Um time em declínio físico. Que ainda depende do talento de seus principais jogadores em sua melhor forma. E um sistema de jogo que ainda não passa confiança, sobretudo na parte defensiva. Assim o Flamengo de Paulo Sousa interrompeu a sequência de vitórias que lhe dava até agora aproveitamento de 100% na Libertadores. Depois de um momento de ascensão, sobretudo pelas atuações contra São Paulo e Palmeiras, o viéis é de nova queda de desempenho individual e coletiva.

O empate em 2 a 2 com o Talleres na Argentina veio quando a equipe entrava em campo com a sua formação mais próxima do ideal. E justamente quando o trio defensivo e o quarteto ofensivo se juntaram, a lesão de Pablo acendeu um alerta importante. Já são nove jogadores fora de ação por problemas físicos. E uma produção aquém dos que sobraram, demonstrando novamente que o elenco não é tão qualificado assim.

Quando precisou de suplentes, apenas Pedro, autor de um dos gols, além de Arrascaeta, corresponderam em lances isolados. Os demais, como Éverton Ribeiro, Bruno Henrique e até Gabigol, oscilaram nas últimas partidas. E não houve reposição. Ainda que a maioria tenha sido poupada domingo na Copa do Brasil, o quarto jogo do torneio sul-americano foi a pior atuação na fase de grupos.

Na próxima semana, o rubro-negro terá pela frente a Universidad Católica, no Maracanã, seguido pelo jogo derradeiro até as oitavas, contra o Sporting Cristal. Antes, volta atenções para o Brasileiro, domingo, contra o Botafogo, em Brasília. O técnico Paulo Sousa já sabe que não terá os nove jogadores machucados e ainda avisou que Ayrton Lucas, Filipe Luís e Pedro se queixaram de dores. Ou seja, há chance de novos poupados.

— A nossa equipe, dentro do que foi a circunstância do jogo, acho que estamos todos de parabéns, sobretudo aos atletas que entraram. Eles deram maior qualidade para podermos empatar e pensar em ganhar — afirmou o treinador.

Em campo, o Flamengo se desmontou quando perdeu o zagueiro Pablo, com problema muscular logo no início, e precisou se reinventar. Após um primeiro tempo sem finalizações e participação tímida do quarteto ofensivo, restou se arrumar para se defender com Arão recuado, o que aconteceu de forma desorganizada.

A entrada de Andreas Pereira para jogar ao lado de João Gomes deixou a equipe sem pegada na marcação e sem poder de fazer a transição ofensiva. Assim como outros, Éverton Ribeiro demonstrou a falta de intensidade comum em 2022, e não conseguiu carregar o time ao ataque como em partidas anteriores. Ainda no primeiro tempo, o capitão recuou bola de cabeça errada, e no cruzamento Arão desviou, contra.

O Flamengo se defendia com a linha de quatro formada por Isla, Arão, David Luiz e Filipe Luís. Na frente deles, Gomes, Andreas e Bruno Henrique. Adiante, Ribeiro, Gabi e Arrascaeta. Na frente, Gabigol e Bruno Henrique receberam poucas bolas em condições de finalizar e igualar as ações. Ambos recuavam para tentar promover o avanço de meias, também em vão. Arrascaeta e Ribeiro não conseguiam receber dos volantes, e tinham que buscar a bola muito atrás. Bruno Henrique, que retornou recentemente de lesão, também não teve a potência costumeira para ir ao fundo. O jogo ficou previsível. Quando o Talleres subia a pressão da marcação, não havia saída de bola coordenada.

No segundo tempo, o Flamengo tentou imprimir um ritmo mais intenso. Após receber de Isla na intermediária, Arrascaeta achou chute raro e deixou tudo igual. A reação foi abafada. O Talleres seguiu em alta pressão e forte marcação. Avançou pelo meio e em toque entre os zagueiros ampliou, aos 11 minutos. A equipe argentina, lanterna na Liga local, passou a se dedicar à Libertadores. E exigiu do Flamengo o que o time não estava preparado para suportar.

Mal de novo, Andreas Pereira ficou observando Godoy avançar em direção a área sem dar o bote, e Santos recebeu atrás da zaga e fez o segundo gol argentino. Paulo Sousa notou a dificuldade da equipe e colocou Pedro e Lázaro, tirando Gomes e Éverton Ribeiro. Deu certo. Na primeira jogada, Gabigol recuou e deixou o centroavante atacar o espaço, onde recebeu bola enfiada e tocou na saída do goleiro.

O goleiro Santos ainda teve boa participação para segurar o empate, que não pode ser considerado ruim, até pela reação e pela posição no grupo, mas que veio em atuação preocupante. Para os próximos jogos, o rodízio implementado por Paulo Sousa deve seguir seu curso, com avaliação diária da condição dos atletas. Até agora, o foco tem sido deixar a força máxima para as partidas da Libertadores, com alterações no Brasileiro. É possível que essa dinâmica se mantenha nas próximas partidas, e o Flamengo vá alternando o time ainda refém dos problemas físicos que não consegue conter em um calendário apertado.