O presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, detalhou em recente entrevista a filosofia que rege a gestão financeira do Clube de Regatas do Flamengo. Suas declarações reforçam a política de “tolerância zero” contra a desorganização e a posição irredutível do clube frente ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), comparando o Rubro-Negro ao Real Madrid pela solidez institucional.
Essa postura de Bap e da diretoria evidencia a busca por uma reputação de pagador impecável, aspecto visto como fundamental para a sustentabilidade e o poder de negociação do Flamengo no cenário esportivo internacional. A clareza nas regras financeiras e a decisão de manter o modelo associativo atual sinalizam uma estratégia focada em autonomia e responsabilidade, diferenciando o clube no panorama do futebol brasileiro e europeu.
Rigor Financeiro e Credibilidade no Mercado
Bap foi enfático ao abordar o rigor financeiro que o Flamengo adota para manter sua credibilidade. Ele revelou uma atitude drástica para garantir que todos os compromissos sejam honrados em dia: a demissão imediata de qualquer funcionário que falhe no processo de pagamento.
“Se algum funcionário do Flamengo atrasar uma compra que temos que pagar, eu demito o funcionário. Não tem mais conversa. O que digo é o seguinte: a palavra e a credibilidade do Flamengo estão acima de qualquer outra variável”, declarou Bap.
O presidente ainda ressaltou que a regra se estende a contratos que, porventura, possam ser considerados desvantajosos, afirmando que o compromisso assinado será cumprido integralmente. Essa firmeza, segundo ele, é o que permite ao Flamengo realizar grandes contratações, como as de Lucas Paquetá e Samuel Lino, sem a exigência de complexas garantias bancárias por parte dos clubes vendedores, como o West Ham e o Atlético de Madrid.
Para ilustrar a saúde financeira do clube, Bap citou o pagamento antecipado das premiações da temporada passada. Enquanto outros clubes enfrentam atrasos, o Flamengo quitou todos os valores devidos em 26 de dezembro, garantindo aos jogadores a segurança de que os compromissos serão sempre cumpridos.
Flamengo e o Modelo SAF: Uma Posição Clara
Questionado sobre a possibilidade de o Flamengo adotar o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), Bap foi categórico ao afirmar que o Rubro-Negro “jamais será uma SAF”. Ele comparou a situação do clube à do Real Madrid, indicando que a instituição não necessita de tal transformação devido à sua estabilidade financeira e estrutura de gestão.
Bap explicou que o princípio da SAF é ser uma solução para clubes endividados e com gestão fragilizada, buscando investimentos externos e assumindo dívidas. Embora seja favorável ao modelo para esses casos, ele criticou a “deturpação do conceito” em situações como a do Botafogo, onde, segundo o presidente, um clube centenário piorou sua situação financeira mesmo após a adoção da SAF, sem sofrer punições esportivas.
O presidente rubro-negro defendeu a necessidade de regulação e punição esportiva, como a perda de pontos, para casos em que as SAFs não cumprem suas obrigações financeiras e aumentam suas dívidas. Essa visão reforça a defesa do modelo associativo do Flamengo, que prioriza a gestão própria e a responsabilidade institucional.
A discussão sobre a integridade financeira e o modelo de gestão acontece enquanto o Flamengo se prepara para o próximo desafio da temporada. A equipe de Filipe Luís enfrenta o Botafogo, seu próximo compromisso, em um duelo pelas quartas de final do Campeonato Carioca, neste domingo, 15.
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