Em dois meses e meio no Flamengo, o técnico Rogerio Ceni coleciona substituições um tanto questionáveis. As mais recentes aconteceram na derrota para o Atlhetico no domingo, que deixou o time na dependência de outros resultados na briga pelo título. A incoerência ao longo do jogo foi o que mais causou críticas entre os torcedores.

Leia mais: No America, Richarlyson reflete sobre carreira: 'Vocês sabem o que enfrentei fora de campo, me enojava'

Sem o poderio ofensivo da dupla Gabigol e Bruno Henrique, suspenso, o treinador optou por Vitinho na ponta esquerda, posição pouco confortável ao jogador, que já mostrou ser mais útil por trás dos atacantes, como "dublê" de Arrascaeta. O argumento de Ceni era que Gabigol e Pedro, artilheiro do time no Brasileiro, não renderiam juntos.

A escolha de Ceni teve um preço. Vitinho rendeu bem abaixo do esperado, mas mesmo assim ficou em campo até quase o fim da partida. O técnico preferiu tirar Gabigol, quando o jogo estava empatado, e colocar Pedro. Ainda mexeu em toda estrutura ofensiva nos minutos seguintes, com Pepê na vaga de Everton Ribeiro e Rodrigo Muniz no lugar de Arrascaeta.

Análise:Fluminense vence o Botafogo em clássico que 'não é para adolescentes', diria Felipe Neto

Na nova formação, lá estavam dois centroavantes lado a lado, Pedro e Rodrigo Muniz, o que fez aumentar o questionamento a Ceni. Na entrevista coletiva, ele argumentou que Muniz ajuda na recomposição do time, algo que Pedro e Gabigol não fazem. Porém, eles nunca foram testados juntos nos treinamentos.

Não é a primeira vez que as substituições de Ceni envolvendo alguns desses nomes causam espanto. Contra o Ceará, a polêmica já estava formada antes do jogo ao escolher Pedro no ataque no lugar de Gabigol. Durante o jogo, com o Flamengo perdendo por 1 a 0, o técnico promoveu uma série de mudanças que também mudaram a estrutura da equipe. Vitinho atuou como lateral-direito no lugar de Isla; o meia Diego substituiu Gustavo Henrique, empurrando Willian Arão para a zaga; Gabigol ficou no lugar de Everton Ribeiro e Muniz, daquela vez, entrou na vaga de Pedro.

Thales Machado:Abel Braga, do luto à alegria em reviravoltas improváveis no Internacional

A convicção em não colocar Pedro e Gabigol juntos vem sendo uma constante. Contra o Fluminense, no início do mês, novamente um teve de sair para o outro entrar. Naquele caso, Gabigol deixou o campo para o artilheiro do time. Além disso, Ceni tentou chacoalhar a equipe com trocas pouco comuns. Tirou o zagueiro Natan, colocou Diego e puxou Arão para zaga do time. O tricolor venceu de virada.