Bap condiciona estádio próprio à competitividade e saúde financeira do Flamengo

A construção de um estádio próprio faz parte dos planos do Flamengo, mas só será perseguida se não comprometer a competitividade do time e a responsabilidade financeira do clube. A afirmação é do presidente Luiz Eduardo Baptista, que em entrevista ao podcast Sports Market Makers detalhou como o Mengão pensa o projeto de longo prazo.

Bap deixou claro que a obra depende de excedentes esportivos e de receita. O desafio está em equilibrar investimentos no futebol com a poupança necessária para viabilizar um estádio de R$ 3 bilhões. Segundo ele, a ideia é não sacrificar nenhum dos dois lados: manter um elenco competitivo enquanto poupa recursos para o projeto.

“Eu tenho que ter um excedente de resultado que me permita ter um time esportivo competitivo, porque é o que garante uma receita de dois bilhões pra eu poder poupar R$ 150 milhões pro estádio”, explicou o presidente. A frase resume a filosofia: o futebol competitivo é o motor que gera as receitas necessárias para qualquer investimento estrutural.

Maracanã segue central no planejamento

O Maracanã continua ocupando lugar estratégico no projeto. O Mais Querido tem contrato com o estádio por 18 anos e meio, e essa relação permanece importante no médio prazo. A discussão sobre um novo local só deve ganhar força quando a capacidade do Maracanã se tornar insuficiente para atender à demanda da torcida.

Bap citou a capacidade atual do estádio — 76 mil lugares — e sua possível expansão. Porém, foi cauteloso ao projetar aumentos significativos. “Sinceramente, acho pouco provável que eu consiga subir de 76 para 80 mil. Sinceramente, acho que talvez meus filhos vejam isso. Eu não sei se vou ver”, disse o presidente, sinalizando que a ampliação substancial da capacidade é um horizonte distante.

A mensagem implícita é que o estádio próprio, quando vier, será pensado a partir de uma demanda real e comprovada, não como especulação. A Nação rubro-negra continua lotando o Maracanã regularmente, mas a construção de um novo espaço exigirá evidências de que a capacidade atual foi sistematicamente insuficiente.

R$ 3 bilhões e capitalização de até 20 anos

Os números revelam a magnitude do desafio. O custo estimado para a construção é de R$ 3 bilhões, com prazo de capitalização entre 14 e 20 anos. Esses números indicam que se trata de um projeto de longo prazo, subordinado às condições financeiras e esportivas do clube ao longo de décadas.

Bap enquadrou o estádio próprio como necessidade estrutural, mas não como urgência imediata. O clube segue gerindo suas operações dentro do Maracanã, e qualquer movimento em direção a um novo espaço será gradual, dependente de acumulação de recursos e estabilidade institucional.

A estratégia é clara: o novo estádio só faz sentido financeiro se oferecer uma margem de receita superior à do Maracanã. Não se trata apenas de construir uma arena maior ou mais moderna, mas de garantir que o retorno financeiro justifique o investimento colossal e o tempo de capitalização.

O presidente deixou implícito que a prioridade do Flamengo segue sendo manter a competitividade no campo. Campeonatos ganhos, receitas de direitos de transmissão e bilheteria são o que sustentam tanto as operações atuais quanto a viabilidade de qualquer projeto futuro. Sem excedente esportivo, não há excedente financeiro. Sem excedente financeiro, o estádio permanece no plano das intenções.