasil.
A Ilha de Paquetá e a Praça da Bandeira
Mais uma grande partida do nosso Mengão contra o Bahia, no último domingo, com direito a aplausos ao nosso querido Everton Ribeiro, jogador que tem o carinho da nossa torcida pelos excelentes serviços prestados, um Gerson do avesso, e a uma bela homenagem ao Oscar Schmidt. Uma pena que, estupidez da regra à parte, faltou bom senso ao árbitro ao aplicar cartão amarelo para o Arrasca pela homenagem. As regras e as leis não são um fim em si mesmas e por isso temos seres humanos e IA’s para interpretá-las e aplicá-las com razoabilidade (ao menos em tese), o que faltou ao soprador de apitos.
Para se ter uma ideia da importância da vitória, o Bahia era o melhor visitante do campeonato. Foi uma partida boa de se ver, pois, afinal, o Flamengo puxa o nível do jogo e os adversários para cima, diferente de times catimbeiros e reativos que vemos por aí. Se o Pedro metesse aquele gol por cobertura, era para edificar uma estátua do Pedreira nalgum canto ali na Praça da Bandeira. Mesmo com o jogo em aberto quando o placar estava 1×0, o Mengo parecia mais próximo do segundo gol do que o Bahia do empate. E, pelo desenho do jogo, o segundo gol mataria, e matou, a partida. Desperdiçamos muitas chances (também), a maioria por falta de sorte ou de um capricho a mais. Dizer que perdemos mais uma chance de aplicar uma goleada não é delírio de torcedor.
Gostaria, no entanto, de enfatizar outra grande partida de um jogador, em especial: Lucas Paquetá. Parece um consenso que Paquetá é titular absoluto – embora, repito, o conceito de titular x reserva no Flamengo seja mero papel. Paquetá tem sido mais objetivo do que quando exagerava nas gracinhas, o que me incomodava. Foi coroado, mais uma vez, com um gol, em linda jogada envolvendo Nico e Saúl. Como não conseguimos ter 100% de paz nunca, Paquetá está sendo desfalque por, pelo menos, dez dias. Fiquei bem receoso quando ele saiu machucado de o troço ser sério. Dos males, o menor.
E o menor é nosso próximo oponente: o Atlético/MG, o mau perdedor, o Botafogo sem praia, o time que conquista um título brasileiro a cada meio século, o time da rivalidade unilateral e da pobreza de espírito, que tentou diminuir nosso título no Galinheiro, em 2024, com algumas presepadas. Por favor, Flamengo, não me decepcione no próximo domingo. Eu detesto perder para esses caras e somos muito, mas muito mais time!
Nunca pergunte…
Nunca pergunte a um homem o seu salário; a uma mulher, a sua idade; ao Zico, quem é o artilheiro do “Novo Maracanã”. Isto porque Zico está certo: não existe “Novo Maracanã”. Existe o Maracanã e ponto final. Quantas mil reformas o ex-Maior do Mundo não teve? A cada reforma, não dá para zerar a contagem. Zico é o rei et c’est fini!
“A vida é aquilo que acontece entre dois jogos do Flamengo”
Uma singela homenagem a esse rubro-negro que tinha o dom da escrita e das palavras:
Isto posto,
SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS.

Ricardo Santoro Nogueira, 39 anos, casado, nascido em Brasília/DF, é advogado e exageradamente flamenguista. Herdou de seu pai este viciante hábito de ocupar 90 min. assistindo ao Mais Querido. É fã de Zico, Adriano, Arrascaeta e Bruno Henrique, entre outros que também mereceriam destaque. Quase morreu em 2019, mas passa bem.