Atento às indenizações, Flamengo se cerca de especialistas e freia novos investimentos no futebol

Atento às indenizações, Flamengo se cerca de especialistas e freia novos investimentos no futebol

Com as 10 vítimas fatais sepultadas e o quadro dos feridos melhorando dia após dia, o Flamengo e seu gabinete de crise trabalham com duas prioridades: dar respostas às autoridades nas investigações e indenizar as vítimas. O clube se antecipou à Defensoria Pública, contratou um mediador e vai tentar buscar acordo com as famílias para evitar ações judiciais.

Apesar de considerar que não tem responsabilidade direta pelo incêndio no Ninho do Urubu, o Flamengo entende que tem obrigação legal e moral com os familiares das vítimas, todas menores de idade. O clube ainda não sabe quanto terá de desembolsar com indenizações, mas a ordem é frear investimentos no futebol.

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Após um início de ano com investimentos pesados no elenco, o Flamengo não planeja mais gastar com novas aquisições em direitos econômicos. A ideia também é reduzir a folha salarial anual em pelo menos R$ 10 milhões com a saída de alguns jogadores. Qualquer novidade, por ora, será uma oportunidade de mercado. Como Rafinha, por exemplo. Em fim de contrato com o Bayern de Munique, da Alemanha, o lateral tem apalavrado acerto de dois anos com o Rubro-Negro a partir de julho.

O Flamengo já não planejava novos voos ousados no mercado na atual janela, mas a ordem agora é segurar. Obviamente, eventuais gastos com indenizações e contratações de especialistas para auxiliar na crise não estavam previstos no orçamento de 2019. Rodolfo Landim assumiu a presidência em janeiro com a bandeira de investir no futebol. E foi o que aconteceu. O clube foi ao mercado e gastou aproximadamente R$ 125 milhões – de forma parcelada - em três jogadores (Arrascaeta, Rodrigo Caio e Bruno Henrique). No caso de Gabigol, o Rubro-Negro não pagou pelo empréstimo, mas arca com o salário superior a R$ 1 milhão por mês.

Fla contrata especialistas e avalia indenizações

Flamengo contratou especialista para negociar indenizações com as famílias das vítimas — Foto: Augusto Medeiros

Calcular os valores não é tarefa simples. O clube contratou o advogado Álvaro Piquet Pessoa, especializado em responsabilidade civil, para negociar com as famílias. Além dele, o criminalista Ricardo Petri tem acompanhando as investigações. O Flamengo também consultou advogados da Samarco, que participaram das negociações para indenizar as vítimas da tragédia do rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, há três anos.

Advogados do Flamengo receberam a informação que a Samarco pagou entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão por família no caso da tragédia da cidade mineira em questão. No entanto, o clube avalia que são situações completamente diferentes, uma vez que a mineradora sabia dos riscos e reduziu investimentos na barragem do local. O valor que cada um receberá tem algumas variáveis, como o número de integrantes na família, por exemplo.

Patrocínio e revisão orçamentária

Pesa também o fato de o Flamengo ter tido recentemente baixas consideráveis em relação a patrocínios. "Carabao" e "Caixa Econômica Federal" deixaram a camisa rubro-negra no fim de 2018. Há negociações em curso por novos parceiros, mas todas estagnadas no momento, após a tragédia da semana passada.

Nesta quarta, o Conselho de Administração aprovou a revisão orçamentária para 2019, que já previa receitas de R$ 750 milhões. Entre os itens, a captação de até R$ 125 milhões de empréstimos até dezembro – como antecipar as parcelas relativas à venda de Lucas Paquetá ao Milan, da Itália, por exemplo. Despesas com indenizações não entraram na conta. Até por isso, o Flamengo cogita mais empréstimos, se for o caso, para arcar com os eventuais acordos com as famílias.