Luiz Eduardo Baptista ameaça acionar a Justiça se Marcos Lamacchia comprar 90% da SAF do Vasco. A declaração, feita no Charla Podcast, coloca o presidente do Flamengo em rota de colisão direta com uma negociação que segue avançada nos bastidores do futebol brasileiro, tocando em questões legais e de governança que extrapolam o campo.
O ponto central da crítica de Bap é a relação familiar entre Lamacchia e Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Marcos é enteado de Leila, casada com José Roberto Lamacchia, pai do empresário. Na avaliação do dirigente rubro-negro, esse vínculo configura conflito de interesses e torna a operação ilegal conforme a legislação brasileira.
“O problema não é ser com o enteado da Leila, em que pese a lei dizer que enteado é relação familiar e não pode. O problema é estar casado com a sua mulher e quer casar com outra”, afirmou Baptista, usando uma analogia para explicar a situação. Ele prosseguiu com a crítica: “Não pode estar com um pé em cada clube. Continua sendo familiar. Ela sai agora do clube que ela está e entra amanhã. Ou espera acabar o mandato e em outubro do ano que vem entra no Vasco. Não pode estar com o pé em duas canoas, é contra a lei”.
A ameaça de judicialização
Baptista foi direto ao reforçar a postura do Mengão diante do cenário. “Se forçarem uma barra nisso, vamos na justiça novamente. Porque a lei é para ser cumprida”, declarou o presidente. A frase revela disposição real do clube em recorrer aos tribunais caso a negociação avance, transformando um debate administrativo em questão judicial.
A operação em discussão prevê a transferência de 90% da SAF do Vasco por valor pouco acima de R$ 2 bilhões. As negociações seguem em fase avançada, com ajustes contratuais em andamento antes da assinatura do Memorando de Entendimento (MoU). Apesar da resistência de Bap e do Flamengo, os tratos entre Lamacchia e a administração cruzmaltina continuam seu curso.
A posição de Baptista reflete uma estratégia deliberada do Mais Querido em se opor a movimentações que envolvam potenciais conflitos de interesse no futebol brasileiro. O tema ganha ainda mais relevância considerando a competição que marca a relação entre Flamengo e Palmeiras nos últimos anos. Na temporada passada, o Mengão levou a melhor sobre o rival na Libertadores e no Brasileirão, consolidando uma rivalidade que transcende apenas os resultados em campo.
Pressões e mercado: os outros temas de Bap no podcast
Na mesma entrevista, o presidente do Flamengo abordou questões do mercado de transferências que refletem as dificuldades enfrentadas por clubes brasileiros em reter talentos. Ao comentar sobre possíveis reforços como Luiz Henrique e Danilo, Bap evidenciou a tensão entre a vontade de trazer grandes nomes e a realidade financeira do Brasil diante da Europa.
“Luiz Henrique era para ser titular da Seleção Brasileira, igual ao Danilo. Então é óbvio que são dois jogadores que agregariam bastante o elenco. Mas a que custo? Será que eles querem vir para cá agora? São dois jogadores de 24 anos”, disse Baptista. O dirigente foi além, afirmando que um desses dois atletas deseja jogar na Inglaterra, onde os salários são similares aos que o Flamengo poderia oferecer.
A dificuldade em convencer jogadores em alta a retornarem do exterior é um sintoma das limitações econômicas do futebol brasileiro. “Então, pelo amor de Deus, convençam os jogadores”, brincou Bap, reconhecendo que o desafio não é apenas financeiro, mas também de vontade do atleta.
Baptista também criticou a leitura simplista de torcida e imprensa sobre o processo de contratações. “Fazem parecer que estamos jogando Banco Imobiliário”, afirmou, referindo-se à expectativa de que o clube resolva transferências com rapidez e facilidade. Na visão do presidente, as negociações envolvem múltiplas variáveis: interesse do jogador, situação contratual, condições do mercado e viabilidade financeira.
Ainda no podcast, Baptista revelou que sofreu pressões para vender ou dispensar Arrascaeta quando assumiu a presidência. O meia teve desempenho abaixo do esperado em 2024, alimentando questionamentos sobre sua permanência. “Quando eu estava no processo eleitoral, tinha muita gente que me apoiava e me disse: ‘presidente, você tem que vender ou mandar o Arrascaeta embora’. Vamos combinar que Arrascaeta não teve um bom 2024, e me diziam que ele estava velho, lento. O 2025 de Arrascaeta se compara ao de 2019”, afirmou, destacando a recuperação do uruguaio na atual temporada.
Bap também fez reflexão crítica sobre a gestão de Rodrigo Caio. “Nós abreviamos a carreira do Rodrigo Caio. Ele é um excelente profissional e uma pessoa de bastante honestidade. Em muitas vezes, ele precisava de três ou quatro semanas para recuperar, mas a gente falava que estava precisando dele, ele cedia. Acabava jogando no sacrifício e, com isso, a carreira foi abreviando”, disse o presidente, assumindo responsabilidade institucional pelo desgaste do zagueiro.
A atuação de Baptista no Charla Podcast evidencia um presidente operacional e confrontador, disposto a defender posições do Flamengo em temas que vão desde a legalidade de operações no futebol até a gestão interna de atletas. Suas declarações sobre a possível judicialização da compra da SAF do Vasco sugerem que o Mengão não está disposto a permitir que negociações que julga ilegais avancem sem resistência. A Nação rubro-negra acompanha esses desenvolvimentos em um momento em que o clube consolida sua posição como potência no Brasil e amplifica sua voz nos bastidores do futebol nacional.

Edmilson Lani é o responsável editorial do Flamengo RJ. Atua na curadoria, revisão e publicação de conteúdos do site, acompanhando de perto o noticiário do clube, os bastidores, o mercado da bola, os jogos e as análises do dia a dia. O site também utiliza fluxos de automação e ferramentas de apoio editorial no processo de produção, sempre sob supervisão humana sobre o conteúdo publicado.