Samuel Lino foi o único jogador do Flamengo a manter a dignidade em um domingo de humilhação no Maracanã. Apesar da goleada de 3 a 0 para o Palmeiras, o meia rubro-negro entregou 31 passes com 94% de precisão, criou seis oportunidades e venceu sete de nove duelos em seus 68 minutos de campo. Enquanto o Mengão desabava na partida, Lino se movimentava, oferecia saídas e pressionava. Nota 7.7 — o mais próximo que o time chegou de uma exibição aceitável.
A tarde foi de desastre coletivo para a Nação rubro-negra. O time começou em desequilíbrio, nunca conseguiu ritmo e desmoronou nos momentos decisivos. A defesa vazou. O meio demorado. O ataque inexistente. Dos 11 que entraram em campo, apenas Lino e Jorginho se salvaram com notas acima de 7. O resto — goleiro, zagueiros, laterais, meias e atacantes — flutuou entre o aceitável e o fraco.
As notas: só dois acima da linha
🟢 Samuel Lino → 7.7 | Seis passes-chave, sete duelos vencidos e movimentação ofensiva constante
🟢 Jorginho → 7.2 | Recuperou a bola quatro vezes, disputou nove duelos e deu consistência ao meio
🟡 Pedro → 7.0 | Venceu cinco de seis duelos; ineficiente nas finalizações (1 chute, zero no alvo)
🟡 Guillermo Varela → 6.9 | 100% de precisão nos passes, mas perdeu dois de quatro duelos defensivos
🟡 Evertton Araújo → 6.9 | Saiu no intervalo com 45 minutos; 94% de precisão nos 35 passes
🟡 Lucas Paquetá → 6.7 | Completou 45 passes (80% precisão) e três passes-chave, mas perdeu duelos cruciais
🟡 Nicolás de la Cruz → 6.7 | Entrou para acalmar; 100% de precisão em seis passes em 17 minutos
🟡 Léo Pereira → 6.7 | Quatro desarmes, mas apenas 80% de precisão nos passes; perdeu duelos
🟡 Léo Ortiz → 6.6 | 97% de precisão, dois dribles conquistados, mas 3 de 4 duelos perdidos
🟡 Alex Sandro → 6.6 | Dois passes-chave, mas fraco na estrutura defensiva: 5 de 8 duelos vencidos
🟡 Saúl Ñíguez → 6.3 | Apenas 11 minutos; 50% de precisão nos dois passes
🟡 Bruno Henrique → 6.3 | Entrou para virar o jogo e falhou: 5 duelos vencidos em 12 disputados
🟡 Wallace Yan → 6.3 | 11 minutos de insignificância: 33% de precisão nos três passes
🟡 Gonzalo Plata → 6.3 | 30 minutos de tentativa; um drible conquistado em quatro tentativas
🟡 Agustín Rossi → 6.2 | Três defesas simples; indefeso nos três gols — não teve chance de reagir
🔴 Jorge Carrascal → 3.5 | Saiu em 21 minutos com vermelho; 88% de precisão não salva a expulsão
Os destaques: Lino e Jorginho em mar de lama
Samuel Lino não pode mudar a partida sozinho, mas tentou. Seus seis passes-chave — o maior número entre os rubro-negros — mostram criatividade e leitura do jogo. Venceu sete de nove duelos e fez dois desarmes. O meia foi escalado ainda no primeiro tempo e saiu aos 68 minutos com a partida já perdida. Se houve alguma centelha de qualidade no Mengão, partiu dele.
Jorginho, em seus 87 minutos, foi a coluna vertebral do meio. Recuperou a bola quatro vezes, moveu-se constantemente e manteve a precisão em 89%. Nove duelos disputados — ganhou menos da metade, reflexo da superioridade palmeirense — mas sua nota 7.2 reflete estabilidade emocional em um dia caótico.
Pedro entrou com esperança e saiu frustrado. Venceu cinco duelos (bom), mas finalizou apenas uma vez e não acertou nenhuma. Seus três dribles conquistados mostram tentativa de driblar a adversidade, literalmente. Nota 7.0 reflete tentativa sem resultado.
Defesa: vazada desde o início
Os quatro defensores viveram um pesadelo. Varela terminou com 100% de precisão nos 40 passes mas perdeu dois duelos cruciais. Léo Pereira fez quatro desarmes — o máximo da defesa — e ainda assim perdeu mais duelos (4 de 8) do que venceu. Léo Ortiz conquistou três interceptações mas saiu mal nos duelos: apenas 3 ganhos em 4 disputados. Alex Sandro ajudou no ataque com dois passes-chave mas não ofereceu proteção consistente.
O Palmeiras marcou três gols. A defesa rubro-negra sofreu com a pressão alta e não encontrou esquema para bloquear as investidas. Agustín Rossi, com três defesas, não teve culpa — seus colegas o expuseram demais.
Meio e ataque: desconexão total
Lucas Paquetá terminou com 45 passes (80% precisão) e três passes-chave mas se perdeu nos duelos. Seis disputadas, apenas seis ganhas, e um cartão amarelo que o deixa à beira da suspensão. Evertton Araújo saiu no intervalo sem impacto notável. Carrascal foi expulso em 21 minutos com a partida ainda em 0 a 0 — uma das piores contribuições possíveis para um time.
Os atacantes não existiram. Wallace Yan entrou para resolver e saiu irrelevante. Bruno Henrique participou mas perdeu duelos (5 de 12) e não criou perigo. Gonzalo Plata completou 30 minutos de anonimato. Nenhum atacante rubro-negro finalizou no alvo.
Quem entrou: Saúl, Henrique e Plata não viraram
Nicolás de la Cruz entrou para acalmar o jogo no segundo tempo com o Flamengo já perdendo. Seus seis passes foram todos precisos (100%), mas 17 minutos não dão tempo de impacto real. Saúl Ñíguez apareceu por 11 minutos com meio-campo já desorganizado. Bruno Henrique tentou agressividade nos flancos mas se perdia em duelos — 5 ganhos de 12. Gonzalo Plata buscou velocidade sem sucesso.
Os rivais: Palmeiras com precisão cirúrgica
O Palmeiras não foi apenas superior — foi cirúrgico. Flaco López marcou um gol com apenas dois chutes (ambos no alvo) e criou duas chances em 91 minutos. Allan, o melhor do visitante com nota 7.9, marcou, deu uma assistência e recuperou a bola três vezes. Gustavo Gómez, o zagueiro, terminou com 95% de precisão nos 75 passes — quase o dobro de passes que qualquer defensor rubro-negro. Carlos Miguel, o goleiro, saiu impecável com 96% de precisão e nenhum gol sofrido.
Os números: domínio sem contestação
O Flamengo completou 483 passes (85% precisão média) e o Palmeiras manteve controle constante. Samuel Lino liderou em passes-chave (6), seguido por Lucas Paquetá, Alex Sandro e Pedro (1 cada). Jorginho venceu duelos, Léo Pereira fez desarmes, Léo Ortiz teve interceptações — estatísticas defensivas que não impediram os três gols. A defesa rubro-negra enfrentou 30 duelos e venceu apenas 19. No ataque, apenas um chute na direção do gol: de Lucas Paquetá.
A humilhação ficou registrada. O Mengão encontrou em Samuel Lino uma nota de esperança em um domingo que pede esquecimento rápido.

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